Com atendimento em grupo terapêutico, conquistas e benefícios são coletivos

Quando bem feito, trabalho em grupo pode ter ótimos resultados e promover muito aprendizado.

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Várias mãos estão juntas, umas sobre as outras. Ao fundo vemos peças coloridas no formato de jogo da velha. Fim da descrição.
Fonoaudióloga aborda resultados alcançados em atendimentos em grupos terapêuticos (Foto: Pixabay)

Hoje gostaria de compartilhar com vocês a minha experiência com atendimento em grupos terapêuticos que realizo com crianças e adolescentes, em que conquistas e benefícios são coletivos.

Uma das experiências mais marcantes da minha trajetória profissional foi quando fiz atendimentos em grupo durante meu aprimoramento em Fonoaudiologia Clínica no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). O trabalho envolveu pacientes com dois perfis: grupos de voz para a reabilitação de queixas vocais em professores e grupo com respiradores orais.

 

Os benefícios do grupo terapêutico

Muitas vezes a formação de um grupo terapêutico é organizada pela necessidade de diminuir a fila de espera em serviços públicos. Mas suas vantagens vão muito além da agilidade no atendimento da demanda. Quando bem trabalhado, o grupo pode trazer muito aprendizado para quem procura e para quem direciona o atendimento.

Depois desta experiência, trabalhei em consultório particular e os atendimentos tornaram-se individuais por muitos anos. Mas, no ano passado, tive a oportunidade de retomar esta experiência com um grupo com dois adolescentes e um adulto, todos com algumas necessidades específicas, que traziam uma queixa em comum: a necessidade de ter amigos e não saírem apenas com os pais.

Fiz uma reunião com as famílias e demos início ao grupo. Estes pacientes são atendidos semanalmente de forma individual, suprindo as necessidades de cada um, e uma vez por mês, realizamos o grupo. Em cada reunião, um deles fica responsável por trazer o tema a ser trabalhado. Dentre as propostas, já abordamos os seguintes assuntos:

. compras em diferentes comércios –  para trabalhar a organização da fala, pagamento e troco do que foi comprado;

. o desejo e a opção de escolha do que se quer comprar – que muitas vezes são negados a eles;

. culinária – para o trabalho de planejamento, leitura e matemática;

. comparação de preços – para trabalho com quantidade, maior, menor e dinheiro;

. alimentação – para trabalho de mastigação correta e deglutição;

. jogos – para trabalho com regras, frustração do ganhar e perder, atenção e memória.

O objetivo do grupo tem sido atingido até o momento e os encontros continuam acontecendo mensalmente. Há troca de experiência entre eles sobre escola, trabalho e perspectivas de futuro. A partir do fortalecimento dos encontros e da confiança dos pais, que também recebem suporte e orientações, os adolescentes começaram a se encontrar fora do atendimento terapêutico e já tiveram experiências de chá da tarde na casa de um e churrasco na casa do outro, além de uma tarde na piscina na casa de um deles.

Além disso, eles já se encontraram no shopping e já foram em aniversários um do outro. Criamos também um grupo no aplicativo e diariamente fazemos trocas de mensagens orais e escritas.

É uma grande alegria permitir que eles possam interagir dentro de suas necessidades e desejos. Além disso, podem compartilhar suas experiências e suas rotinas com pessoas que os compreendem e os respeitam.

Um deles já está inserido o mercado de trabalho e tem trazido esperança de que a inclusão não é para alguns e sim para todos, e que ela não é para os primeiros anos de vida e sim, para a vida inteira.

 

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*Patricia C. Celestini é fonoaudióloga no consultório PKR Fonoaudiologia. Formada pela Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com aprimoramento em Fonoaudiologia Clínica pelo Hospital do Servidor Púbico Municipal de São Paulo (HSPM) e especialista em Distúrbios da Comunicação Oral e Escrita pela COGEAE/PUC-SP.

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