Minha história: Grayce França – farmacêutica com deficiência visual

Descrição da imagem #pracegover: A doutora Grayce França, primeira farmacêutica com deficiência visual de São Paulo. Ela é uma mulher morena, de pele clara. Tem cabelos pretos, lisos, na altura dos ombros e usa uma franja. Grace está sentada à frente de uma mesa, onde está um papel onde ela escreve. Ela usa uma blusa preta e um jaleco branco. Grayce usa óculos de grau e está olhando em direção à câmera fotográfica. Ao fundo, a parede tem papel de parede estilizado cor de ouro. Fim da descrição.
A Farmacêutica Grayce França (Foto: Arquivo pessoal)

A história de luta pela vida de Grayce Miguel França começa ainda quando ela estava na barriga de sua mãe. Após uma gravidez gemelar com complicações, que acarretou na morte da outra bebê, no quarto mês de gestação, Grayce se considera uma sobrevivente.

Ela, que é a única farmacêutica com deficiência visual reconhecida pelo CRF-SP, gosta de ser reconhecida como um exemplo quando se trata de ir ao encontro da realização profissional. Membro da Comissão Assessora de Farmácia Clínica do CRF-SP, ela se orgulha de ter concluído dois cursos, um na área de Gestão em Medicamentos e outro em Farmácia Clínica e Prescrição. Confira o relato:

“Eu nasci de seis meses, com apenas um quilo, por meio de uma cesariana, e tive que permanecer durante meses no hospital, até poder ir para casa em segurança. Entre idas e vindas do hospital, tive pneumonias constantes, parada cardíaca no meu primeiro mês de vida, fiz cirurgia cardíaca com dez meses e apenas pesava só três 3 quilos.

Já no Jardim de Infância, minha mãe optou por me matricular em escola regular, apesar da deficiência visual congênita, coriorretinite e nistagmo. Mesmo com aproximadamente 5% de visão em ambos os olhos, tive uma infância feliz, caindo, brincando e me levantando, aprendendo a superar os desafios da vida a cada dia.

Eu escolhi a Farmácia porque amo a área da saúde, principalmente por tudo que eu e minha família passamos em hospitais. Foi assim que nasceu o sonho de me tornar uma farmacêutica.

Pensando no amor ao próximo, conclui o curso de Farmácia e Bioquímica em 2011, superando os desafios que a faculdade foi me colocando. Eu solicitava ajuda aos professores para provas e apostilas ampliadas, e durante as aulas eu anotava tudo para estudar.

Assim fui aperfeiçoamento estratégias para estudos, contei também com ajuda de colegas para algumas anotações no quadro, fiz cursos em Gestão em Medicamentos e Farmácia Clínica e Prescrição, onde me sai muito bem superando todos os desafios.

Assim, cheguei à conclusão que estava no caminho certo, pois tenho muito a contribuir com a sociedade com o meu aprendizado e não pretendo parar por aí. Tenho projetos sobre inclusão na área farmacêutica para pacientes com deficiência visual, quero atuar como farmacêutica clínica para cuidar dos pacientes e também pretendo ser palestrante para inspirar outros jovens a superar os desafios e conquistar os seus objetivos e sonhos, assim como eu consegui conquistar os meus.

Eu, como farmacêutica e pessoa com deficiência visual, tenho muita gratidão por todos os obstáculos vencidos até hoje. Estou em alguns projetos e, por ser formada em Farmácia e ter deficiência visual, compreendo melhor as necessidades especiais das 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual no Brasil, segundo dados do IBGE, em tomar seus medicamentos de forma segura e com autonomia.

Esse projeto foi apresentado no XX Congresso Farmacêutico de São Paulo, em 2019, e quero contribuir para tornar a farmácia inclusiva e com autonomia para essas pessoas, que infelizmente são esquecidas em suas necessidades. Vejo isso com uma missão, pois ajudar as pessoas é um grande propósito em minha vida.

Tenho uma página do Facebook e no Instagram, onde mostro minhas superações e assim posso motivar as pessoas com deficiência visual, já o mercado de trabalho não oferece vagas para pessoas com deficiência com formação acadêmica.

Por isso, temos que fazer melhorias, projetos e ações para o reconhecimento profissional, igualitário e acessível. E assim mostrar que as pessoas com deficiência têm capacidade e vontade de crescer e alcançar conquistas profissionais sem preconceito com mais humanização.”

Grace França

Portal Acesse

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