Obesidade infantil e a T21

Descrição da imagem #pracegover: Foto de uma criança obesa com uma fita métrica na barriga. A imagem tem fundo cor de rosa. Fim da descrição.

Hoje inicio minha primeira coluna para o Portal Acesse e escolhi o tema obesidade infantil e a T21 porque 70% das crianças com T21 apresentam excesso de peso ou obesidade.

Desde criança, sinto que nasci para fazer a diferença na vida de outras pessoas. Procurei entender como eu poderia, de fato, fazer isso e me interessei pelo mundo da nutrição, já que sempre quis trabalhar com comida.

No meio do curso, minha família ganhou um presentinho de Deus, o Enzo, meu primo que tem síndrome de Down. Durante o período de estágios me apaixonei pelo atendimento de pessoas com deficiências intelectuais e senti a dificuldade que as famílias passam para conseguir orientações nutricionais específicas para esse público, além de também atender mulheres. 

Meu maior desejo é, por meio da educação nutricional, orientação e acompanhamento, proporcionar às pessoas com deficiência intelectual e mulheres de todas as faixas etárias, tenham autonomia para fazerem suas escolhas alimentares com consciência e responsabilidade, visando se tornarem as melhores versões de si mesmas, em todos os aspectos da vida!

Obesidade infantil e a T21

Voltando a falar sobre nosso tema: obesidade infantil e a T21, isso acontece por causa de características específicas da síndrome de Down, que se refletem de maneiras variadas no organismo dessas pessoas e também devido a comportamentos compensatórios por parte dos cuidadores.

Ao longo da minha trajetória cuidando de pessoas com T21 e seus familiares, pude perceber que ainda nos dias de hoje, existe um pensamento que coloca o indivíduo com T21 em um lugar de ‘coitadinho’.

Este pensamento traz consigo uma necessidade de compensar a deficiência de outras formas, como por exemplo, sendo extremamente permissivos quanto ao consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em calorias vazias, açúcares, aditivos químicos e outras substâncias.

O real problema de não darmos a devida importância ao peso de nossas crianças e à qualidade de sua alimentação é a maior probabilidade de desenvolver comorbidades futuramente, como por exemplo diabetes, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, entre outras doenças crônicas não transmissíveis e também o aumento do risco de mortalidade.

Não podemos mudar o que já está feito, mas podemos identificar os problemas e corrigi-los enquanto há tempo, prevenindo uma série de complicações futuras e promovendo uma maior qualidade de vida para quem tanto amamos.

Características que estão diretamente conectadas ao ganho de peso na T21

  • Hipotireoidismo, que está presente na vida de 30 a 40% das pessoas com T21;
  • Hipotonia muscular, que por se refletir nos órgãos internos, prejudica a sensibilidade ao estado de saciedade e, consequentemente, faz com que a pessoa coma mais do que o necessário. Este aspecto também é importante na hora da introdução alimentar, pois muitas vezes, os cuidadores, com medo de engasgos, optam por oferecerem alimentos mais macios, ricos em carboidratos simples e gorduras como por exemplo, pães.

Meu filho está obeso, e agora?

O primeiro passo é marcar uma consulta com o pediatra e a nutricionista para a realização de exames e avaliação da saúde geral da criança, comportamento alimentar e qualidade dessa alimentação.

Enquanto o dia da consulta não chega, observe a rotina alimentar de seu filho. Qual é a base da alimentação dele? Ele consome vegetais? Consome bolachas, salgadinhos e outros alimentos que vêm em pacotes?

A dica de ouro que posso dar para finalizar este post é a seguinte: desembale menos e descasque mais! Quanto mais natural a alimentação for, menos problemas futuros aparecerão.

Obrigada pela atenção e até mais!

Nutri Gabi Pelissari

Portal Acesse

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