Os tesouros que entregamos a quem amamos

Descrição da imagem #pracegover: Imagem do pôr do sol. Vemos a silhueta de uma pessoa que está de braços abertos, em sinal de agradecimento. Fim da descrição.

Há alguns anos, li um livro muito especial e que recomendo com carinho àqueles que desejam trilhar o caminho do autoconhecimento, chamado As cinco pessoas que você encontra no céu, de Mitch Albom, o mesmo autor de A última grande lição (Editora Sextante).

Trata-se de uma reflexão instigante sobre como alguns acontecimentos e as diferentes pessoas que conhecemos ao longo da vida podem estar conectadas as escolhas que fazemos e que interferem definitivamente, em nosso destino. 

É uma estória que começa pelo fim, com a morte do protagonista, um fuzileiro de guerra que após seu retorno, devido a uma deficiência na perna, passou o resto da vida trabalhando num parque de diversões. Logo nas primeiras páginas traz uma ponderação impactante:

“Todos os fins são também começos, apenas não sabemos disso na hora.”

Essa frase mexe comigo, e como enfim chegamos ao último mês de um ano repleto de aprendizados, ressignificações, perdas e desafios, e que certamente marcará a história da humanidade em muitos aspectos, entendi que pensar sobre alguns significados dessa afirmação seria bem pertinente.

Talvez faça muito sentido compreender que encerrar um ciclo, significa também, dar vida e força a uma nova semente e um novo tempo, daí a importância de vivermos plenamente os momentos que nos envolvem durante a caminhada, sejam bons ou ruins.

Há tanto o que pensar e sentir sobre isso! Compreendo que há muita coerência nessa afirmação, pois sim, se observarmos atentamente, a própria existência acontece do fim de um ciclo que gera sementes, germina, brota, cresce, se desenvolve, dá flores e frutos, se renova e dá vida a um novo ser.  Ao longo da caminhada, percebemos que não existem coincidências, tampouco acasos (pelo menos eu creio nisso!) e de algum modo, estranho modo talvez, existe uma sinergia, um movimento, uma engrenagem que gira e nos conecta uns aos outros. 

E isto é extraordinário!

Aprecio a inteligência e sensibilidade que Mitch Albom, autor do livro citado acima, nos faz pensar sobre pontos cruciais da formação humana: a compreensão sobre vida e morte; o sentido da justiça; os sacrifícios e escolhas que fazemos; a importância da figura materna e paterna na formação da criança; a degradação emocional e psicológica da criança exposta a uma relação autoritária e violenta; a importância do amor na formação humana; a construção da autoimagem e autoestima a partir das relações parentais e vivências da infância; nossos propósitos e trajetórias a partir das dores que carregamos, e tantos outros pontos especiais para qualquer pessoa que busque COMPREENDER a vida e deseje SER, diariamente, alguém melhor.

É interessante pensar na justiça como algo relativo que “não governa a vida e a morte”, pois se assim fosse, nenhuma pessoa boa morreria tão jovem, nem crianças nasceriam doentes ou deixariam a vida precocemente, nem mesmo mães morreriam deixando suas crias para serem cuidadas por outras pessoas que não elas; nem pais abandonariam seus lares ou negariam seu amor aos filhos; nem milhares de pessoas morreriam de fome, desidratas e abandonas à margem da sociedade; nem meninas ou meninos teriam sua inocência devastada pelas mentes patológicas ou pela ganância de algumas poucas pessoas que andam por aí livremente, ganhando a vida com abusos, tráfico de inocentes e o poder desenfreado de uma minoria desumana e gananciosa.

A vida é tão complexa e ao mesmo tempo tão simples! Repleta de escolhas e sacrifícios, é verdade! Mas todos, indiscutivelmente fazemos concessões. Evoluir é compreender que pequenos ou grandes sacrifícios são norteadores de nossos caminhos, e dizem muito sobre quem somos do que imaginamos. Tudo depende de como lidamos e encaramos os desafios, as adversidades e limitações que a vida nos impõe. E das emoções que deixamos fazer parte da caminhada com maior ou menor potência. Somos mais poderosos do que imaginamos e usamos uma ínfima parcela da real capacidade que temos para transformar o mundo e a nós mesmos.

“ Somos deuses poderosos, mas não cremos verdadeiramente nessa potência de transformação que mora dentro de nós!”

Porém, quando escolhemos ser gratos por cada experiência vivida, ainda que nem todas sejam agradáveis, no entanto, compreendendo que tudo aquilo que vivemos, nos faz crescer e fortalece quem somos, damos significância à nossa história. O caminho fica mais leve e glorioso, porque no final das contas é o sentimento e o propósito que depositamos nas situações vividas que constroem possibilidades, conexões ou simplesmente as barreiras que nos impedem de acessar aprendizados indescritíveis. E isso, depende da busca de cada um. É singular, intransferível e único! Tem a ver com o aprendizado, a trajetória e o desejo que carregamos na alma.

“Permita que seus filhos façam suas próprias escolhas. Respeite seus desejos, interesses, sentimentos, anseios e apenas sejam quem realmente são!” 

É certo que como pais nem sempre acertamos, mas na mesma proporção, ainda que cometamos alguns erros, simplesmente por sermos humanos e vulneráveis às nossas histórias pessoais, dores e feridas, pelo amor que sentimos pelas nossas crianças, desejamos sempre acertar. E aqui, faz todo o sentido o PERDÃO aos nossos pais e ancestrais pelo que talvez não tenham conseguido entregar ou acessar em nós. E a nós, o respeito e o perdão pelo que ainda não conseguimos desenvolver ou refinar nesse processo para sermos melhores na forma de conduzir, compreender, orientar e guiar as novas gerações. É uma busca… Continue!

Acredito com todo o meu coração que sempre é tempo de recomeçar e ser melhor, aliás, este é um dos “presentes especiais” que investir no autoconhecimento nos dá: RESSIGNIFICAR! E a partir daí, trilhar novos caminhos, perceber que as coisas mais incríveis da vida não têm preço ou valor material, porque são tesouros que guardamos no coração, no tempo de qualidade que dedicamos as nossas crianças e aos que amamos, as estórias antes de dormir, os sorrisos que trocamos, os olhares, o cheiro, as músicas, os desenhos, as brincadeiras, caretas, comemorações e quase tudo aquilo que não podemos comprar, apenas viver, intensa e livremente.

Talvez por isso me agrade sobremaneira falar frequentemente sobre a importância de construirmos memórias afetivas, indeléveis e preciosos tesouros que podemos deixar de herança para as pessoas mais importantes do mundo… Conhecer e acessar recursos nobres que engrandeçam as relações familiares com valores e diálogo democrático. E construam de forma gentil e firme ambientes respeitosos, favoreçam conexões empáticas, afetivas e profundas, porque este sim é um presente valioso e potente para levar nossos amores aonde quer que queiram ir.

Com amor e gratidão,

Roberta Borges 

Portal Acesse

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.