A fonoaudiologia na equoterapia

Descrição da imagem #pracegover: A mão de uma criança sobre o pelo branco de um cavalo. Fim da descrição.

Nesta coluna informaremos um pouco sobre o trabalho de Andrea Ribeiro que é fonoaudióloga especialista em motricidade oral, disfagia, distúrbios da fala, linguagem e fonoaudiologia neurofuncional. Atuante na área da fonoaudiologia há 28 anos, e na equoterapia há mais de 22 anos, Andrea é responsável pelo Centro de Equoterapia Walking.

A atuação do fonoaudiólogo contempla uma diversidade de metodologias terapêuticas na equoterapia, pois atua na prevenção, diagnóstico, tratamento de problemas de desenvolvimento da linguagem, audição, fala, fluência, articulação, deglutição, mastigação e respiração, e é um profissional imprescindível na equipe multidisciplinar da equoterapia. 

O fonoaudiólogo contempla várias áreas e demandas profissionais como: avaliação fonoaudiológica, diagnóstico de fonoaudiologia, terapia de habilitação e reabilitação, monitoria de desempenho do paciente, aperfeiçoamento da comunicação humana, meio artístico e de comunicação, acompanhamento vocal de atores, músicos, locutores, dubladores e apresentadores, entre outros.

É atuante também na audiologia, motricidade oral, saúde coletiva, disfagia, fonoaudiologia educacional, gerontologia, fonoaudiologia neurofuncional, fonoaudiologia do trabalho, neuropsicologia e fluência na fala.

Os benefícios da equoterapia na motricidade oral

Na equoterapia é ressaltada pela importância do movimento tridimensional – cinesioterapêutico do passo do cavalo para a habilitação e reabilitação dos quadros motores, como se o cavalo fosse uma máquina terapêutica, porém é um ser vivo com ações e reações, também um amigo recíproco do praticante tornando a terapia prazerosa. 

Esse estímulo tridimensional movimenta uma gama muscular e proporciona estímulos ao sistema nervoso central e ao sistema nervoso periférico, construindo aprendizagens e enviando respostas funcionais e preponderantes ao processo de desenvolvimento do praticante.

O impacto dos pés do cavalo no solo promove a estimulação da musculatura orofacial, da laringe, portanto cabe ao fonoaudiólogo uma avaliação minuciosa da musculatura facial em conjunto com a postura corporal do praticante, para a realização do processo de desenvolvimento na habilitação e na reabilitação.

As alterações das funções neurovegetativas, acontecem em conjunto, pois uma mastigação ineficiente, pode levar aos problemas digestivos e engasgos pela incoordenação da respiração com a mastigação e a deglutição.

A melhora na deglutição em diagnósticos motores é uma procura vasta no tratamento da fonoaudiologia por meio da equoterapia para tratamento em casos mais graves e para qualidade de vida. A deglutição quando acontece de forma atípica, se compõem em ruídos, projeção anteriorizada da língua, com contrações exageradas de forma orbicular, movimentos de cabeça, excesso de salivação, entre outras. Alguns quadros não conseguem realizar a deglutição por associação de outros diagnósticos, se alimentando provisoriamente por sondas gástricas.

Embora estejamos pontuando na equoterapia em associação a fonoaudiologia  relacionada com quadros motores e motricidade oral. Obtemos uma vasta procura em quadros comportamentais e cognitivos, como TEAs – Transtorno do Espectro do Autismo para a linguagem e comunicação verbal.

A avaliação do fonoaudiólogo também faz parte da triagem da equipe multidisciplinar no centro de equoterapia, que após a avaliação em conjunto com o fisioterapeuta e a equipe multidisciplinar, escolhem o cavalo ideal para a adequação postural corporal e orofacial, para os casos de hipotonia e hipertonia, sempre de acordo com os estudos para adequação de tônus muscular, com o passo ideal do animal.

O trabalho em equipe multidisciplinar em conjunto com os objetivos interdisciplinares do fonoaudiólogo com o fisioterapeuta é de muita relevância, pois as alterações posturais direcionam as funções neurovegetativas, contudo é importante a simetria para a organização e o desenvolvimento adequado do praticante nas sessões de equoterapia.

Iniciaremos com informações sobre a habilitação e a reabilitação pela função respiratória, desde que o praticante tenha passado por avaliação médica e tenha sido descartado qualquer impedimento mecânico para a respiração nasal.

Alguns exercícios iniciais estão relacionados a conscientização da existência do nariz e suas funções

1. Trabalho lúdico de identificação do esquema corporal em si e posteriormente no cavalo;

2. Propriocepção, onde o praticante sente através do tato (colocando suas mãos abaixo da narina do cavalo) e a expiração do mesmo. Nesse momento podemos ilustrar visualmente para a criança, com o uso do espelho nasal milimétrico de Glatzel. O ar que sai das narinas do cavalo, embaça o espelho;

3. Mudança da freqüência respiratória, estimulando a coordenação da inspiração e expiração nasal, com os lábios unidos, com a variação do passo e trote;

4. Abraçar o cavalo, nos ajuda no treino respiratório;

5. Deitar e relaxar no animal, permite a percepção da movimentação da musculatura diafragmática pelo praticante.

Após todo esse trabalho de conscientização, propriocepção, o profissional de fonoaudiologia poderá agregar as sessões de equoterapia em outros exercícios para o trabalho da função respiratória do tipo nasal e do modo diafragmático.

O trabalho do fonoaudiólogo na equoterapia é bem amplo e complexo e associa muitas vezes o benefício advindo do movimento cinesioterapêutico do passo do cavalo na habilitação e reabilitação das funções neurovegetativas, motricidade oral, linguagem oral, voz, entre outros.

Até a próxima,

Eliane Baatsch

Essas informações são direcionadas por Andrea Ribeiro e reescritas pela colunista Eliane Cristina Baatsch.

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