Especial influenciadores: Lele, a blogueira pcd

Descrição da imagem #pracegover: Close da Lele, blogueira pcd. Ela é uma mulher preta e linda. Lele tem cabelos pretos, cacheados, na altura dos ombros. Ela usa uma blusa de alcinha azul. Fim da descrição.
Lele, a blogueira pcd, criou o canal para falar sobre temas que a incomodavam (Foto: Arquivo pessoal)

Se você ainda não conhece a Alessandra Martins, 24 anos, é porque nossa entrevistada de hoje é mais conhecida como Lele, a blogueira pcd. Se ainda assim você não conhecer essa musa, aproveita os links lá no final da entrevista pra seguir ela nas redes sociais e conhecer seu canal no YouTube.

Moradora do Rio de Janeiro (RJ), Lele é uma mulher linda e empoderada, que se intitula “preta com deficiência”. Estudante e pesquisadora, Lele sofreu uma amputação transtibial da perna esquerda, em um acidente de ônibus. Desde então, ela passou a se sentir incomodada ao perceber coisas relacionadas ao universo das pessoas com deficiência e decidiu criar seu canal no YouTube para produzir conteúdo de qualidade, dando voz às suas ideias.

“Uma das coisas que me incomodam é a associação do termo ‘pcd’ ligado somente a coisas burocráticas, direitos, ou algo assim. Obviamente essas coisas são extremamente necessárias, mas não somos somente isso”, explica Lele. 

Outra questão relevante envolve o tratamento a pessoas com deficiência. “Como no caso do debate sobre Capacitismo, que pautava praticamente somente sobre corpos brancos, ignorando a vivência de pessoas negras dessa realidade.” 

Confira a entrevista exclusiva com a linda Lele!

Descrição da imagem #pracegover: Lele está sentada na cama. Ela é uma mulher preta e tem uma amputação na perna esquerda, na altura do joelho. Lele está com tranças roxas nos cabelos, que estão presos. Ela usa uma blusinha regata amarela e um shorts jeans. Ao seu lado estão duas muletas. Fim da descricão.

Devemos te chamar de blogueira ou de influenciadora digital?
Lele: Acho que por enquanto sou uma produtora de conteúdo ou blogueira, ainda preciso criar mais vínculo com meus seguidores pra conseguir influenciar eles digitalmente.

Qual a proposta do seu canal e qual seu público-alvo?
Lele: O canal é um espaço um pouco mais livre pra eu falar com meu público, pois ele permite videos mais longos do que as outras redes sociais. A proposta é trazer reflexões sobre a militância, mas também muito sobre autocuidado, diy’s e outras coisas sobre mim e que eu gosto de fazer. O público-alvo são pessoas com deficiência, pra eles poderem visualizar que somos não só a nossa deficiência, mas quero que todo tipo de pessoa assista o canal.

Como você lida com a questão de ser referência para as pessoas que te seguem?
Lele: Nossa, meio estranho se enxergar assim, não sei se sou uma referência ainda, mas quem sabe um dia.

Quais as principais dificuldades encontradas na sua caminhada como blogueira?
Lele: Acho que sendo uma pessoa pobre e periférica, os principais barulhos é que eu não tenho controle nenhum do barulho fora de casa, assim como não tenho dinheiro pros equipamentos minimamente necessários.

Você tem falado, especificamente, sobre questões relacionadas à quarentena. Como está sendo isso pra você?
Lele: Assim, faz muito parte da realidade de pessoas com deficiência vivenciar já um isolamento no dia a dia, eu acabei vivendo muito isso quando estava sem prótese, pois me sentia muito um peso pras pessoas, então não tá muito diferente do que eu já vivia. Acho que a diferença é que não posso sair um pouco pra relaxar a cabeça, ou ir pra casa de um amigo, então senti mais como um distanciamento das pessoas que escolhi como minha família. 

A quarentena tem prejudicado muito seu trabalho como blogueira?
Lele: Eu comecei por causa da quarentena, então acho que ela teve alguma coisa positiva pra mim, mas atrapalha quando eu quero sair pra comprar bijuterias pra fazer diy’s, fotos na praia, na produção de vídeos com outras pessoas e assim vai, mas acho q no geral não.

Você já consegue rentabilizar seu trabalho como blogueira?
Lele: Eu comecei tem pouco tempo, então ainda não, mas espero que isso não demore muito.

Como é sua rotina de trabalho como influenciadora durante a quarentena?
Lele: Busco ter uma agenda diária e uma semanal. Na diária eu defino o que vou fazer no dia, tanto com os estudos, exercícios físicos e a internet, dedicando um tempo específico pra cada um. A semanal é mais pra preparação de conteúdo, foto ou vídeo, porque esses normalmente precisam ser roteirizados, envolve pesquisa e outras coisas, como qual o dia mais silencioso onde moro. Essa é a rotina, mas como disse não existe um antes da quarentena, porque eu comecei durante da quarentena.

Quem te ajuda a organizar os vídeos/posts, além de gravar, editar, fotografar, postar…?
Lele: Na maior parte sou eu sozinha, às vezes meus irmãos me ajudam gravando vídeos – quando eles têm tempo – e meus amigos me mandam muitas ideias também. Mas no geral sou só eu em tudo.

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Você pode acompanhar a Lele no Instagram e no YouTube

Conheça um pouco mais da história da Lele e sentir seu astral maravilhoso! 

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