Coronavírus: a equoterapia e as dificuldades por causa da quarentena

Centros de equoterapia passam por dificuldades em decorrência do Covid-19.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Um menino está montado no cavalo. Ele está com os braços abertos. Ao lado do cavalo tem duas profissionais de equoterapia. Fim da descrição.
Centros de equoterapia passam por dificuldades por conta do Covid-19 (Foto: Divulgação)

Resolvi reescrever essa coluna porque estamos por um verdadeiro momento atípico com muitas dificuldades financeiras, com a equipe de profissionais, cavalos e os nossos assistidos.

Os nossos usuários na equoterapia são do grupo de risco e estão em isolamento social para proteção da Covid-19, sendo assim também sofrendo as consequências dessa pandemia, afinal alguém já pensou na alteração da rotina de um TEA – Transtorno do Espectro do Autismo que precisa ficar o tempo todo dentro da sua residência… e os quadros motores que necessitam da equoterapia, habilitação e reabilitação, para a manutenção da qualidade de vida…

Muitos centros de equoterapia estão enfrentando a Pandemia do Covid-19 e nesse momento é necessária a prevenção da equipe, praticantes e familiares.

Os centros de equoterapia estão passando por dificuldades econômicas e financeiras, como se diz o ditado: ‘O cavalo come’, mas ele também não só come, precisa de ferrageamento, cuidados veterinários, entre outros.

A equipe também precisa do seu sustento, a maioria é autônomo e necessita dos atendimentos na equoterapia para o seu pilar financeiro.

Alguns centros de equoterapia tiveram os seus contratos suspensos e diminuídos em sua porcentagem, dificultando o repasse financeiro. Outros centros que vivem de doações e apadrinhamentos já não estão recebendo mais devido a crise financeira que estabelece. E as equoterapias que atendem em particular os seus praticantes também não estão atendendo,
porque as famílias finalizaram os seus contratos e esperando todo esse processo da pandemia e econômico passar.

Existe a manutenção do local, alguns pagam aluguel, trabalhar com cavalo é uma mão de obra grande, não dá para atuar em home office, são seres vivos que precisam de cuidados constantes. Capim, feno, ração, serragem, água, entre outros.

Os centros de equoterapia que estão em capitais com maior índice da pandemia, se encontram em isolamento social, contudo sabemos que o vírus é invisível e somos exponentes.

Com a suspensão dos atendimentos as pessoas com deficiência vivem uma situação complicada no processo de habilitação e reabilitação, afinal não são luxos ou vaidades, é uma necessidade de qualidade de vida com longo prazo de tempo.

Segundo a psicóloga Michele Aparecida Menegon, a maior dificuldade para os quadros comportamentais é a perda da rotina. Michele ressalta que vem atendendo as famílias por videoconferência e vem se adaptando a nova rotina em convênios de saúde.

Gizuoni Figueiredo de Jesus, psicóloga, orienta as pessoas com deficiência e ou familiares não só para os quadros motores, mas aos quadros comportamentais e cognitivos o estabelecimento de rotinas nas AVDs (Atividades de Vida Diária) ao qual adaptadas a patologia consigam inserir a pessoa com deficiência nas atividades em uma rotina.

A psicopedagoga Gisele da Costa Nunes, ressalta que a falta de atendimento aos quadros comportamentais resultam em desorganização trazendo à tona comportamentos como estereotipias (TEA), ansiedade e rupturas na estimulação cognitiva.

A fisioterapeuta Danielly Santos Xavier, afirma que “vida é movimento” e a falta de atendimento na equoterapia para os quadros motores compromete a falta de função motora do usuário, diminuição da mobilidade, diminuição da amplitude de movimento, força muscular e perda de tônus muscular. Também reforça a nova readaptação aos atendimentos na equoterapia quando houver o retorno dos usuários.

Iran José Prandi é fisioterapeuta, atua na equoterapia e coloca que a falta de atendimento para a pessoa com deficiência pode comprometer o alcance dos objetivos desenvolvidos, pois percorremos todo um sistema neurofisiológico, temos sequências de estimulações, trabalho muscular ativo e passivo, sendo assim os objetivos ficarão estacionados, praticantes não terão o estímulo cinésioterapêutico da andadura do cavalo. Podendo ocorrer aos quadros motores perda de massa muscular, alteração de reflexos, acúmulo de secreção pulmonar, déficit de digestão e todo o processo de eliminação de alimentos, retrocesso de mecanismos e funcionalidade. Reafirma o cuidado com a postura.

Segundo Vanessa Grace fisioterapeuta atuando em equoterapia, o corpo humano foi projetado para o movimento, quando não fazemos nenhum exercício físico ou há necessidade de interromper os estímulos abruptamente, deixamos de promover e desenvolver os diversos sistemas corporais, tais como: cardiorrespiratório, musculoesquelético, sensorial e nervoso.

Observamos perdas na redução da força muscular global, déficits de equilíbrio, dificuldades de coordenação motora e posturas inadequadas. É importante enfocar que muitas famílias procuram os seus fisioterapeutas para realizarem o exercício em casa, sendo assim é necessária muita cautela, pois um exercício errado pode causar uma lesão ou problema posterior.

Covid-19 – Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China. Provoca a doença chamada de coronavírus (Covid-19). A maioria das pessoas se infectam com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1. A pandemia iniciou na China, tem se espalhado no mundo e agora no Brasil também. (Ministério da Saúde)

Como realizar a prevenção nos centros de equoterapia?

A equoterapeuta Eliane durante trabalho na hípica (Foto: Divulgação)

Segundo as orientações de cada governo, parcerias e convênios, alguns centros de equoterapia já suspenderam os seus atendimentos e outros continuam atendendo com prevenção e orientação às famílias das pessoas com deficiência.

Nosso trabalho da equoterapia é com contato direto e manuseio da pessoa com deficiência, sendo assim temos contato com secreções, saliva, roupas, mãos, espirros, entre outros. Vale ressaltar que a transmissão é fácil e precisamos tomar o cuidado redobrado. Mesmo que seja uma ambiente aberto, é propício as transmissões devido ao contato direto, necessitando de orientações e prevenções.

Seguem algumas orientações de prevenção aos centros que não tiveram suas atividades suspensas:

1. Orientação às famílias sobre o Covid-19, uma vez que muitas são leigas de informações e existem fakes e inverdades sobre a transmissão. Contudo sobre a importância da higiene e manter-se afastados de aglomerações;
2. Avaliar com a equipe os casos diagnósticos de maior vulnerabilidade em saúde para a manutenção do atendimento, como casos motores graves, cardíacos, diabéticos e respiratórios;
3. Evitar a alimentação do cavalo pelo praticante sem higienização;
4. Proporcionar higienização constante das mãos da equipe, praticantes, entre outros locais que forem necessário com álcool em gel ou água e sabão;
5. Higienizar mantas, cilhões, rédeas, capacetes, entre outros equipamentos após cada atendimento na equoterapia, evitando mantas de tecido ou colocando alguma forragem para melhor higiene;
6. Buscar informações antes do atendimento se o praticante ou familiar da pessoa com deficiência se encontra com algum sintoma voltado a transmissão do vírus, como tosse, febre, entre outros. E se o praticante ou a família tiver com algum sintoma característicos, não atender;
7. Utilização de materiais de segurança como máscaras e óculos de proteção, porque todos nós sabemos na equoterapia que secreções dos praticantes como espirros e corizas são constantes no nosso atendimento e temos contato direto com esses sintomas, até mesmo nos casos de sialorréia;
8. O equoterapeuta assim que chegar em sua residência já colocar sua roupa e material de equitação para higienização;
9. Usar materiais descartáveis de uso coletivo.

Na dúvida, não atenda, precisamos preservar a vida humana!

Com contribuição dos profissionais da equipe
de equoterapia da Hípica Santa Terezinha.

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