Esclerose múltipla: mitos e verdades sobre imunização

Descrição da imagem #pracegover: Uma pessoa está tomando vacina no braço. Fim da descrição.
Especialista esclerece dúvidas sobre imunização de pessoas com esclerose múltipla (Foto: Freepik)

Não é incomum pacientes com doenças autoimunes terem dúvidas sobre vacinação. Devo me vacinar? Qualquer tipo de vacina é compatível? Quais são as recomendações? 

Para sanar essas e outras dúvidas, conversamos com o neurologista Herval Ribeiro Soares Neto, que explicou a importância da vacinação em quem lida com uma doença crônica, como a esclerose múltipla (EM), doença autoimune, na qual o sistema imunológico ataca o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal).

“Existem diversos mitos e argumentos contrários à vacinação. E quando se trata de imunização em doenças autoimunes, a desinformação normalmente é maior. Por isso, antes de mais nada, precisamos reforçar que o ganho com a imunização, de maneira geral, é muito grande, ultrapassa a prevenção individual”, esclarece o especialista.

Quem tem esclerose múltipla está mais suscetível a contrair infecções?
Verdade. Pessoas com a doença têm um risco maior de contrair infecção quando comparamos com quem não tem uma condição autoimune. Isso pode acontecer porque quando a doença não está controlada, o corpo fica mais suscetível ao ataque de vírus e bactérias. E devemos lembrar que as infecções podem elevar o risco de surtos e aumentar a incapacidade, daí a relevância de se vacinar.

A vacinação não é recomendada em pessoas que têm EM?
Mito. A vacinação é um pilar da saúde pública e uma das formas mais seguras e eficazes de prevenir doenças infecciosas. Órgãos internacionais, como a National Multiple Sclerosis Society e a Academia Americana de Neurologia (AAN), recomendam que pessoas com EM recebam vacinas de acordo com as diretrizes-padrão. As entidades propõem que a estratégia de imunização seja individualizada por paciente, uma vez que o aspecto clínico da esclerose múltipla varia de indivíduo para indivíduo.

Não é qualquer tipo de vacina que é recomendada para quem tem esclerose múltipla?
Verdade. As vacinas podem ser divididas em dois grupos: as atenuadas e as inativadas. Quem tem EM, deve evitar as vacinas atenuadas. Esse tipo de imunizante pode acentuar os sintomas da doença ou causar outros. Por isso, é recomendado evitá-las. Entre as vacinas atenuadas, por exemplo, temos as de tuberculose, sarampo, caxumba, rubéola e da febre amarela, que são, geralmente, contraindicadas para pessoas com sistema imunológico enfraquecido. Normalmente, as vacinas toleráveis em quem tem esclerose múltipla são as de vírus inativado, quando o agente infeccioso foi morto e é incapaz de causar a doença; de subunidade, quando é utilizada uma parte da proteína ou de um antígeno, e a toxoide, que contêm uma toxina bacteriana quimicamente modificada, que estimula uma resposta imunológica, ajudando a formação de anticorpos.

Quem usa medicamentos modificadores da doença não precisa reavaliar o status de vacinação para confirmar a imunoproteção?
Mito. Após a imunização é fundamental que o paciente faça uma reavaliação com o profissional de saúde para checar a imunoproteção. A resposta autoimune pode variar em cada caso, por isso, a necessidade dessa checagem com o profissional de saúde que o acompanha.

Quem está em surto deve atrasar a vacinação?
Verdade. De acordo com as diretrizes internacionais, os pacientes em surto devem atrasar a vacinação. Contudo, não temos como estabelecer um período, pode variar de pessoa para pessoa. Esse prazo precisa ser discutido com o médico.

As recomendações a respeito da vacinação para quem tem EM, servem para todos os pacientes?
Mito. As recomendações podem variar. Os profissionais de saúde devem avaliar cada situação de maneira individual.

Para finalizar, o neurologista reforça que o paciente sempre deve buscar informações com um especialista. “O paciente deve seguir as recomendações de quem o acompanha. Esses profissionais são as pessoas mais aptas para dar as diretrizes mais adequadas, uma vez que conhecem o histórico e sabem qual é o perfil da doença do paciente”, conclui Herval.

A esclerose múltipla

Caracterizada por um processo de inflamação crônica que pode causar desde problemas momentâneos de visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como perda de visão e paralisia completa dos membros, a esclerose múltipla está relacionada à destruição da mielina – membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos do cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. 

A perda da mielina pode dificultar e até mesmo interromper a transmissão de impulsos nervosos. A inflamação pode atingir diferentes partes do sistema nervoso, provocando sintomas distintos, que podem ser leves ou severos, sem hora certa para aparecer. A doença geralmente surge sob a forma de surtos recorrentes, sintomas neurológicos que duram ao menos um dia. 

A maioria dos pacientes diagnosticados são jovens, entre 20 e 40 anos, o que resulta em um impacto pessoal, social e econômico considerável por ser uma fase extremamente ativa do ser humano. 

É uma doença inflamatória e degenerativa, que progride quando não tratada. É senso comum entre a classe médica que para controlar os sintomas e reduzir a progressão da doença, o diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais.

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