Os desafios e conquistas na educação de crianças com autismo

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma menina está sentada em uma mesa, usando um tablet. Ela tem aproximadamente 5 anos, tem pele branca e cabelos loiros. A menina usa uma blusa verde clara. Fim da descrição.
Confira as dicas para promover a inclusão educacional de crianças com autismo (Foto: Unsplash)

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por alterações ou atrasos nos principais domínios do neurodesenvolvimento: sócio afetivo, linguagem verbal e não verbal e atenção compartilhada. Frequentemente diagnosticadas após os três anos de idade, essas características podem ser percebidas dentro e fora de casa. Mas, quais são os desafios na educação de crianças com autismo?

Muitas vezes, os educadores são os primeiros a sinalizarem o atraso na fala, que frequentemente se associa às dificuldades nos contatos sociais. Ficar atento às observações dos professores pode ser o primeiro passo para buscar o auxílio especializado e iniciar o tratamento correto o quanto antes.

 

Educação de crianças com autismo

A médica geneticista e neuropediatra, Iara Brandão, afirma que, nestes casos, a frase ‘cada criança tem seu tempo’ não se aplica para o neurodesenvolvimento, no qual existe um tempo esperado para comportamentos e atividades de cada idade.

“Não se pode deixar passar a abordagem precoce para intervir com o tratamento correto. A neurologia infantil conhece esse tempo e o exame clínico neurológico precoce pode proporcionar o diagnóstico em tempo hábil, procurando associações e condições médicas que estejam atrasando esta etapa”, alerta a doutora.

Ainda segundo a especialista, o diagnóstico do TEA se baseia em diferentes testes clínicos realizados através de um olhar multiprofissional, já que as conclusões podem apontar outras condições médicas ou psiquiátricas em associação com o TEA. A análise comportamental é o foco dos protocolos clínicos padronizados internacionalmente, além da investigação da linguagem verbal, abordagens educacionais, entre outros.

 

Tipos de autismo

Autismo clássico: Evitam contatos sociais e não usam a fala como meio de comunicação. Frequentemente apresentam movimentos estereotipados, podendo ou não apresentar comprometimento intelectual;

Síndrome de Asperger: Autismo de alto-desempenho, em que o paciente é verbal e apresenta inteligência preservada, quanto menos dificuldade de interação social, mais perto da função social adequada estarão estes pacientes;

Distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação: É o diagnóstico mais difícil, pois não possuem sintomas do TEA suficientes para classificá-los em uma categoria específica;

 

O autismo na escola

No ambiente escolar a criança com autismo apresenta dificuldade na interação social e na comunicação verbal. Muitas vezes são consideradas tímidas e possuem um comportamento emocional caracterizado pela evitação. Estudos indicam que crianças com autismo estão três vezes mais suscetíveis a sofrerem bullying, comparados a outras crianças, assim, os pais e educadores devem ficar atentos aos sinais.

Além disso, estas crianças com TEA possuem dificuldades em permanecer em certos ambientes, como locais com muita luminosidade, muito barulho, e que tenham um apelo visual muito forte, que são considerados pela especialista como elementos distratores.

“Os autistas têm alterações neurosensoriais que geram dificuldades em se adaptarem aos ambientes distratores. São crianças que têm dificuldade em suportar um estímulo auditivo e visual ao mesmo tempo, o que é muito frequente no ambiente escolar”, diz.

Ainda existem mitos sobre o desenvolvimento intelectual da criança com autismo. Apesar de serem classificadas como Asperger, algumas crianças não apresentem dificuldades de comunicação verbal, no entanto, vivem o mesmo processo de isolamento e comportamento repetitivo, assim, são bem objetivos, mas não necessariamente isso está relacionado a uma melhor capacidade de sintetização do conteúdo ministrado em sala de aula.

“Há quem diga que todo autista é superdotado de inteligência, e isso não é verdade. Sabemos que grande parcela das crianças com espectro autista pode apresentar deficiência intelectual, e aí eles têm um pensamento concreto e que foge da questão de inteligência preservada”, afirma a doutora Iara.

O ideal é que a criança com autismo siga sua educação em uma escola regular, e não em escolas especiais. Entretanto, é necessário que esta escola tenha um espaço físico e pedagógico adequado para incluir o aluno, já que eles são hipersensíveis, em sua maioria, aos estímulos distratores, referidos anteriormente.

Outra forma de trabalhar com a educação inclusiva é mesclar o ensino regular com o adaptado no contraturno escolar, com o auxílio de um professor especializado que entenda a dinâmica, as necessidades da criança e estimule adequadamente seus canais sensoriais. Segundo a especialista, no Brasil e em outros países, inclusive os considerados desenvolvidos, ainda faltam investimentos neste tipo de profissional, transformando a educação inclusiva para crianças com autismo em um desafio muito grande para todos.

 

Confira 7 dicas para o professor de alunos com autismo

1. Seja flexível no sentido de auxiliar a criança à sua necessidade: Se percebeu que a criança possui sensibilidade acústica e visual, evite lugares muito barulhentos e com muitos estímulos visuais, respectivamente;

2. Estimule os canais de comunicação da criança: Se ela gosta de desenhar, comunique-se com ela dessa maneira, tente verbalizar o que o desenho significa;

3. Dê diretrizes objetivas e simples: Esta ação evita confusão nas tarefas, já que essas crianças tem um pensamento mais objetivo e focado;

4. Dê autonomia à criança: Procure não fazer as tarefas em seu lugar, dê a oportunidade dela executar as atividades;

5. Conquiste sua simpatia: Respeite seus vícios e hábitos e assim chegará cada vez mais próximo de uma comunicação efetiva;

6. Não seja inflexível com as atividades repetitivas: Faça questão de que ele não tenha comportamento repetitivo, mas trabalhe isso de forma amigável ao invés de ir de encontro às suas manias;

7. Elogie: Valorize uma atividade realizada de uma boa forma ou conforme o esperado.

 

A importância da família no processo

A família é pilar muito importante para a criança com autismo, já foi amplamente comprovado através de pesquisas que o convívio e estímulo à interação entre pais e filhos é essencial para o seu desenvolvimento, como para qualquer outra criança do universo. Os pais ou responsáveis devem estimular comportamentos menos restritivos, promover sua participação social respeitando seus aspectos de hipersensibilidade e não permitir que a criança se isole naturalmente.

Cada família deve compreender sua criança na maneira de interagir com o ambiente e na hora de realizar suas tarefas. Segundo a doutora Iara Brandão, crianças com autismo têm uma forma diferente de ser criança, e os familiares devem ser flexíveis com essa característica.

“Se esta criança tem ligação com apenas um tipo de brincadeira os pais devem brincar com ela desta forma, mas também devem dar espaço para outras opções de brincadeira, dando um simbolismo, um sentido para a nova atividade. Além disso, é preciso não reprimir o comportamento da criança o tempo inteiro, porque isso vai causar estresse e ansiedade. Se ela fizer algo considerado errado ao brincar, ao invés de dizer logo de cara ‘não faça isso!’, você deve participar da brincadeira desta forma e só depois mostra-la qual é o jeito certo de brincar”, finaliza.

 

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