Os desafios da equoterapia realizada com parceria governamental

Desafios da equoterapia envolvem dependência de recursos públicos.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Picadeiro da Hípica Santa Terezinha. Vemos, em primeiro plano, uma cadeira de rodas, e ao fundo, as pessoas durante a sessão no cavalo. Fim da descrição.
Desafios envolvem manutenção dos atendimentos mesmo frente às adversidades (Foto: Cesar Greco)

A maioria dos centros de equoterapia são associações, ONGs e ou instituições sem fins lucrativos e visam o atendimento gratuito para pessoas com deficiência, com parceria governamental, apadrinhamentos e outros recursos para o pagamento dos custos.

Sabemos que as pessoas com deficiência apresentam muitos custos devido ao quadro patológico e pagar uma tratamento como a equoterapia, que tem um custo alto, não é fácil.

Da mesma forma, o próprio centro de equoterapia não consegue custear a gratuidade nos atendimentos, devido às dificuldades de todo o contexto, da manutenção do local, do custo dos profissionais e dos cavalos.

O cavalo come, precisa de cuidados veterinários e ferrageamento, além do centro equoterápico, que precisa angariar com os custos do local, manutenção e profissionais especialistas. Afinal, equoterapia não é só o montar no cavalo como se fosse um passeio.

Equoterapia com parceria governamental

Podemos dizer que é uma saga cadastrar o centro de equoterapia a um órgão do governo para participar do processo licitatório dos convênios, prestação de serviços e carta-convite, entre outras formas de parcerias.

A dificuldade inicial, que todos os centros de equoterapia passam, é fazer com que o governo entenda o que é o serviço e, principalmente, o respeito às informações técnicas do serviço, pois não se aprende equoterapia no Google e a equoterapia não pode ser comparada ou relacionada as outras terapias, escolas, instituições, porque se tem a indicação e a contraindicação. Como o cavalo não pode ser considerado um robô e a equoterapia um milagre. 

A equoterapia é um projeto fascinante, sem dúvida. Mas, às vezes, a prefeitura está com boa vontade e quer o projeto, mas as tramitações têm  morosidade e processos que precisam serem respeitados. Até mesmo se necessário uma regulamentação de lei no município. 

Se a instituição é irregular em suas declarações e certificados, entre outras situações, não conseguirá participar desse processo da contratação, licitação ou convênio. E isso não é culpa do governo.

São inúmeros processos, precisa ter paciência e perseverança, entretanto ocorrerão vários percursos, aonde o governo precisa entender o funcionamento do trabalho, adequar esse projeto dentro de uma secretaria que estabeleça esse tipo de modalidade de intervenção para regularização de todo o contexto técnico e ainda muitas explicações sobre o serviço e sua elegibilidade técnica.

Encontros e desencontros

Além da informação técnica constante para que os órgãos compreendam as indicações, contraindicações e que equoterapia é uma intervenção de muita responsabilidade técnica, é preciso passar ainda pelo processo licitatório, que pode durar mais de um ano. 

É preciso ter perseverança, paciência, ajustes e muita luta. Mas, uma vez conquistada a parceria e o convênio, começam outras situações, como a indicação da pessoa com deficiência para o preenchimento da vaga na equoterapia por encaminhamento da contratante.

O médico avalia o estado de saúde e a equipe especialista da equoterapia realiza a triagem para a elegibilidade no tratamento. As famílias e as pessoas com deficiência ficam empolgadas pelas vagas, porém, na primeira dificuldade se instala, quem é indicado ou contraindicado para a intervenção terapêutica.

A prefeitura entende que o usuário precisa ser assistido pelo serviço por critérios sociais e políticos, contudo os equoterapeutas como especialistas e profissionais habilitados entendem sobre o risco da elegibilidade daquele caso, sendo assim se o risco é maior que o benefício, o especialista precisa ser respeitado e o caso ser tratado com ética.

Infelizmente, essa é uma realidade apresentada em muitos centros de equoterapia, bem como a dificuldade de compreensão sobre o serviço e os seus riscos. Faz se necessário um diálogo e a formação constante com as equipes de governo e as famílias para um trabalho parceiro e não oprimido. E, é bom deixar claro que isso nem sempre vai dar certo.

Outra dificuldade envolve a prestação de contas. Se o centro de equoterapia não estiver em dia com as suas obrigações na prestação de contas, não recebe. Principalmente, quando é convênio que o custo precisa ser absolutamente embutido no plano de trabalho e o orçamento. Não adianta contestar nas redes sociais, na imprensa, gritar aos quatro cantos, se não estiver cumprindo com a obrigação corretamente.

Quantas dificuldades! Existe também aqueles centros de equoterapia que estão adequados em suas organizações, mas a verba atrasa. O que fazer?

O centro de equoterapia, como qualquer outra instituição, não deve se manter, em caráter único e exclusivo do governo. É preciso contar com recursos próprios advindos de outras parcerias, eventos e até atendimentos particulares, pois só depender da verba pública pode ser um problema.

Existem municípios que oferecem o serviço de atendimento na equoterapia por uma ano e assumem a responsabilidade desse desligamento, outros utilizam o critério técnico e outros elegem critérios próprios da continuidade do serviço.

Ressalto que alguns centros de equoterapia não realizam parceria com o governo, porque não aceitam determinados critérios colocados para o atendimento, procurando angariar verbas e recursos próprios em outra forma.

Fácil, não é! São desafios constantes, busca do atendimento de qualidade e sonhos! Tudo precisa ser avaliado e verificado nos objetivos da instituição.

Portal Acesse

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