Mulheres na política: Mayra Oliveira

Descrição da imagem #pracegover: Mayra está de lado e tem os braços cruzados. Ela é uma mulher morena de cabelos cacheados e compridos. Mayra está usando um terninho preto e sorri. Fim da descrição.
Mayra Oliveira (Foto: Divulgação)

A quarta entrevista da nossa série sobre mulheres na política é com Mayra Ribeiro de Oliveira, 28 anos, candidata a vice-prefeita em Ribeirão Preto (SP).

Mayra, que tem deficiência visual, é assistente social formada pela Unesp de Franca e tem aprimoramento profissional em Serviço Social e Psiquiatria pela Universidade Estadual de Medicina – Usp, de Ribeirão Preto.

Confira a entrevista exclusiva de Mayra Oliveira!

Descrição da imagem #pracegover: Mayra está com os cabelos presos em coque. Ela usa batom vermelho e veste camiseta branca com um desenho em preto branco e vermelho escrito Promotoras Legais Populares Ribeirão Preto-SP. Mayra segura um cartaz com os dizeres: MULHERES COM DEFICIÊNCIA PRESENTES. Fim da descrição.
Mayra Oliveira (Foto: Reprodução/Instagram)

Você já disputou algum cargo político?
Mayra Oliveira: É a primeira vez que eu disputo um cargo político nas eleições. Sempre fui militante do movimento estudantil e sempre participei das assembleias. Também fui dirigente estudantil na universidade.

Quando surgiu o interesse em ingressar na política e a disputar um cargo público?
Mayra Oliveira: Sempre tive interesse em disputar um cargo político. Desde criança eu dizia que seria presidente da república. Minha mãe dava risada e falava que eu sempre me considerei uma liderança. Mas, na verdade, as pessoas sempre me colocavam como uma liderança eu não me dava conta de que isso estava acontecendo. Eu queria estudar teatro para fazer uma crítica social a todas as questões que a classe trabalhadora enfrenta. Mas, depois que eu me engajei no grêmio estudantil eu quis estudar serviço social.

Quais suas principais propostas de campanha?
Mayra Oliveira: O nosso plano de governo combate fortemente as opressões. Temos projetos para que as escolas públicas tenham uma educação de qualidade e vamos enfrentar qualquer tipo de privatização do Sistema Único de Saúde, que deve ser valorizado, assim como a saúde integral das mulheres. Também iremos combater a especulação imobiliária, pensar nas comunidades periféricas e valorizar a cultura. É muito importante dizer que o seres humanos têm diversas expectativas e pensar em concorrer a um cargo político e pensar que eu preciso estar a serviço da população, atendendo as pautas de lutas da classe trabalhadora porque o poder vem do povo. 

Quais suas expectativas em relação à esse cargo?
Mayra Oliveira: Eu acredito que uma das expectativas é pensar no atendimento às demandas da população. Outra expectativa é como fazer isso e colocar nosso programa em pauta para fazer com que a população tenha uma participação mais ativa na gestão pública da cidade.

O que significa pra você a representatividade feminina (ou a falta de representatividade) na política?
Mayra Oliveira: Não basta só ter a representatividade da mulher na política porque existem casos de mulheres que vão se inserir na política mas não atendem as pautas das mulheres. Também temos nosso estado brasileiro dificultando qualquer tipo de acesso das mulheres à saúde, por conta de uma religião extremamente fundamentalista e conservadora, e eu estou dizendo isso porque nós somos representadas por uma ministra que é mulher e mesmo assim dificulta o acesso, como por exemplo, no caso da menina estuprada no Espírito Santo. É preciso ter sororidade com outras mulheres.

E o que você acha que falta para que as mulheres tenha representatividade na política?
Mayra Oliveira:
É preciso escutar outras mulheres e saber o sofrimento delas. Eu sei, por exemplo, que o nosso país e muitos outros são extremamente machistas. A figura da mulher sempre está associada a um padrão de beleza, de estar ao lado do homem, como a primeira-dama, por exemplo, que deve ser ‘bela, recatada e do lar’. E não é essa a imagem de mulheres que nós queremos mostrar. A imagem que nós queremos mostrar é de mulheres que combateram o Eduardo Cunha, nas questões da pílula do dia seguinte, mulheres que fizeram as manifestações do ‘ele não’, em 2018. Queremos que as mulheres estejam presentes. As mesmas mulheres trabalhadoras que fizeram a ‘primavera feminista’, as mulheres que lutam por creches e por moradia digna, para que elas estejam na política e sejam conectadas com as pautas da classe trabalhadora. Elas precisam estar conectadas com a saúde, com a educação e com os movimentos sociais. 

E você acredita que isso será possível? Que essa representatividade se torne uma realidade?
Mayra Oliveira: É necessário pensar no nosso todo e eu acredito que é muito importante essas mulheres que estão inseridas em cargos políticos atualmente e que fazem o enfrentamento massivo a todos os desmandos do capital. Existe uma falta de representatividade das mulheres por questões do patriarcado. Mas é muito importante pensar quem são essas mulheres, porque eu acredito que não adianta você votar em alguém seja mulher e que diga que é mulher mas que na verdade não consegue fazer a conexão com as pautas e depois de eleita, esqueça de seus princípios. Queremos mulheres que lutem, que sejam ouvidas de fato e que saibam fazer o enfrentamento cotidiano às questões sociais. E é muito importante que a gente realmente tenha representatividade e que ela seja comprometida.

Quem são suas referências políticas?
Mayra Oliveira: Frida Kahlo, por conta de ser uma mulher forte que fala sobre a questão da arte do feminismo e por quebrar vários paradigmas sociais. Rosa Luxemburgo, por falar sobre revolução de uma maneira incrível. Gosto muito do livro ‘Reforma ou revolução’. Tanto Rosa quanto Frida foram mulheres com deficiência e ninguém fala sobre isso. Rosa é sempre retratada com uma mulher forte, guerreira e lutadora que enfrentou os homens do seu partido e ninguém fala que ela tinha uma deficiência. A mesma coisa Frida, que hoje é retratada andando de bicicleta, mas ela não andava de bicicleta. Outra referência é Alexandra Kollontai, por tudo que ela escreveu e fez. Eu costumava dizer que quando eu tivesse uma filha ela se chamaria Olga, por causa de Olga Benário Prestes, por tudo que ela enfrentou e por quebrar diversos paradigmas e preconceitos como uma mulher dentro de um partido comunista. A atuação da Olga foi muito importante tanto na Alemanha quanto no Brasil. 

E quem são suas referências da atualidade?
Mayra Oliveira: São a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL/SP), por ela ser uma deputada jovem e engajada com diversas questões sociais, a deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP), que é uma pessoa extremamente conectada com as demandas das mulheres, da juventude e da classe trabalhadora. Outra referência é a Annie Schmaltz Hsiou, do PSOL de Ribeirão Preto, que é professora, cientista e mãe, uma mulher conectada com as demandas da classe trabalhadora. E também tem a minha assessora, a Carol que, apesar de não ocupar papel de figura pública no partido, é uma mulher engajada. Outra figura incrível que é uma referência pra mim não está inserida na política, é a atriz Andréa Neves, que sempre fala que os nossos corpos ocupando espaços públicos é um ato político e isso sempre ficou marcado pra mim. Ela é uma pessoa que eu gosto muito e tenho orgulho de ser amiga. São muitas pessoas que são referência. É difícil falar de todo mundo. Como essa pergunta me fez pensar na minha vida toda, penso que minha mãe sempre foi referência em minha vida e falar disso me emociona muito. Dona Marta nunca foi uma pessoa pública mas sempre foi referência. Por mais que ela não tivesse tantas instruções escolares, sempre lutou para que a gente tivesse uma educação boa. 

Quais suas expectativas futuras?
Mayra Oliveira: Sempre quis falar com pessoas, ouvir pessoas … saber suas histórias. Então é muito importante pra mim estar inserida nesses espaços para levar as pautas das pessoas para dentro da Câmera, da Prefeitura, do Senado e na Presidência. Se o meu partido que me deu essa tarefa de responsabilidade tão grande confiar em mim, com certeza quero concorrer a outros cargos. Quem sabe até de presidente da república.

Você pode saber mais sobre Mayra Oliveira no Instagram.

Amanhã você irá conhecer Luciana Trindade. Não perca!

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