Japan House recebe mostra da artista Shoko Kanazawa

Descrição da imagem #pracegover: Shoko durante criação de uma arte. Ela segura um grande pincel, com as duas mãos, e escreve sobre um tecido no chão. Shoko é uma jovem japonesa. Ela tem cabelos pretos e lisos que estão presos. Ela usa uma calça e camiseta preta. Fim da descrição.
Shoko durante processo de criação (Foto: Divulgação)

A partir do dia 2 de fevereiro de 2021, a Japan House São Paulo apresenta a mostra individual da artista Shoko Kanazawa. Reconhecida como uma das mais importantes calígrafas japonesas contemporâneas, a artista de 35 anos tem síndrome de Down e começou a aprender a técnica do Shodō com sua mãe, Yasuko, aos 5 anos.

“Desde pequena ela me via praticando. Quando ela fez 5 anos, entrou na escola regular porque pensei que ela precisava fazer amigos e eu reuní algumas crianças e abri uma escola de Shodō. A partir desse dia passei a ensinar a Shoko. Logo no primeiro dia vi que ela era a única que segurava o pincel corretamente e isso revelava a potencialidade dela para seguir praticando”, revela Yasuko, mãe de Shoko.

As caligrafias de Shoko

Descrição da imagem #pracegover: Shoko é uma jovem japonesa. Ela está sentada à frente de uma pintura com caligrafia japonesa. Shoko tem cabelos pretos e lisos que estão presos. Ela usa uma camisa branca, colete e calça preta. Fim da descrição.
Shoko diante de sua versão caligráfica da pintura ‘Os deuses do vento e do trovão’, no Templo Kenninji, em Kyoto (Foto: Divulgação)

Shoko domina as variações mais sutis da linha, noções de composição e posicionamento das formas, uso da tinta e suas saturações de maneira notável e hoje ela é considerada uma das mais importantes calígrafas japonesas contemporâneas.

Em 2005, ela realizou sua primeira exposição ‘Shoko Kanazawa: the world of caligraphy’, na Galeria Ginza Shoro. Ela também expôs em templos como Kenchoji, em Kamakura; Kenninji, em Kyoto; e Todaiji, em Nara.

Em 2015, Shoko apresentou um discurso na sede da ONU, durante as comemorações pelo Dia Internacional da Síndrome de Down e, recentemente, foi convidada para produzir um dos pôsteres para as Olimpíadas de Tóquio.

Por seu talento, Shoko também é reconhecida como uma importante figura na luta pela causa de pessoas com deficiência, inspirando outros jovens com síndrome de Down a se expressarem por meio da criatividade.

Mostra na Japan House

Descrição da imagem #pracegover: Shoko durante criação de uma arte. Ela segura um grande pincel e escreve sobre um tecido no chão. Shoko é uma jovem japonesa. Ela tem cabelos pretos e lisos que estão presos. Ela usa um traje japonês. Fim da descrição.
Mostra poderá ser conferida a partir do dia 2 de fevereiro na Japan House (Foto: Divulgação)

Dando continuidade às expressões da filosofia DŌ, essencial para compreensão do Japão, a Japan House apresenta a exposição gratuita e inédita ‘DŌ: o caminho de Shoko Kanazawa’.

Desta vez, a instituição cultural vai exibir obras da artista, que desvendam e retratam a filosofia do Shodō (書道) que significa, em japonês: ‘o caminho da escrita’, em que ‘Shō’ exprime o ato de representar letras e palavras com métodos e formas variadas.

Este trabalho visa dar vazão às emoções através da escrita e é uma arte e disciplina ensinada às crianças japonesas durante a educação primária. É praticada tanto com caracteres ideogramáticos – kanji – quanto com os fonéticos – hiragana e katakana.

A caligrafia é conhecida por exigir alta precisão do calígrafo, cada caractere dos kanji devem ser escritos segundo uma ordem de traços específica, aumentando dessa forma a disciplina necessária daqueles que praticam esta arte. A liberdade de cada artista nesse gestual e interpretação é o que determina o estilo individual. 

Escrita com o uso do sumi (tinta preta) e pincéis variados sobre o papel japonês, a arte da caligrafia é considerada uma metáfora para a própria vida. Assim, alternam-se pinceladas fortes com outras mais delicadas, produzindo diferentes efeitos conforme a velocidade, o ritmo, a pressão sobre o papel, o intervalo entre traços e o próprio material utilizado.  

Na exposição instalada no piso térreo da Japan House São Paulo serão exibidas 11 obras – minuciosamente selecionadas. Dez pergaminhos e um biombo, muitos deles de grande escala com até dois metros de comprimento, que fazem parte do repertório de trabalhos de Kanazawa, que pratica, sobretudo a caligrafia performática, fazendo uso de grandes pincéis que demandam um envolvimento direto de todo seu corpo na aplicação da tinta sumi sobre o papel.

“As obras de Shoko Kanazawa trazem uma nova perspectiva dentro do Shodō, manifestação artística importante que reflete tão bem a cultura e a estética japonesa. Essa arte milenar, tradicional e extremamente popular no país é explorada pela artista de forma única e significativa, unindo esse caráter performático e corporal com todo o lado conceitual e espiritual do Shodo.  É uma grande honra poder apresentá-la pela primeira vez no Brasil em nossa sede”, relata Natasha Barzaghi Geenen, Diretora Cultural da Japan House São Paulo e curadora da mostra. 

Repleta de significados, as obras escolhidas para a mostra valorizam o acaso, os espaços vazios e a expressividade dos traços. As palavras e expressões escolhidas pela artista não são aleatórias, pois possuem conceitos poéticos e subjetivos, com mensagens esperançosas e positivas, e aparecem em destaque com o intuito de trazer a essência da cultura nipônica. Outro elemento importante dessa exposição são os traços fluidos presentes nas obras de Shoko, que exigem o engajamento de todo o corpo assim como o seu compromisso e prática para alcançar leveza, equilíbrio e excelência. 

‘DŌ: O caminho de Shoko Kanazawa’ 
De 2 a 28 de fevereiro de 2021
Piso Térreo 
Entrada gratuita 
Reserva antecipada (opcional) no site do Japan House

A Japan House São Paulo fica na Avenida Paulista, 52, em São Paulo (SP), de terça-feira a domingo, das 11 às 17 horas. 

Festival Sem Barreiras

A convite da Japan House São Paulo, Shoko Kanazawa participou, no final de 2020, do Festival Sem Barreiras, por meio de um vídeo em que apresenta seu processo de trabalho.

Na ocasião ela realizou a demonstração da escrita do kanji Hikari, que significa ‘luz’, e foi escolhido pela artista como forma de transmitir força e esperança para atravessarmos os momentos difíceis durante a pandemia do novo coronavírus.

Confira o vídeo sobre a técnica de Shoko produzido parao Festival Sem Barreiras (com legendas, Libras e audiodescrição).

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