Inclusão escolar na rede pública de ensino: mitos, desafios e realidade

Será que a inclusão escolar depende só do professor da rede pública?

Descrição da imagem #PraCegoVer: Um jovem, com síndrome de Down, está acompanhado de seus pais. Eles estão abraçados. O jovem está no meio do casal. Todos estão sorrindo. Ao fundo, vemos uma área verde. Fim da descrição.
Os desafios da educação inclusiva vão além da sala de aula (Foto: Nathan Anderson / Unsplash)

Muito tenho presenciado a culpa direcionada ao professor pelo insucesso da inclusão escolar. Mas, será que a inclusão escolar depende só do professor da rede pública de ensino ou de todo um contexto?

Tenho vivenciado, em quase todos os congressos e cursos que participo, opiniões da população em um debate muito amplo sobre a inclusão escolar. Na maioria das vezes, críticas severas caindo no colo do professor sobre a falta de formação apropriada para a aprendizagem das patologias e o enfoque de didáticas, metodologias aplicadas em sala de aula que não trazem a efetivação do nível de acompanhamento da pessoa com deficiência na aprendizagem com os demais alunos inseridos dentro do contexto da sala de aula.

Mas, será que a inclusão escolar é igual a receita de bolo, aonde a culpa é somente do professor que não soube reproduzir a receita causando o insucesso de todo o sistema? Tá aí uma discussão interessante!

A formação do professor é importante. Às vezes, a falta de conhecimento sobre as diversas  patologias, de como acontece aprendizagem neuronal no aspecto neurobiológico, maturação cognitiva, o conhecimento de como acontece as interações medicamentosas e suas associações com as reações do organismo, o enquadramento de suas ações e as lesões cerebrais com suas modificações motoras, cognitivas, emocionais e comportamentais, podem sim deixar algumas informações avulsas de conhecimentos sobre de como acontece o processo de aprendizagem para modificar suas metodologias.

Entretanto, também temos a consciência de que esse conhecimento faz parte de outras áreas de formações profissionais  aos quais não são direcionadas ao professor em sua formação acadêmica, a não ser que esse posteriormente realize um estudo específico para aprofundar-se na área da saúde ou neurociências, mas isso demanda do objetivo de segmento de estudo que o mesmo pretende realizar para sua formação, sendo optativo e pessoal.

Quantas patologias existem? Com certeza, são inúmeras. Até os médicos desconhecem todas, afinal ninguém é dono do conhecimento absoluto. Se existisse alguma profissão ao qual sua modalidade implicasse no conhecimento absoluto, muitas patologias seriam curadas e a inclusão escolar com o auxílio do médico, professor, terapeutas, famílias e demais profissionais, seria o verdadeiro sucesso absoluto.

Escuto muito: “o professor não sabe trabalhar com a pessoa com deficiência. Nós trabalhamos com o paciente e quando chega no professor, esse não faz nada. O meu filho não se alfabetizou por culpa do professor”.

No consultório, o paciente é atendido individualmente e fica o tempo de acordo com o tratamento, escuta da família, avaliação, traçamento do prognóstico e a intervenção terapêutica. Mesmo assim sabemos que as patologias são um desafio e é um trabalho a longo prazo, fechar diagnóstico, exames, se precisar de medicação – ajustes até a efetivação do sucesso da química entrar como auxílio a patologia, desenvolvimento de resultados após as intervenções terapêuticas, várias consultas médicas com a avaliação de exames e dependendo de todo o contexto, patologia o trabalho também é paliativo e de manutenção.

Inclusão escolar na escola pública

Voltando ao contexto escolar público, lembramos que o professor não assiste só a pessoa com deficiência na sala de aula, mas com esse outros 30, ou até 39 alunos, juntamente na sala de aula, então vale a pena lembrar que o professor assiste vários alunos em seu contexto na rede pública, entre esses pessoa com deficiência com laudo, pessoas com hipóteses de deficiências em investigação, pessoas com deficiência com hipóteses sem investigação, alunos com alterações comportamentais, alunos problemáticos devido a vulnerabilidade social com e sem parceria da família e alunos com vários níveis de aprendizagens diferentes devido a promoção da lei da progressão continuada.

Além de toda a dificuldade de uma estrutura arquitetônica, transporte, acessibilidade, mobilidade, material e funcional para a efetividade de toda a inclusão escolar.

Está faltando isso ou aquilo na escola pública, mas sabemos que para se resolver desde um cuidador, arquitetura, material adaptativo, depende de um processo longo dentro do município, envolvendo chamamento público para vagas, materiais, transporte e até adaptações arquitetônicas. Não se resolve do dia para noite e nem sempre é falta de vontade do professor ou gestor da unidade escolar.

Como eu disse, não tem receita! Porque cada pessoa com deficiência é única em sua patologia, lesão, cognitivamente, fisicamente e algumas ainda apresentam comorbidades. Cada pessoa com deficiência passa por um tratamento, médico e intervenções terapêuticas diferentes.

A inclusão escolar começa com a parceria da família e a ciência do tipo de lesão que seu filho apresenta, sabendo – se que o alcance da alfabetização ou do processo de aprendizagem pode ser imediato, a longo prazo ou uma inclusão escolar paliativa como convivência dependendo da patologia e o diagnóstico severo apresentado. Mas entre esses a clareza que essas interações, socializações, comunicações, relações interpessoais podem contribuir com objetivos importantes na convivência e formação da pessoa com deficiência.

A pessoa com deficiência não é só de responsabilidade do professor na escola, mas da família, do governo, do sistema, do diretor, do coordenador, da escola, do agente de apoio e de todos os profissionais. Até o auxílio do médico e de outros profissionais especializados podem fazer a diferença na inclusão escolar. Não só apontamentos ou críticas. Mas se cada profissional e família dentro da sua particularidade e parceria realizar essa integração, a diferença pode ser feita.

Não podemos confundir na escola que as pessoas com deficiência por apresentarem patologias, não precisem de regras de conduta e convivência, precisam sim e têm direitos. Direito de ser inserido nas atividades, de ficarem nas salas de aula, de adaptações nos materiais, adaptações alimentares (quando necessário), atividades e escola, de participar da educação física (desde que não tenha contraindicações médicas). E até mesmo de um profissional de apoio quando necessário.

O professor precisa de auxílio e parceria, como também não pode sofrer a culpa por todo um sistema. Neste momento não pode ficar sozinho. Precisa de apoio funcional, dos médicos, dos profissionais de saúde, do sistema de ensino e a parceria da família.

O professor não pode apresentar resistência, pois o mesmo tem sua docência inserida dentro da legislação do cargo que ocupa, o bom senso pode ser aplicado para o avanço e o desenvolvimento da pessoa com deficiência no contexto escolar.

Também discordo que o aluno fique andando avulso pelos espaços da escola sem regras e direcionamentos pedagógico, barganha (recompensa), este de fato precisa ser organizado e dependendo do comprometimento que oscile o comportamento, é imprescindível o apoio e parceria da família.

Em relação à alfabetização e o processo de ensino aprendizagem de acordo com as necessidades educacionais apresentadas pela pessoa com deficiência, depende de todo contexto neurobiológico, estimulador e o processo de desenvolvimento que às vezes é de longo prazo.

A inclusão escolar não depende só do professor!

Portal Acesse

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