Eleições 2020: mulheres na política

Descrição da imagem #pracegover: Montagem com a foto de cinco mulheres. Fim da descrição.
Bruna Salvador, Mayra Oliveira, Mara Gabrilli, Luciana Trindade e Selma Rodeguero

Segundo dados do Observatório das Eleições, nas eleições 2020, alcançamos o percentual mais alto de mulheres na política. A pesquisa aponta que 34,6% das candidaturas às câmaras de vereadores são de mulheres, contra 65,4% de homens. Isso mostra que, apesar do aumento, as mulheres ainda estão longe de alcançar a igualdade.

Certamente, esse aumento é um reflexo da minirreforma eleitoral de 2009, que tornou obrigatória uma cota mínima de 30% para candidaturas de mulheres. No entanto, em  quase 1/4 das câmaras de vereadores do país, ainda não há mulheres. 

As mulheres e a política

Segundo dados do Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado, apesar de compor o maior percentual da população brasileira e do eleitorado nacional, as mulheres somam apenas 12,32% dos cargos eletivos do país. Outros dados revelam que as mulheres ocupam 13% do total das cadeiras no Senado e 15% na Câmara dos Deputados.

Mas, se ainda falta representatividade feminina na política brasileira, dez anos após termos eleito uma mulher presidente da república (Dilma Rousseff – 2011/2016), também faltam mulheres com deficiência na disputa. 

Por isso, entrevistamos algumas mulheres incríveis que são destaques da política brasileira. E para abrir nossa série especial, apresentamos uma entrevista exclusiva com a senadora Mara Gabrilli. Confira a entrevista! 

Descrição da imagem #pracegover: Foto da senadora Mara Gabrilli. Fim da descrição.
A senadora Mara Gabrilli (Foto: Divulgação)

O que significa pra você a representatividade feminina na política?
Mara Gabrilli: A representatividade feminina é o símbolo da oxigenação na política. Por muito tempo temos sido uma nação liderada por homens. E essa hegemonia masculina não representa a realidade, afinal, nossa população é formada por mais mulheres que homens. Como pode um Congresso, por exemplo, ter uma maioria de homens à frente de decisões que afetam a vida de todos? É necessário um equilíbrio. Na verdade, é urgente! E não só na política, mas em qualquer lugar, inclusive em cargos de liderança nas empresas. Mulheres não devem ser maioria absoluta, tampouco minoria. Sou uma defensora da diversidade porque a nossa sociedade é diversa. Além disso, o Brasil é um país continental, com diferentes realidades e grupos populacionais. E assim deve ser a representação pública. Com mais mulheres na política enriquecemos esse cenário que hoje ainda é tão homogêneo.

Na sua opinião, qual o principal motivo de o número de mulheres atuante na área política ainda ser inferior ao de homens?  
Mara Gabrilli: Acho que muito se deve ao histórico machista do nosso país. Aliás, é uma situação que ainda existe. Quando olhamos as lideranças comunitárias, por exemplo, vemos que a maioria é formada por mulheres. As mulheres precisam se empoderar e saber que o lugar delas é onde elas quiserem, inclusive na política.

Qual o maior desafio em atuar num cenário com predominância masculina?
Mara Gabrilli: Infelizmente, esse cenário ainda é um lugar comum para a brasileira. Por onde passei em minha trajetória política sempre existiu mais homens que mulheres. Para compensar essa desigualdade sempre apostei em mulheres na composição de minha equipe. Há muitas mulheres, inclusive, na linha de frente, na tomada de decisão do nosso mandato. O desafio é de todas nós. Juntas, desafiamos muitos preconceitos, mas acredito que o maior é tornar os homens mais empáticos – não os da minha equipe, que são até mais sensíveis que muitas mulheres, mas de muitos políticos, que ainda são muito protocolares e rígidos nas decisões. Para fazer política pública, empatia é um requisito básico. E impetrar esse olhar mais sensível no universo político é um desafio diário.

Como é ser considerada uma referência positiva para outras mulheres que se espelham na sua trajetória de sucesso para ingressar na política?
Mara Gabrilli: É uma honra! Fico feliz e orgulhosa da trajetória que construí – e com muitas mulheres ao meu lado. Aliás, não fosse uma mulher – minha mãe – eu nem teria entrado para a política. Ela foi minha maior incentivadora! Tive muitos votos de mulheres na disputa para o Senado. E fico emocionada em saber que tantas mulheres acreditaram em mim. Essa confiança me inspira a seguir.

Quando surgiu o interesse em ingressar na política e a disputar um cargo público?
Mara Gabrilli: Depois que sofri o acidente que me deixou tetraplégica, passei um tempo fazendo reabilitação nos Estados Unidos. Naquela época, 25 anos atrás, a reabilitação aqui no Brasil ainda deixava a desejar. Quando retornei ao Brasil fundei uma ONG para apoiar o paradesporto e fomentar pesquisas científicas para cura de paralisias. Com os anos, passei a ampliar minha atuação à frente de uma associação do terceiro setor e meu trabalho começou a ganhar destaque. Mas a ideia de entrar para a vida pública surgiu da minha mãe. Ela que ficava na minha orelha, dizendo que eu deveria me lançar candidata a vereadora em São Paulo. Mas depois de muita insistência dela, acabei aceitando a ideia. Tinha muita coisa que eu não conseguia mudar na cidade apenas como presidente de ONG. Minha intenção era entrar na política para ajudar a melhorar a vida das pessoas com deficiência e dos mais vulneráveis. Hoje, depois de atuar 2 anos como secretária municipal, 4 anos como vereadora, 8 anos como deputada federal e quase 2 anos como senadora, sigo trabalhando com os mesmos ideais de 16 anos atrás.

Como foi ter sido eleita como a senadora mais atuante em áreas que envolvem questões ambientais (Prêmio Congresso em Foco 2020) e qual a importância desse reconhecimento?
Mara Gabrilli: Fiquei muito feliz. Mostra que o trabalho está sendo bem realizado e reconhecido. No ano passado o júri técnico me colocou entre os cinco melhores senadores do ano. Dessa vez, a votação era na categoria Clima e Sustentabilidade. Entrei na política para trabalhar pela inclusão, que é um dos pilares da sustentabilidade. Sabemos que nenhuma nação cresce de forma sustentável sem olhar para os mais vulneráveis. Essa votação expressiva do público coroa um trabalho que vai de encontro com esses ideais.

Amanhã você irá conhecer a história de Bruna Gabriela Salvador. Não perca!

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