Carga viva: os desafios do transporte de equinos

Descrição da imagem #pracegover: Dois cavalos estão dentro do caminhão de transporte de carga viva. Fim da descrição.
Saiba tudo sobre o transporte de carga viva (Foto: Divulgação)

Algumas vezes presenciamos caminhões ou trailers contendo equinos com a  escrita: ‘Carga Viva’, veiculando por ruas, avenidas e até rodovias, mas é tão simples transportar um equino? Do que precisamos?

Primeiro, porque necessitamos de documentação na Defesa Agropecuária, regida pelo estado ou município, como órgão normativo do Ministério da  Agricultura e Pesca para transportes nacionais, interestaduais e municipais, os quais os documentos necessários são: exames de sangue – AIE (Anemia Infecciosa Equina) e MORMO que não podem acusar doenças infectocontagiosas; acompanhado de atestado de sanidade animal por constatação de saúde no mínimo 30 dias sem sintomatologia; carteira de vacinação com as necessárias imunizações para transporte, como raiva, garrotilho, encefalomielite, influenza, rinopneumonite e tétano, todas com data de vacinação e lote com vencimento; e por fim o GTA – Guia de Trânsito Animal que corresponde todas as informações sobre o local que o animal se encontra, juntamente com o código de propriedade da procedência aonde está o animal e o destino com todas as informações específicas, além da resenha acompanhada nos exames de sangue.

Alguns animais têm passaporte, registros e são chipados para controles e competições. Como também ao propósito de controle de proprietário e localização.

A AIE – Anemia Infecciosa Equina é uma afecção causada por um retrovírus com o RNA de gênero do Lentivirus, crônica, sendo como exponiência a transmissão por mosquitos hematófagos, materiais com sangue contaminado, como cirúrgicos, sondas gástricas, placenta, colostro e acasalamento. A doença afeta equinos, asininos e muares, com sintomatologias hemorrágicas, depressão e anemia. O animal acometido com essa doença é isolado e eutanasiado. Não há vacina.

O MORMO é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Burkholderia mallei podendo transmitir ao humano, animais carnívoros e alguns ruminantes. A transmissão acontece pelo contato direto com o material infectante como secreções, urina, fezes, entrando em contato com o sistema digestório, respiratório, cutâneo entre outros. Acometendo o pulmão e o fígado. Doença de mortalidade alta, em que o animal é isolado e eutanasiado, com todo cuidado de manipulação cadavérica.

O estabelecimento ao qual algum animal constate algumas dessas duas doenças é isolado, não podendo transportar nenhum animal do local e o aferimento em exames de doenças para os demais animais da propriedade.

O transporte de carga viva em equinos exige uma gama de documentações  com  regularidades para que aconteça o deslocamento em transporte dos mesmos de uma localidade a outra, com seus devidos códigos de propriedade regulamentados nos órgãos governamentais. 

Com toda a burocracia atendida, os equinos podem ser transportados em caminhões e trailers, aparecendo outro desafio em vista: o embarque, transporte e desembarque.

O embarque, porque dependendo do animal o mesmo apresenta medo ao embarcar acontecendo um momento de estresse já no início do processo, cuidado na rampa de acesso para o caminhão ou trailer, sendo assim o animal pode se machucar. Alguns animais demoram para subirem no transporte de carga viva, têm resistências por falta de costume e iniciando uma nova aprendizagem e rotina, podendo nessa conter sudorese, alterações de comportamento, coices, empinadas, entre outros.

O transporte e percurso, é muito complicado, pois o Carga Viva precisa andar devagar, com cuidado na frenagem, observar o comportamento do animal o tempo todo na viagem, ter paradas quando a viagem é longa para que o equino se restabeleça do percurso, com toda metodologia para garantir a sanidade e segurança do animal.

O desembarque, muito cuidado para que o animal não se machuque na rampa ao desembarcar, observar se o animal não sofreu nenhum machucado ou alteração de comportamento ao qual possa acrescentar posteriormente num problema de saúde.

Desafios do carga viva com equinos

Por mais que seja um animal de equoterapia treinado ou dessensibilizado, ou de prova, o transporte é uma variável constante, pois têm animais que se estressam, se alteram e outros que já estão mais acostumados com o deslocamento por serem de competições. 

Hoje as maiores dificuldades de uma carga viva ao transportar um animal, são:

1. A falta de gentileza no trânsito, pessoas que fecham o carga viva, não dão distância ou o fazem ter uma frenagem abrupta, proporcionando desequilíbrio do animal e podendo até machucá-lo;

2. Buzinas e barulhos, afinal ver um equino dentro de um carga viva não é nada convencional e essa situação se torna curiosa para muitas pessoas que gritam nas ruas, motoristas, entre outros que se exaltam na hora que o animal passa podendo proporcionar alteração de comportamento no mesmo e machucados;

3. A falta de respeito na velocidade do carga viva que não pode correr para não expor o animal a risco, sendo desrespeitado por carros e até caminhões com carga pesada que deveriam compreender o transporte, na maioria das vezes não dando caminho ou até apresentando comportamentos inconvenientes de descontentamento sobre a espera;

4. Pessoas na rua, em moto querendo passar a mão no animal se o carga viva for aberto;

5. Alguns animais se assustam e se machucam devido a deseducação no trânsito e das pessoas;

Quando presenciarem um carga viva nas ruas, avenidas ou
rodovias, sejam gentis, dêem passagem, tenham paciência, não
fechem o transporte, não se alterem e não alterem o animal! 

Pode ser um cavalo de equoterapia que está lá dentro ao qual faz a diferença na vida das pessoas com deficiência e este precisa chegar ileso.

Portal Acesse

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.