Falem com elas!

Descrição da imagem #pracegover: Foto de duas mulheres conversando. Uma delas é cadeirante. Fim da descrição.
Pessoas com deficiência precisam ser ouvidas (Foto: Marcus Aurelius / Pexels)

O que será que isso quer dizer? Existem muitos caminhos para formarmos uma pessoa. Essa é uma escolha pessoal de cada família, pai, mãe ou educador que pretende oferecer às crianças e adolescentes a sua melhor versão. Sim, é nisso que acredito!

Enquanto pais e educadores, é importante avançarmos nos modelos educacionais, afetivos e comportamentais que nos foram oferecidos na infância. Afinal, o mundo está em constante evolução e nós fazemos parte disso. E aqui, a proposta é simplesmente refletir sobre esta questão. Não há intenção de apontar erros ou acertos, criticar ou julgar os posicionamentos assumidos pelos adultos que um dia nos formaram, e deram o que podiam dar, dentro das suas possibilidades e referenciais.

O objetivo é pensar sobre os padrões oferecidos e aquilo que foi bom ou ruim, gerou prazer, entusiasmo e significância, ou simplesmente frustração e dor. E talvez este seja, por si só, um bom referencial para nortear ou não, a nossa relação atual com a infância e a adolescência!

O mundo moderno é rico em possibilidades, conceitos, conhecimentos, métodos e infinitas ferramentas que ajudam aos pais e educadores nortearem suas condutas, definirem caminhos e especialmente, terem a possibilidade de escolher os melhores, mais simples ou refinados recursos para se apropriarem e utilizarem no cotidiano de suas relações em família, práticas profissionais ou na sociedade.

Ao longo dos anos tivemos mudanças extraordinárias quanto aos estudos da mente humana, bem como na forma como nos relacionamos e aprendemos. As neurociências abriram campos de estudos inimagináveis e muitas frentes surgiram a partir dessas novas perspectivas para compreender, acolher e interagir com as necessidades humanas. E isso é lindo, transformador e potente!

Particularmente, fico entusiasmada, esperançosa e emocionada ao ver que a sociedade do século 21, ainda que tenha muito a evoluir e esse é um processo contínuo, oferece cura a muitas doenças e síndromes que há alguns anos nem imaginávamos; a ciência, a genética e os recursos da medicina evoluíram a tal ponto, que tratamentos que antes eram invasivos e desconfortáveis, hoje são curtos, pontuais, discretos e eficazes no tratamento e cura de muitos males…

E as políticas públicas, ainda que engatinhando em diversos aspectos, especialmente quando pensamos no ‘fazer valer’, assegura muitos direitos a camadas antes vulneráveis até mesmo no acesso e direito de ir e vir… As escolas, ainda que numa triste minoria qualitativa, tornam-se cada vez mais inclusivas e se preocupam em capacitar e preparar o ambiente para o acesso das crianças com deficiência, e estas, por sua vez, hoje podem sair de casa, participar da sociedade e do mundo, cada qual dentro da sua realidade e com os recursos dos quais dispõe, mas sem precisar se esconder ou privar da convivência, pois um dia as coisas foram assim…

E melhor que tudo isso, é ver nascer e crescer, cada vez mais, profissionais, especialistas e estudiosos interessados em mergulhar nos estudos sobre as inúmeras deficiências, síndromes e transtornos que a cada dia crescem e colaboram com estatísticas desafiadoras, mas por outro lado, encontram milhares de pessoas debatendo, compreendendo, refletindo, disseminando conhecimentos e novos olhares para esses contextos.

Aquece meu coração sempre que vejo ou conheço a história dessas pessoas e percebo que muitas delas são pais, mães, irmãos, tios, primos, avós de pessoas com deficiência e que enxergaram a partir de uma necessidade concreta, a importância de estudar, ampliar horizontes, ultrapassar fronteiras e escrever histórias dignas e libertadoras.

Mas, nada se compara ao fato de hoje vermos um movimento extraordinário delas próprias, as pessoas com deficiência, sejam elas estudantes, especialistas, educadores, pais, artistas, modelos, políticos, não importa, porque o que é válido mesmo é a ‘voz’ que passaram a ter, atuando em diferentes nichos da sociedade e falando com propriedade singular sobre tudo aquilo que precisamos ouvir, perceber, sentir, aprender, desenvolver e aceitar para que a inclusão seja uma realidade.

“Falem com elas! Esse talvez seja o grande segredo para construirmos um mundo melhor ou pelo menos, o primeiro passo!”

Então, como alguém que acredita no diálogo franco e sincero, tanto como na potência do amor para estabelecermos uma profunda conexão com nossos filhos, entendo que é preciso cuidar das pessoas para transformar o mundo. E o que exatamente isso quer dizer?

Compreenda suas singularidades, acolha suas dores e vulnerabilidades, sejam elas quais forem. Olhe nos olhos ao falar, abaixe-se caso seja necessário, perceba e valorize seus interesses, potenciais e talentos. Seja gentil e firme. Viva com intensidade e entrega essa relação. Amar, muitas vezes nos faz sofrer, porque nem tudo é como idealizamos, mas é nele que encontramos o bálsamo necessário para seguir. E o que vale mais? Aprenda com seus filhos! Ouça o que eles têm a lhe dizer! Desperte para o grande tesouro que existe em seu lar! 

“Dê voz a sua criança ou adolescente! Permita-lhes existir e ser quem realmente são!” 

E claro, aqui refiro-me às crianças e adolescentes porque falo aos pais e educadores, mas é bom deixar registrado que isso vale para qualquer pessoa, pois todos temos o direito de pensar e existir, e enquanto o oxigênio invadir nossos pulmões, há de ter espaço para usarmos a nossa VOZ em prol de dias melhores.

“O milagre está na atitude! Quando escolho ver com olhos de ver, sentir e aceitar o outro na sua realidade, um  espectro de possibilidades se abre… Eu não pretendo mudar o mundo, quero apenas ser melhor a cada dia, porque é a partir da minha transformação que as transformações do mundo existirão!”

Vamos juntos? Com amor, Roberta Borges.

Leia também: O que há por trás dos muros

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