Conheça a história de Veri Real nos Três Tambores do Brasil

Descrição da imagem #pracegover: Veri está montada num cavalo durante o torneio de Três Tambores. Ela é uma moça morena e veste calça jeans e camisa pink. Fim da descrição.
Veri durante disputa dos Três Tambores (Foto: Beto Negrão)

Veridiana Tranjan Real traz uma história importante para os Três Tambores no Brasil, pois é uma referência de treinamento, dedicação, comprometimento e brilha nas maiores e mais importantes pistas e competições brasileiras.

Não podemos deixar de citar a sua mãe Andréa Tranjan Real que sempre auxiliou o sonho da filha, que é uma dedicada amazonas brasileira.

Veri nasceu em abril de 1995, com complicações devido a uma anóxia cerebral e lesões que a comprometeram numa tetraparesia espástica nível motor II, pitose bilateral, déficit de coordenação motora e falta de força muscular nos membros inferiores (MMII), estrabismo do olho esquerdo e déficit de memória.

Andréa observou que desde pequena a Veri tinha um desenvolvimento diferente da sua outra filha anterior e buscou auxílio médico e intervenções terapêuticas para a habilitação do quadro apresentado, mesmo com a ciência obtida pelos médicos que seria um quadro complicado de marcha e déficit na fala. Mesmo assim, Andréa travou uma batalha de busca para recomeçar uma nova história e dar um novo rumo a ela.

Por ser uma mãe já atuante no mundo do cavalo e com conhecimento em equitação clássica, inseriu a filha no cavalo aos poucos, desde pequena, com o contato e a montaria. Foi para o interior com o propósito de viabilizar a proposta e construir uma história diferente. E assim o seu primeiro pônei Gigante entrou nessa história de desenvolvimento e luta.

Aos três anos de idade, Veri foi submetida a sua primeira cirurgia de alongamento nos tendões adutores e calcâneos, realizando o seu processo de reabilitação na Hípica Paulista, sempre buscando o contato com os cavalos. Depois desse processo retornou à Fazenda com o seu amigo Gigante para suas montarias e depois de um dia de montaria quando Veri desceu do dorso do animal, começou a andar. Segundo o relato da mãe, uma emoção indescritível.

Iniciou a fase escolar com cinco anos, e nesse momento foi perceptível que a cognição era preservada, inclusive a mesma aprendeu posteriormente a escrever em letra cursiva mesmo com a dificuldade motora.

Veri, também tinha o sonho de correr e a mãe sempre obteve cuidados para não ferir o sentimento da filha, porém buscava alternativas para que os seus desejos fossem alcançados e conquistados. Posteriormente, passou novamente pela cirurgia de alongamento dos tendões tibiais, adutores e calcâneos. Mesmo com dores, nunca reclamou.

Até que ganhou de presente de um amigo, o cavalo SMOKE ao qual era o seu conjunto e conseguia realizar todas as atividades com maestria, dominava o cavalo e o conseguia conduzir, inclusive realizava atividades com maior habilidade, tanto cognitivas quanto motoras e seguia as rédeas conduzindo a sua vida.

E todos os dias, o seu amigo SMOKE a auxiliava nas atividades escolares diárias, atividades de vida diária, uma reciprocidade que somava para o bem de Veri.

O cavalo passou a ser uma extensão da Veri

Descrição da imagem #pracegover: Veri está beijando um cavalo marrom. Ela é uma moça morena e está usando camisa jeans e chapéu branco. Fim da descrição.
Veri tem no cavalo uma extensão de seu corpo (Foto: Arquivo pessoal)

Aos oito anos, Veri novamente foi submetida a cirurgia de alongamento dos tendões, não perdia uma aula, mesmo engessada da bacia aos pés (procedimento de imobilização pós-cirúrgica) e quando retirou o gesso, retornou com um andador para a escola até readquirir a marcha novamente.

Certo dia, numa situação diferente com a mãe ao qual realizavam uma cavalgada, a mãe entrou no galope com o seu cavalo e automaticamente o SMOKE com a Veri também, mesmo numa sela inglesa (sem lugar para se segurar) se manteve no galope surpreendendo a mãe, gritando: – O vento está batendo no meu rosto!

O cavalo eram as pernas de Veri! Desde então foi treinar adestramento no time de paratletas, baliza, saltos baixos com um novo amigo de nome Cigano e exercícios específicos da equitação.

Veri fez natação, hidroterapia, fisioterapia, psicopedagogia, mas com certeza o cavalo a auxiliou com propriedade no controle de tronco e ajuste postural.

Quando se encontrava no 9º ano do Ensino Fundamental II, Veri passou por uma cirurgia de correção bem invasiva a osteotomia femural bilateral, osteotomia tibial da perna direita, osteotomia do pé esquerdo, encarando um processo doloroso com muitas medicações e UTI. Fez um intensivo em reabilitação e após a cirurgia e processo de recuperação voltou a montar novamente com uma égua Mangalarga de nome Hortelã onde fez prova de andamento.

Andréa, mãe de Veri, que também é amazonas, começou a realizar a prática dos Três Tambores, fizeram cursos com Joyce Loomis, e deu início a uma linda história nos Três Tambores.

Juntas, mãe e filha entraram em contato com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) sobre a implantação de uma Categoria Paratleta, sendo atendida e criada uma comissão diretora para a modalidade.

Veri começou a participar das maiores competições dos Três Tambores no Haras Raphaela, Campeonato Nacional de Avaré, Rodeios, Circuitos importantes, foi destaque da ABQM, entre outros títulos importantes.

Tem trabalhado muito e evoluído nas pistas para o galope, melhorando os seus tempos e cada vez mais se apropriando de técnicas e performances dos Três Tambores.

Muitas reportagens, vídeos eqüestres até com Bárbara Siviero, lançou a Categoria do Paratleta no Campeonato Nacional da ABQM, transformou a história da Raça do Cavalo Quarto de Milha, lançou a modalidade de Rédeas e de Seis Balizas para paratletas, ganhou o título de Embaixadora dos Três Tambores, introdução da categoria paratleta nos rodeios através da Graziella Aguines, foi premiada em 2018 no Awards da ABQM como destaque esportivo, colunista da página no Facebbok – Paratleta dos Três Tambores, instagram, palestrante, convidada para inaugurações de centros de equoterapia e vem ganhando cada vez mais o seu espaço no mundo do cavalo.

“O cavalo e a Veri, unidos num só coração”

Leia também: A equoterapia e as mudanças pós-Covid-19

Portal Acesse

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