Grupo ‘Q’ convida pessoas cegas para experiência com a dança

Descrição da imagem #pracegover: Arte de divulgação da apresentação. A imagem tem fundo preto e nela está escrito: Será que estamos. Existem imagens riscadas de cenas do ator em cena. Na parte superior está escrito Renato Vasconcellos e Rodrig Raiz. Fim da descrição.

O ‘Q?‘ realiza hoje a última apresentação da temporada de estreia de ‘Será que estamos?‘. Com audiodescrição simultânea, a apresentação tem como objetivo tornar o espetáculo acessível para pessoas cegas, proporcionando a elas uma experiência interessante com a dança contemporânea em formato digital. 

O ‘Q?’ marca a união dos artistas Renato Vasconcellos e Rodrigo Raiz, com o interesse em comum de discutir sobre o espaço público e toda sua complexidade política. 

A apresentação de ‘Será que estamos?’ explora as nuances do processo de cada pessoa como indivíduo ao se permitir se perceber genuinamente ou não, em um mundo onde os corpos são governados por muitas decisões arbitrárias, que desrespeitam as nossas necessidades mais íntimas e profundas.

A performance é inspirada no trabalho visceral do escultor e performer congolês, Olivier de Sagazan, na série de performance existencial intitulada ‘Transfiguration‘, em que o artista constrói camadas de massa de argila e tinta em seu rosto e corpo para transformar, desfigurar e destruir sua própria figura revelando um humano animalístico que busca fugir do mundo físico.

Com toalhas que escondem a cabeça e os traços do rosto de cada artista, ‘Será que estamos?‘ reflete sobre o que é público a partir da face, afinal o rosto possibilita ao ser humano muitas formas de reconhecimento e identidade. 

Será que estamos?

A brincadeira feita pelas crianças em que uma toalha é usada para parecer cabelo comprido é o fio condutor da performance, uma vez que esta ação permite assumir e experimentar uma “mulheridade”. Esta passou a ser uma das tônicas da pesquisa artística do ‘Q?’, a partir daí questionando as formas humanas de identificação e sua ocupação do espaço público, como lugar de exercício da cidadania. 

O ato de pôr a toalha na cabeça pulsiona esta criação e recria possíveis identidades que poderiam ser assumidas, nem todas sociáveis e, por isso, livres de questões identitárias. O mesmo ato dependendo da circunstância é também um sufocamento. 

“As toalhas nas cabeças fizeram surgir máscaras dentro de uma lógica de controle similar a que Sagazan experimenta com suas máscaras de argila, criadas por cima de seu rosto. Então temos um trabalho para a imaginação e para a memória, principalmente quando existe um desgoverno em relação ao espaço”,  comenta Renato Vasconcellos. 

Na dança feita por Raiz e Vasconcellos a manipulação constante do espaço e do tempo corrobora para o aparecimento de diferentes expressões, sem terem o menor controle delas. A visão impedida ou turva em razão do uso da toalha, que poderia levá-los a um colapso,  representa a possibilidade de cura das mais remotas ações de uma infância viada. 

“Percebemos que nossas visões, ou a falta delas, não nos ajudam a saber exatamente o lugar que ocupamos no mundo. Alguma identidade, e mesmo as subjetividades, nos parecem armadilhas modernas. Seu produto é o corpo, e caso não queiramos ser vendidos ou tão pouco comprados é necessário estratégias para continuar exercendo um “eu-nós” desatados”, finaliza Vasconcellos

O processo de criação da performance ‘Será que estamos?’ teve início em 2019, entre experimentações em espaço externo e posteriormente dentro das dependências do Centro de Referência a Dança da Cidade de São Paulo (CRDSP), localizado no Vale do Anhangabaú

As ações fazem parte do projeto ‘Flexões do Sujeito: Será que estamos rindo?’ contemplado no Edital Proac Expresso Lei Aldir Blanc Nº 37/2020. 

A transmissão será gratuita e poderá ser conferida, a partir das 20h30, no canal do ‘Q?’no Youtube.  

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