A equoterapia e a inclusão escolar

Entenda como a equoterapia pode auxiliar no processo de inclusão escolar de pessoas com deficiência, síndromes e transtornos.

Descrição da imagem #PraCegoVer: A equipe de equoterapia durante o atendimento de pacientes com deficiência. Na imagem vemos dois cavalos, um branco e um marrom. Ambos estão em atendimento. Fim da descrição.
Atendimento da equipe de equoterapia da Hípica Santa Terezinha (Foto: Cesar Greco)

equoterapia também é uma intervenção terapêutica que pode auxiliar na inclusão escolar de pessoas com deficiência, síndromes e transtornos. Mas, como uma metodologia ao qual se utiliza o cavalo numa abordagem terapêutica pode auxiliar o processo de inclusão escolar?

Equoterapia e inclusão escolar

Muitos pensam que a equoterapia só é utilizada para os quadros motores, para melhora na adequação de tônus muscular, equilíbrio, marcha, coordenação motora, controle de tronco, controle cervical, entretanto além desses benefícios que são contemplados na área motora para as pessoas com déficit motor, físico e-ou sensorial, essa intervenção também é indicada para quadros cognitivos e comportamentais.

Lembrando que a pessoa com deficiência precisa ser vista em seu desenvolvimento global, não só no aspecto físico, separado do cognitivo ou comportamental.

O auxílio da equoterapia no processo de inclusão escolar não é alfabetizar no cavalo e muito menos substituir a sala de aula, portanto contribuir com o alcance de objetivos que melhorem o processo de inclusão escolar do aluno seja da rede municipal, estadual ou particular de ensino.

Para os quadros cognitivos são aplicados exercícios direcionados à aprendizagem com materiais pedagógicos e adaptados, mas cada pessoa tem o seu processo de desenvolvimento decorrente de sua patologia.

Além do benefício que pode ser proporcionado através dos objetivos terapêuticos, interdisciplinares e transdisciplinares juntamente com os escolares e institucionais. A equoterapia proporciona estímulos de neurotransmissores que podem facilitar no processo de estabilidade no comportamento como a serotonina (neurotransmissor da felicidade, responsável pelo bom humor e o bem-estar, podendo ser ativado através de exercícios físicos); a dopamina (neurotransmissor responsável por vários sentimentos, como mudança de humor, cognição, aprendizagem, concentração, memória, motivação) nesse caso é ativada através da prática da atividade física e da mente auxiliando na elevação da noradrenalina e serotonina. A regulação da dopamina é muito importante para os transtornos, depressão e a esquizofrenia; e a ocitocina (hormônio produzido pelo cérebro conhecido como hormônio do amor, com o papel de estabilidade de humor, interação social, socialização, diminuição da ansiedade e da agressividade).

Os neurotransmissores podem ser ativados a partir dos exercícios físicos e a relação com o cavalo, sendo um vínculo afetivo de amizade recíproca.

O cavalo é um animal que olha diretamente no olho do praticante de equoterapia, ocasionando uma relação imediata e organização da ativação dos neurotransmissores.

Quais os objetivos que conseguimos alcançar com a equoterapia no processo de inclusão escolar das pessoas com deficiência, transtornos ou síndromes: organização, diminuição da ansiedade, diminuição da agressividade, marcha, melhora da marcha, dissociação de cintura, comunicação, interação, socialização, equilíbrio, adequação de tônus muscular, atenção, concentração, memória, postura, coordenação motora, compensação de ombro, coordenação motora global, fina, grossa e viso motora, alongamento muscular, fortalecimento muscular, fortalecimento de membros inferiores e superiores, ritmo, fala, linguagem, deglutição, diminuição da sialorreia, aprendizagem cognitiva, aprendizagem motora, motivação, afetividade, amizade, controle cervical, controle de tronco, noção temporal, noção espacial, lateralidade, mobilidade de membros superiores e inferiores, entre outros.

Cada patologia é única e tem a sua triagem e direcionamento do prognóstico individual, traçado em seus objetivos.

A indicação é realizada pelo médico e depois realizará uma avaliação pela equipe de triagem para a verificação da possibilidade da inserção na intervenção terapêutica. A equoterapia não é somente montaria e outros objetivos também são alcançados com exercícios no solo, condução e cuidados com o animal da sessão decorrente das relações, vínculos e amizade.

Se o risco para o praticante for maior que o benefício, sendo este por quadro motor ou comportamental apresentado precisa ser avaliada a indicação.

A inclusão escolar só acontece quando a burocracia é menor que a vontade de incluir, sendo assim o aluno com deficiência e-ou necessidades educacionais especiais é inserido dentro do contexto arquitetônico, funcional, estrutural, organizacional, das instituições educacionais e familiares que devem trabalhar em parceria constante e nunca unilateral ou jogando a responsabilidade para outrem. Esse aluno é da unidade escolar e não somente do professor ou profissional de apoio.

Nem sempre um aluno com uma deficiência intelectual severa irá para a escola unicamente para ser alfabetizado, porque para o processo de aprendizagem cognitiva se estabelecer necessita de vários estímulos, maturação neuronal e dependendo da lesão e o seu local a dificuldade do processo de aprendizagem será grande, porém tem outros objetivos importantes biopsicossociais proporcionados através da inclusão escolar.

Existem patologias mais difíceis de serem inclusas decorrente do quadro motor ou comportamental apresentado, por isso a família e a escola precisam serem parceiras umas das outras, terem ciência dessas especificações.

“A inclusão escolar ainda é uma incógnita, não tem receita pronta, mas pode ser facilitada pelas intervenções terapêuticas como a equoterapia”

Portal Acesse

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