Minha história: Thaís Vitória

Descrição da imagem: Foto de close da Thaís Vitória. Ela é jovem, tem cabelos castanhos, lisos e compridos. Thaís está sorrindo para a foto. Fim da descrição.
Conheça a história da jovem Thaís Vitória (Foto: Reprodução)

Meu nome é Thaís Vitória, tenho 18 anos e sou de Sete Lagoas, Minas Gerais. Nasci prematura, de 23 semanas, no dia 9 de setembro de 2002 e, em decorrência disso, não tive as retinas formadas. Por isso, sou cega.

Quando criança, cheguei a  frequentar o Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, mas devido à distância, minha mãe optou por matricular-me no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola na minha cidade, onde fui alfabetizada no braille.

No 3° ano do Ensino Fundamental, precisei mudar de escola e consequentemente mudando também de AEE, onde aprimorei meus conhecimentos com o braille, aperfeiçoei também minha mobilidade com a bengala e aprendi como usar a tecnologia.

Por muito tempo, minha relação com minha deficiência foi bastante conflituosa. Precisei olhar para dentro de mim para entender que minha deficiência era só um detalhe.

Descrição da imagem: Foto da Thaís Vitória. Ela é jovem, tem cabelos castanhos, lisos e compridos. Thaís está posando para a foto. Ela sorri. Fim da descrição.
Thaís Vitória durante ensaio fotográfico (Foto: Reprodução)

Eu sempre escutei frases que contribuíram para que eu não me aceitasse de imediato, como: “ela é cega e consegue fazer isso?”

Sempre respondi: sim, eu consigo! Minhas limitações nunca anularam minhas capacidades.

Outra coisa comum que costumo ouvir é: “você é uma pessoa especial”.

Eu não sou especial por ter uma deficiência, só quem realmente me conhece pode tirar essa conclusão se eu sou especial ou não.

“Deus vai te curar!”… Eu não quero ser curada! Eu quero acessibilidade e inclusão, eu quero levantar a voz para abrir a mente das pessoas para conscientizá-las. Eu quero um mundo onde haja empatia e respeito, eu quero aniquilar o capacitismo e todos os outros preconceitos enraizados na sociedade…

Responder esse tipo de pergunta me fez refletir e finalmente entender que minha deficiência nunca me incomodou. Sempre busquei  adaptar-me. Eu deixei de me aceitar por não estar em um padrão que eu, sinceramente, nem queria estar.

Hoje, sou muito feliz como sou. E, mesmo se pudesse mudar, não mudaria! Atualmente estou no 3° ano do Ensino Médio e sou vestibulanda de Direito. Escolhi cursar Direito pois diversas áreas jurídicas me interessam e quanto mais pesquiso, mais me encanto pela área!

Já pensei em seguir diversas carreiras: Psicologia, Jornalismo, Ciências Sociais, Antropologia e, até mesmo, Turismo. Mas sempre ficava aquela interrogação, que só foi preenchida por completo quando eu pesquisei e entendi como funciona o meio jurídico. Ainda há muito para descobrir, mas a cada descoberta, tenho certeza de que estou no caminho certo.

Descrição da imagem: Foto da Thaís Vitória com os integrantes da banda CNCO. Fim da descrição.
Thaís com os integrantes da banda CNCO (Foto: Reprodução)

Amo música, principalmente música pop Latina, como o Reggaeton. Sou CNCOwner, o que significa que sou fã de uma banda chamada CNCO. Em 2019, tive a oportunidade de conhecer os integrantes da banda e esse foi o melhor dia da minha vida. Ainda não acredito que isso aconteceu, parece que foi um sonho!

Aprendi a falar espanhol sozinha, somente com o auxílio da internet, e isso me deixa muito orgulhosa, pois não foi nada fácil, mas eu consegui! Para muitos não é nada grandioso, mas eu valorizo cada conquista, pois para mim não existe conquista grande ou pequena, todas foram conquistadas por meio de esforços.

Amo os animais, amo brincar com eles, acho tão fofo, eu digo, heróis de quatro patas. O que me leva ao próximo fato, meu maior sonho é ter um cão-guia. 

Descrição da imagem: Foto da Thaís Vitória com sua cadelinha Kyara. Thaís é jovem, tem cabelos castanhos. Ela está abraçando a cachorrinha e sorri. Fim da descrição.
Thaís com sua cadelinha Kyara (Foto: Reprodução)

A ideia de levar um herói de quatro patas comigo, para todos os lugares, enche meu coração de alegria. Sei que quando esse sonho se concretizar, seremos um pelo outro, meu amiguinho tornando minha vida mais acessível, enquanto eu me dedico em descobrir a cada dia uma coisa nova para fazê-lo feliz.

Gosto muito de livros. Ainda que eu não tenha livros em braille, pois são caros, volumosos e pesados, além de fazerem bem ao meio ambiente.  Então eu acabo optando por ler no celular mesmo. Embora deixe a leitura em defasagem, isso não faz eu deixar de amar os livros.

Pensando nisso, criei uma campanha para arrecadar 16 mil reais necessários para adquirir a linha Braille One.

Acesse o Instagram @meuolhardiferente e saiba como colaborar com a campanha.

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