De rodas para o ar: conheça a cia de dança de Clayton Brasil

Descrição da imagem #pracegover: Uma apresentação da cia de dança. O dançarino está no palco e faz uma coreografia na cadeira de rodas. Fim da descrição.
Cia de dança busca patrocínios e voluntários (Foto: Divulgação)

Dançar faz bem para o corpo e para a alma e são muitos os benefícios para quem pratica essa arte. Mas, quando tratamos de pessoas com deficiência, os benefícios vão além. “Um estímulo para o aprendizado, não só corporal, a dança transforma”, explica Clayton Brasil, idealizador da companhia de dança De rodas para o ar.

Segundo Clayton, a dança transformou sua vida. Por isso, atualmente ele se dedica à essa modalidade de uma forma inclusiva, já que seus alunos são pessoas com deficiência. “Depois da dança me tornei outro ser, mais capaz, mais dinâmico e mais produtivo. É claro que nós, que não temos deficiência, temos a liberdade de ir e vir com mais facilidade. Estar em uma cia de dança para eles é um estímulo super importante por que damos vozes à arte por meio da dança. Eles se expressam, cuidam do corpo e colocam sua arte nos espaços, beneficiando o corpo, a mente e o protagonismo deles na arte e na sociedade”, explica ele. 

Descrição da imagem #pracegover: O bailarino Clayton Brasil. Ele está de perfil, em frente a um espelho, fazendo maquiagem para um espetáculo. Clayton é um homem moreno, de cabelos pretos, curtos e cacheados. Ele tem uma tatuagem no braço. Fim da descrição.
Clayton Brasil, idealizador da cia de dança De rodas para o ar (Foto: Luciana Gebara)

Educador físico por formação, Clayton tem especialização em ballet clássico e produção cultural. Experiência que vem dedicando, desde 2015, à sua cia de dança. “Eu era colaborador nas Casas André Luiz e, quando fui desligado, pensei em dar continuidade ao trabalho com dança que realizava lá”, relembra. 

Foi então que ele convidou alguns de seus ex-alunos com deficiência para criar uma coreografia de dança. “Os ensaios eram realizados em lugares públicos e logo começaram a surgir convites para dançar em eventos. Nossa primeira apresentação foi no aniversário da Lei de Cotas, na Praça das Artes, em julho de 2015. Não posso esquecer nunca da professora e bailarina Raíssa Pinheiro, que abraçou comigo este projeto desde a sua fundação, e somos felizes juntos por ter passado tantas histórias que nos fazem acreditar um no outro como ser humano”, conta Clayton. 

Cia De rodas para o ar

Descrição da imagem #pracegover: Logo da cia de dança De rodas para o ar. A ilustração de uma cadeira de rodas, vista da lateral, com uma pessoa sentada e outra sobre ela com os braços abertos. Fim da descrição.

Para Clayton, a cia de dança se destaca ao ver as possibilidades que as pessoas com deficiência têm para produzir e pensando no protagonismo delas na arte. “Existem muitas instituições que valorizam as pessoas com deficiência. Porém, meu objetivo é expor nossa arte da dança em todos os espaços, não apenas em eventos da área de inclusão. Queremos atingir com isso um grupo máximo de artistas com deficiência nas ruas e locais com pouco acesso à arte”, explica ele. 

Por meio da cia de dança, Clayton criou o grupo Mobilização Artística, que nasceu com a proposta de mostrar o protagonismo dos dançarinos com deficiência.”Neste projeto, fruto da junção da ONG Ritmos do Coração e De Rodas para o Ar, contamos com mais de 50 artistas com deficiência. Juntos produzimos também arte como Sarau e, são muitos os ganhos com o projeto. Entre eles, está a valorização dos artistas com deficiência, a valorização de sua autoestima, consciência corporal e a aproximação de famílias que vão assistir os espetáculos”, destaca Clayton.

Segundo ele, muitos alunos relatam que estar na cia de dança é uma forma de mostrar que eles existem e que são produtivos. “Para nós que não apoiamos no capacitismo, ver pessoas com deficiência se misturando com outras pessoas e ocupando espaços, e aparecendo para a sociedade, é a garantia que a cia tem em dizer que estamos fazendo progresso”, completa o bailarino. 

Atualmente, a cia conta com dez alunos e voluntários, com e sem deficiência. No entanto, Clayton garante que o projeto tem uma força muito maior. “Tiramos força da nossa alma, pois não temos apoiadores fixos e então ficamos à mercê de doações, o que afeta nossos atendimentos, que são feitos de forma voluntária, por todos os envolvidos”, conta Clayton, que está formalizando a cia como um instituto de arte e educação, para aumentar sua capacidade de atendimento. 

Por isso, a cia de dança busca voluntários, parceiros e patrocinadores para dar continuidade ao trabalho. “Estamos prestes a estrear um novo espetáculo, que tem como objetivo a construção de novos saberes sobre a inclusão, incluindo palestras e rodas de conversa. Espero conseguir apoio para ampliar esse projeto e poder levá-lo ao máximo de pessoas possível”, explica Clayton 

Alice’S no país adaptado

Descrição da imagem #pracegover: Os dançarinos da cia de dança durante uma apresentação. Eles estão no palco durante a apresentação. Fim da descrição.
Cia de dança durante Sarau para Todos, no Sesc 24 de Maio (Foto: Divulgação)

Atualmente, o grupo segue com os ensaios do espetáculo ‘Alice’S no país adaptado’, que tinha estreia marcada para o dia 30 de março. No entanto, por conta da quarentena, a estreia foi adiada e não tem uma nova data. “Apesar disso, não paramos. Seguimos com as aulas regulares nos mesmos dias que eram as presenciais e com isso, podemos dar mais qualidade de vida e manter o contato e estudos corporais”, conta. 

Em julho, a cia de dança completa cinco anos de existência e ainda não sabe se poderá comemorar a ocasião com um evento. Por enquanto, a ideia é manter as vendas on-line de camisetas e seguir promovendo aulas gratuitas para arrecadar fundos para o projeto. 

Dança em cadeira de rodas

Sobre os desafios da dança para pessoas com deficiência física, Clayton reclama da falta de apoio e valorização para projetos que visam a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Por isso, ele acredita que os maiores desafios da cia de dança ainda é ter um patrocinador permanente, que olhe para o projeto além das informalidades para que ele possa se tornar um instituto. “Os espaços culturais ainda estão se adaptando para receber pessoas com deficiência física. Além disso, tem a questão do transporte coletivo e da falta de remuneração, que faz com que elas não acessem a cultura”, completa. 

“A dança se faz não apenas dançando, mas também pensando e sentindo: dançar é estar inteiro.” – Klaus Vianna

Você pode acompanhar a cia De rodas para o ar no Facebook, no Instagram, e no Youtube.

Conheça um pouco mais do trabalho da cia de dança De rodas para o ar!

Portal Acesse

2 COMENTÁRIOS

  1. O QUE VALE DA VIDA SE NAO COMPARTILHAR E FAZER HISTÓRIAS.
    DESDE 2015 O PORTAL ACESSE E A CIA DE RODAS PARA O AR VEM COMVERSANDO E APOAINDO O MOVIMENTO DO ACESSO PARA PCD.
    É COM MUITA ALEGRIA QUE PODEMOS CONTAR COM O PORTAL ACESSE PARA DIVULGAR E FAZER COM QUE A ARTE CHEGUE A TODOS.
    OBRIGADO PELA LINDA MATÉRIA DE HOJE.
    ESTAMOS JUNTOS.
    ABRACOS A REDATORA E JRNALISTA JULIANA REIS.

    • Nós agradecemos a parceria e amizade, de sempre. Parabéns pelo trabalho incrível que você realiza com a cia de dança De rodas para o ar. Somos fãs e temos o maior orgulho de poder compartilhar histórias incríveis como a que você construiu. Beijos <3

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