Autonomia e independência na T21

Descrição da imagem #pracegover: Foto do grupo de jovens com síndrome de Down durante encontro do Felicidade Down. Eles estão usando camisetas coloridas. Fim da descrição.
As famílias precisam buscar a autonomia e a independência de seus filhos Downs (Foto: Divulgação)

Há muito tempo falo sobre a necessidade de nossos filhos Downs serem autônomos e independentes. Recentemente, quando postei um texto que citava autonomia e independência na T21, uma mãe retornou dizendo que não teria coragem de deixar sua filha sair sozinha de casa, em outra ocasião outra mãe me disse que não deixaria seu filho andar de ônibus sozinho.

A partir daí percebi que existem muitas interpretações para essas questões e também que o conceito repercute de forma diferente para cada família. Dessa forma, eu poderia não estar sendo perfeitamente interpretado por todos os pais.

Respeitando os limites individuais, a idade e levando em conta hábitos sociais e familiares, cada família deve buscar para seu filho Down seu próprio nível de autonomia e independência.

Importante ressaltar que o desenvolvimento deve ser constante e não existe um momento de parar com a busca da autonomia e independência. Isso deve ser buscado desde o momento que o filho Down nasce.

Para isso deve-se sempre estimular seu filho a realizar sozinho todos os tipos de tarefas e atividades. Os bebês com Down devem, por exemplo, aprender a mamar naturalmente na mãe, o ato de sugar o leite já é uma independência.

Quando são pequenos, ainda engatinhando, e vão em direção a um brinquedo que está longe sobre um móvel da casa, os pais não devem ir buscar o brinquedo. É necessário que a criança vá buscar sozinha o brinquedo, mesmo que enfrente dificuldades para isso.

É muito importante que, o mais rápido possível, respeitando sua faixa etária e seus limites, ela consiga realizar sozinho todas as atividades de rotina como: sentar, comer com as mãos, engatinhar, ficar em pé, comer com talheres, andar, falar as primeiras palavras, andar, lavar as mãos, tirar e colocar a roupa, fazer higiene pessoal…

Apesar dessas atividades serem naturais e minhas orientações parecerem ser redundantes e aparentemente sem sentido, a realidade geral das pessoas com Down é mais triste do que se imagina. Conheço pessoas com Down com idade adulta que não conseguem realizar sozinhos, por exemplo, atividades básicas como: falar corretamente, passar manteiga no pão, amarrar o tênis, se vestir, fazer higiene, tomar banho e muitas outras coisas.

É comum observar, em alguns casos, jovens e adolescentes com Down totalmente infantilizados, ou seja, que nunca foram estimulados a terem atitudes adultas naturais da sua idade.

O que se percebe é que por conta da superproteção natural, os pais acabam tornando seus filhos seres humanos totalmente dependentes.

A superproteção ocorre porque quando o filho nasce alguém diz que ele tem deficiência, então a família começa a tratá-lo como um ‘deficiente’. Na moderna literatura isso se chama Capacitismo, que nada mais é que fazer com que uma pessoa com deficiência se desenvolva bem abaixo de seu real potencial.

Em hipótese alguma a T21 justifica o fato de encontramos atualmente jovens Downs que não tenham um mínimo de autonomia e independência. Aquele indivíduo com Down clássico que conhecíamos do passado, que não fala, não troca de roupa sozinho, que não vai ao banheiro sozinho, não se relaciona com outras pessoas, pasmem… ele não é assim por conta da T21, ele é assim porque foi transformado nisso pelo meio que o cerca.

O assunto é mais complexo ainda quando pensamos nos próximos passos dos nossos filhos, como a educação familiar e socialização, e por consequência uma vida normal em sociedade.

Fica mais difícil ainda imaginar uma pessoa com Down que não seja autônomo, independente, educado e socializado conseguir frequentar uma escola inclusiva regular e receber normalmente conteúdo pedagógico.

Como podemos perceber tudo funciona numa sequencia natural e lógica.
Convivo há muitos anos com muitos Downs jovens e adultos e percebo que quando chega nessa idade a falta desses itens é comprometedor, e infelizmente muitas vezes irreversível.

A ausência desse itens básicos pode dificultar a educação escolar e a socialização, que consequentemente irão causar o isolamento e a solidão, que por sua vez poderão trazer danos sentimentais e psicológicos irreversíveis ao jovem Down.

Sou um eterno otimista, acredito que com o volume de informações existentes atualmente, com o posicionamento positivo de pais e familiares, tenho certeza em breve não existirão mais Downs com dificuldades para levar uma vida autônoma e independente. Conclamo todas as famílias a buscarem, com muito empenho, a autonomia e a independência de seus filhos Downs.

Portal Acesse

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