Os benefícios da equoterapia pós AVC

A importância da equoterapia no tratamento de pessoas que sofreram um AVC e as possibilidades de recuperação.

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Elaine, que sofreu um AVC, está montada em um cavalo branco. Ela está com os braços para cima, e sorri. Elaine usa uma blusa vermelha e uma calça preta. Ao seu lado está uma das profissionais da equipe de equoterapia. Fim da descrição.
Elaine realiza sessões semanais de equoterapia após sofrer um AVC (Foto: Divulgação)

Por: Eliane Baatsch*

Elaine Barbosa, de 33 anos, que teve um AVC há sete anos, realiza sessões semanais de equoterapia na Hípica Santa Terezinha. Neste período, ela percebeu muitas melhoras, graças à intervenção terapêutica. Melhoras estas que modificaram sua condição de saúde, autonomia e recuperação de movimentos, contudo a reconquista de muitas atividades sociais.

A vida de Elaine começou a mudar no dia 1º de novembro de 2011, quando ela teve um sangramento no nariz e procurou um médico que, após examiná-la, descartou a possibilidade de que algo grave estivesse acontecendo. No dia 7 de novembro, do mesmo ano, Elaine estava em casa, se arrumando para ir ao trabalho, quando desmaiou. Ao ser levada ao pronto socorro, ela recebeu a confirmação de que havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC).

O AVC se dá pelo comprometimento de alguma artéria cerebral quando há o rompimento de um vaso cerebral ocorrendo uma hemorragia. Esse processo pode ocasionar por pressão alta crônica, inflamação dos vasos sanguíneos, distúrbios de coagulação do sangue, ferimentos na cabeça ou no pescoço que comprometam vasos sanguíneos, tratamentos com radiação para câncer na cabeça ou pescoço, angiopatia amiloide cerebral, distúrbios de coagulação do sangue, vasculite, doenças das válvulas cardíacas, infarto agudo do miocárdio, entre outras causas.

Entre os fatores de risco, estão hipertensão, fibrilação atrial, diabetes, tabagismo, colesterol alto, uso pesado de álcool, sobrepeso ou obesidade, hereditariedade e sedentarismo.

Do acidente, Elaine teve sequelas. Ela não andava, não falava, era dependente nas atividades de vida diária, passou a usar cadeira de rodas, além de trocar sua rotina no escritório por uma série de terapias e intervenções médicas.

 

A importância da equoterapia pós AVC

Quando passou pela avaliação médica e triagem da equipe de equoterapia, foi constatado que a Elaine tinha déficit nos movimentos, usava cadeira de rodas, tinha um quadro de desequilíbrio com uma hemiparesia direita de pouca mobilidade.

A família estava bem ansiosa para a reabilitação da mesma, apontando a necessidade do desenvolvimento da Elaine, que obteve como feedback a elegibilidade na intervenção.

Partindo disso, Elaine começou a frequentar a equoterapia com assiduidade e participação nos exercícios propostos, evoluindo cada vez mais nos âmbitos dos recursos terapêuticos, resgatando os seus movimentos, sua autoconfiança e autoestima.

Pouco tempo depois que iniciou o tratamento, ela trocou a cadeira de rodas por um bengala, e três anos depois, ela já conquistou a independência na maioria de suas atividades, fala, resgatou a maioria dos movimentos, inclusive a escrita, melhorou na mobilidade da hemiparesia direita, realiza a marcha com autonomia, inclusive até dança forró.

“Tinha ouvido falar que a equoterapia era muito boa. Hoje em dia faço as minhas coisas sozinha, aprendi a escrever com a mão esquerda e aprendi a utilizar o meu lado sequelado”, conta Elaine.

O cavalo além de ser um amigo de Elaine proporcionou o resgate da sua vida  e quando falamos em resgate, não é algo tão simples, pois uma moça com 27 anos ao ver a sua vida modificar não é algo comum. Precisou resgatar desde os movimentos mais simples executados no seu corpo, quanto sua parte emocional e psicológica.

 

O cavalo na equoterapia

Mas, será que o cavalo pode auxiliar na reabilitação de uma pessoa na equoterapia de forma a melhorar o desenvolvimento no processo biopsicossocial? Sim!

O cavalo possui uma andadura semelhante à marcha humana, e quando ele está ao passo, ele simula a marcha humana, portanto o praticante desta intervenção terapêutica, no caso da Elaine que obteve a perda dos movimentos da marcha e mobilidade de membros superiores e inferiores com maior comprometimento do lado direito de seu corpo, ao montar no dorso do cavalo num posicionamento ao qual implique o posturamento no eixo gravitacional, consegue receber através da sua andadura e biomecânica o movimento tridimensional, para frente e trás, direita e esquerda, para cima e para baixo.

Esse movimento tridimensional simulador da marcha humana, transmite para o praticante estímulos cerebrais através do sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico informações importantes para a reabilitação. É como se o praticante estivesse andando e automaticamente com esse aprendizado cerebral, os estímulos vão se aperfeiçoando para que o mesmo execute futuramente a marcha, como adequação de tônus muscular, equilíbrio, controle cervical, controle de tronco, coordenação motora, estimulação sensorial, sendo que esses estímulos são direcionados pelo equoterapeuta de acordo com os objetivos do prognóstico direcionado para cada praticante.

No caso o prognóstico da Elaine não implicava deformidades de seus membros inferiores e superiores, portanto a reabilitação para o desenvolvimento da marcha era favorável.

Vale a pena ressaltar a importância de um profissional habilitado com a formação em equoterapia, equitação e na sua área de atuação para o bom resultado das sessões, contudo da intervenção terapêutica.

Embora o cavalo tenha sido citado no caso de Elaine como reabilitação motora, é importante informar que houve com o animal ao qual Elaine se reabilitou uma construção de amizade, confiança mútua, isto é reciprocidade. O animal aceitou Elaine e o vínculo se estabeleceu.

Existe uma relação de carinho, amizade, gratidão e ainda Elaine não esquece a cenoura de seu amigo no final das sessões de equoterapia. Afinal, Virtuoso Itapuã reconhece e espera por Elaine. Entre outros cavalos amigos aonde fez amizade nesse tempo na equoterapia, também esperam a cenoura de Elaine.

Como cito e repito: equoterapia não é só montaria!

Equoterapia apresenta resultados pertinentes na reabilitação das pessoas acometidas com AVC Hemorrágico.

 

“Embora o cavalo tenha uma andadura que simula a marcha humana, a reabilitação também acontece através da reciprocidade e da amizade. O cavalo é um amigo do praticante.”

 

 

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