Mulheres na política: Priscilla Selares

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Priscilla Selares. Ela é uma mulher morena de cabelos castanhos na altura dos ombros. Priscilla está usando uma blusa roxa e sorri. Ela está segurando sua bengala verde. Fim da descrição.
A candidata Priscilla Selares (Foto: Divulgação)

Na semana passada iniciamos a série mulheres na política em que entrevistamos algumas mulheres incríveis que são destaque da política brasileira. E hoje apresentamos a entrevista com Priscilla Selares, 38 anos, candidata a vereadora em São Luís (MA).

A advogada, que vive há seis anos na capital do Maranhão, tem deficiência visual e aceitou o convite para disputar uma vaga na câmara da cidade. “Vi uma oportunidade de fortalecer a luta do movimento de pessoas com deficiência, assim como das mulheres”, explica Priscilla. 

Confira a entrevista exclusiva com Priscilla Selares:

Descrição da imagem #pracegover: Foto de Priscilla Selares. Ela é uma mulher morena de cabelos castanhos na altura dos ombros. Priscilla está usando uma blusa preta e sorri. Ela está segurando sua bengala verde. Fim da descrição.
Priscilla é candidata em São Luís, no Maranhão (Foto: Divulgação)

Quais seus principais projetos de campanha?
Priscilla Selares: Minhas principais propostas são a elaboração do plano municipal de acessibilidade com a adequação das leis municipais para garantir a equidade de gênero nos cargos públicos, bem como no preenchimento das vagas. Também quero trabalhar pela valorização da cultura e dos nossos artistas locais, por uma educação bilíngue, com o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A câmara itinerante e a política integral da população LGBT, a questão da habitação, no sentido de garantir acessibilidade na implementação da infraestrutura dos conjuntos habitacionais construídos a partir do programa Minha Casa Minha Vida, além da concessão de isenção para mulheres e pessoas que querem se tornar empreendedoras, durante os três primeiros anos de abertura do negócio. 

Quais suas expectativas em relação ao cargo de vereadora?
Priscilla Selares: As expectativas são as mais positivas possíveis. A ideia é que justamente através do exercício do cargo eu possa dar efetividade ao nosso lema: “nada sobre nós sem nós”, fazendo com que a pauta da pessoa com deficiência e as políticas de inclusão se façam presentes, rompendo com o capacitismo e fortalecendo outras pessoas com deficiência a continuar seguindo em frente.

O que significa para você a representatividade feminina na política?
Priscilla Selares: Para mim a falta de representatividade da mulher na política constitui violação à democracia porque se a democracia tem como principal essência a representação do povo, essa representação precisa ser compatível com essa população representada. Hoje nós não temos praticamente mulheres representadas. Ainda mais mulheres com deficiência representando o povo nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas, no congresso nacional… a gente precisa transformar essa realidade começando a ocupar cada vez mais espaços para assegurar nosso lugar de fala nessas discussões de políticas que sejam destinadas à população em geral. Essa representatividade está muito relacionada com o machismo, no capacitismo… os preconceitos que existem em relação à mulher e à pessoa com deficiência acabam impactando nisso. 

Quem são suas referências políticas?
Priscilla Selares: São muitas. Posso citar Simone de Beauvoir, Angela Davis, Djamila Ribeiro e Jorge Amaro, além de alguns líderes de movimentos sociais que admiro bastante no Maranhão, como o historiador Dilson Bessa Júnior, a Deline de Lima, que é uma mulher que eu gosto muito aqui do movimento de mulheres com deficiência do Maranhão.

Quais suas expectativas futuras?
Priscilla Selares: Quanto a disputar cargos no futuro sinceramente ainda não sei te afirmar porque não é fácil. A gente passa por diversas situações que são complicadas, seja em razão da escolha do partido, seja em razão de postura de outras pessoas em relação às escolhas que a gente faz. Estamos vivendo um momento de muita intolerância. Você tem que se posicionar de forma polarizada e isso é muito difícil dentro da política porque a nossa política perdeu muito quando ela se polarizou dessa maneira. Ou você é de esquerda ou você é de direita. E com isso se perde o objetivo final que é a promoção da melhora da qualidade de vida da população. Eu me considero uma pessoa de esquerda, embora esteja num partido de centro. Então, o que eu penso é que a gente não pode, em nome dessa polarização, desprestigiar ou deixar de fazer algo que vai ser importante para a coletividade, porque foi num partido de centro que eu tive a oportunidade de buscar um espaço na câmara municipal. Então, pra mim é muito mais importante romper com essa invisibilidade e garantir a representatividade, enquanto mulher com deficiência. 

Você pode saber mais sobre a Priscilla Selares no Instagram e no Facebook.

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