Existem ‘graus’ ou ‘níveis’ na T21?

Descrição da imagem #pracegover: Foto de uma apresentação dos membros do Felicidade Down. Fim da descrição.
Entenda porque não existem graus ou níveis na T21 (Foto: Divulgação)

Tecnicamente falando, não existem ‘graus’ ou ‘níveis’ na T21. O tema é polêmico, alguns acreditam que apesar de não existirem graus ou níveis na T21, algumas pessoas com síndrome de Down têm mais dificuldades que os outras em seu aprendizado e desenvolvimento.

Sabemos que entre os ‘não Downs’ existem aqueles que também têm dificuldades especificas, como os disléxicos, os com déficit de atenção, os hiperativos, etc… e nem por isso dizemos que existem ‘graus’ ou ‘níveis’ entre os ditos normais.

O que existe tanto para as pessoas com Down como para os ‘não Downs’ são algumas dificuldades especificas peculiares de cada indivíduo.

Além dos itens acima, podem ser verificadas também algumas diferenças genéticas relativas a T21, e ainda podem também ocorrer em alguns casos, a associação com alguma outra síndrome, como por exemplo, o autismo.

O importante, em qualquer um dos casos, é a rápida descoberta dessa dificuldade e uma abordagem própria para atender essa necessidade específica. Quanto mais rápido for feito o diagnóstico e quanto antes começar a buscar as soluções, melhor serão os resultados para o bom desenvolvimento da pessoa com Down.

É necessário que o diagnostico seja preciso e confiável, aconselho sempre nesses casos procurar uma segunda opinião profissional.

No tocante ao cognitivo podemos sim dizer que existem diferenças, lembrando que isso ocorre com todos os seres humanos, Downs ou não. É necessário entender o contexto geral sobre o assunto, acredito que entre as pessoas com Down não mais de 5% deles apresentam alguma dessas peculiaridades que dificultam o seu perfeito desenvolvimento, ou seja, cerca de 95% das pessoas com Down têm condições de se desenvolver de maneira satisfatória.

Como já vimos acima, com relação ao desenvolvimento, alguns pessoas com Down terão mais facilidade de aprendizado que outros, como acontecem com qualquer ser humano, com ações específicas de estímulos e técnicas pedagógicas para cada caso, todos terão condições de ter uma evolução a partir do seu patamar inicial.

Devemos considerar que todos as pessoas com Down quando nascem estão no mesmo patamar inicial, são como pedras brutas a serem lapidadas. Na realidade, o que irá definir o futuro do desenvolvimento de cada um é o meio ambiente que o cerca após seu nascimento.

Imaginemos vários círculos um dentro do outro e a pessoa com Down no centro dele, no primeiro círculo temos os pais, em seguida a família, depois a escola e por último a sociedade. Então, podemos afirmar que os maiores responsáveis pelo bom desenvolvimento dos filhos são os pais que estão no centro do círculo.

É muito importante entender o contexto usado na questão do ‘grau’ ou ‘nível’, minha preocupação é que alguns pais, por acharem que seus filhos tem um ‘grau’ ou ‘nível’ menor, acabem acreditando que nada vai funcionar deixem de oferecer oportunidades adequadas de desenvolvimento para seus filhos.

O oposto também precisa de atenção, muitos Downs quando crianças são bem espertos e têm condições de se desenvolver bem, mas só isso não basta, na realidade o desenvolvimento do Down até a idade adulta vai depender de fatores como a estimulação, oferta de oportunidades, educação familiar, educação escolar, alfabetização, socialização e outros fatores presentes no meio ambiente que o cerca, independente dessas peculiaridades individuais. Outro item muito importante, que devemos a qualquer custo evitar, é a infantilização de nossos filhos.

Acredito ser interessante uma reflexão e uma discussão profunda sobre o assunto, cada família deve pesquisar entender essas variações. Dessa forma, fica bem claro que não existem graus ou níveis na T21, o que existem são algumas dificuldades especificas de cada caso, que podem ser contornadas pela determinação e ações positivas dos pais e da família, dessa forma todos os Downs sem distinção, necessitam uma atenção especial para o seu desenvolvimento adequado.

Assim, como em todos os demais seres humanos, podem ser verificadas variações no cognitivo e na capacidade de assimilar informações com consequências no seu desenvolvimento.

Em cada caso, a estimulação e as técnicas pedagógicas adequadas deverão ser compensadas para que todos consigam atingir um mesmo patamar. É muito importante entender o contexto usado no início sobre a questão do ‘grau’ ou ‘nível’, minha intenção é orientar os pais para não usarem essa questão para justificar a condição de seu filho, ou como um pretexto para abandonar os estímulos necessários a ele.

Percebo que alguns pais acreditam que seu filho não se desenvolvem adequadamente porque tem um ‘grau’ ou ‘nível’ mais severo e não adianta estimulá-los, outros acreditam que seu filho têm um ‘grau’ ou ‘nível’ mais leve e então seu filho não necessita de estímulos e oportunidades, em ambos os casos é necessário estímulos e técnicas pedagógicas específicos adequados para cada caso.

Volto a ressaltar que na realidade terá mais sucesso no desenvolvimento o Down que receber o maior número de estímulos e oportunidades, independentemente do seu suposto ‘grau’ ou ‘nível’.

Meu texto alerta exatamente para que os pais não se preocupem em demasia somente com esse ou outros assuntos de maneira específica, acima de tudo pensem nas necessidades de seu filho como um todo.

Acredito que o mais importante é enxergar nossos filhos como qualquer outro ser humano, com suas peculiaridades e características individuais, e assim poder buscar o melhor para ele em direção à sua felicidade.


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