Jovens com síndrome de Down se casam em Belo Horizonte

Rodrigo e Vanessa são o primeiro casal mineiro com síndrome de Down a oficializar a união matrimonial.

Descrição da imagem #PraCegoVer: O casal Rodrigo e Vanessa, durante ensaio fotográfico para o casamento. Eles são jovens e têm síndrome de Down. Fim da descricão.
O casal Rodrigo e Vanessa durante ensaio fotográfico (Foto: Divulgação)

A noite de sábado foi mais que especial para o casal Rodrigo Gomes Morais e Vanessa Salgado Ribeiro Melo. Isso porque os jovems, que tem síndrome de Down, se casaram na Basílica do Santo Cura D’Ars, no bairro Prado, em Belo Horizonte (MG).

Rodrigo e Vanessa são o primeiro casal mineiro com síndrome de Down a oficializar a união matrimonial. O casamento sela um amor que começou em 1999, quando eles ainda eram crianças.

O noivo trabalha como recepcionista em uma construtora, emprego conseguido pelo projeto Talento Apoiado, promovido pelo Instituto Mano Down, que há oito anos trabalha em prol do desenvolvimento e autonomia de pessoas com a T21. A noiva é educanda da instituição, onde participa de diversas oficinas culturais, esportivas e de autonomia e está recebendo aulas intensivas de culinária para ter mais independência em sua nova fase de vida.

A coordenadora de desenvolvimento do Instituto, Lídia Lopes, lembra que a Lei Brasileira de Inclusão passou por avanços em relação à antiga burocracia e hoje garante mais autonomia para que as pessoas com Down façam as suas escolhas. “O Mano Down trabalha para dar voz a estas pessoas, potencializando esta autonomia para que sejam independentes e reconhecidas como capazes. Vejo o casamento do Rodrigo e da Vanessa como uma conquista para a sociedade”, argumenta.

Herculina Gomes Santos, mãe de Rodrigo, seu único filho, criado sozinho por ela, se diz muito feliz por este momento. “É uma grandeza em minha vida ver o meu filho se casando. Tudo o que pedi a Deus foi pela saúde do Rodrigo e recebi muitas vezes mais do que isso.” Para Valéria Ribeiro Salgado Melo, mãe de Vanessa, o importante é a realização pessoal do casal. “Como pais estamos felizes, pois nossa alegria é ver a felicidade deles. Cada sorriso da Vanessa quando está junto do Rodrigo supera qualquer coisa”.

O casal inicialmente irá morar com a família da Vanessa para melhor se adaptar ao novo momento e aprender as tarefas de rotina de uma casa. Depois, possivelmente, irão morar sozinhos.

A história dos noivos

Descrição da imagem #PraCegoVer: O casal Rodrigo e Vanessa, durante a cerimônia de casamento. Eles são jovens e têm síndrome de Down. Fim da descricão.
Eles são o primeiro casal mineiro com síndrome de Down a oficializar a união (Foto: Divulgação)

Rodrigo e Vanessa se conhecem desde criança e foi ele quem pediu aos pais dela para namorarem, quando tinha apenas oito anos. A mãe, Valéria, prometeu que deixaria quando eles crescessem. Mas, na escola que os dois frequentavam, a professora, uma espécie de fada-madrinha, ‘permitiu’ que eles namorassem. Rodrigo, sempre muito romântico, costumava pedir à mãe para comprar flores e outros presentes para sua Vanessinha nas datas comemorativas como no Dia dos Namorados e no aniversário dela.

Por cinco anos eles ficaram separados, quando a Vanessa foi estudar em outra escola. Mas, em 2013, se reencontraram e sem se esquecer da promessa da sogra, ele repetiu o pedido e foi então atendido. Assim, voltaram a namorar e, em 2014, ficaram noivos.

Sobre o Instituto Mano Down

O Instituto Mano Down nasceu em 2010, para suprir uma grande lacuna que existia no atendimento integral às pessoas com síndrome de Down e seus familiares. Criado por Leonardo Gontijo, que é irmão de Eduardo Gontijo, o Dudu, que possui a síndrome de Down. O Instituto, com sede no bairro Alto Barroca, Rua Japão 180, em Belo Horizonte (MG), é um espaço para atividades artísticas, para disseminação de informações, debates, acolhimento das famílias e visibilidade social das pessoas com deficiência.

Em uma casa projetada especialmente para as suas atividades, o Instituto Mano Down oferece aulas de slackline, teatro, culinária, dança de salão, artes, canto, fotografia, yoga, musicalização, treinamento funcional, zumba, capoeira, além de vivências completas, tais como atividades cotidianas guiadas, voltadas para a autonomia das pessoas com a síndrome de Down. A casa oferece também atendimento completo de saúde com profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia. Integrado às demais atividades, o atendimento possibilita o desenvolvimento potencializado das pessoas com deficiência intelectual.

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