Equoterapia: Relatos sobre a parceria entre o homem e o cavalo

Nossa especialista aborda a relação do praticante com o cavalo, na equoterapia.

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. A equoterapeuta Eliane está montada no cavalo Raio. Ele é um cavalo branco e Eliane é uma mulher morena, de pele clara e cabelos lisos, longos e castanhos. Fim da descrição.
Especialista esclarece como é a relação do homem com o cavalo na equoterapia (Foto: Augusto Moraes)

Quem nunca escutou a frase: “Gentileza gera gentileza”? Essa frase não é só utilizada nas relações humanas, complementando com a outra frase a explicação: “Toda ação leva a uma reação”. Mas, será que a força e o empoderamento do cavalo, em sua doma, técnicas de equitação e treinamento, são suficientes para garantir o sucesso na parceria entre o homem e o cavalo de equoterapia?

Evidente que não! Só a força, equipamentos e coerção não fazem com que o cavalo seja estruturado para o trabalho na equoterapia. Porque o cavalo de equoterapia também têm suas empatias, força muscular e precisa de um treinamento específico. Não é só a escolha do cavalo que é manso e aceita crianças ou tem um comportamento indiferente com barulhos e sons.

A equoterapia é um trabalho para o cavalo, portanto não é uma aposentadoria!

Cavalos com lesões, claudicações, quadros álgicos, assimetrias e comportamentos inadequados não são indicados para a equoterapia.

Este animal de equoterapia precisa estar saudável, ter uma idade média para ao qual seja possível apresentar saúde e comportamentos para a escolha do animal referido para a intervenção terapêutica.

Porque o cavalo que está no pasto se alimentando de capim, sal mineral e água, quando vai para a cocheira aonde é inserida a alimentação com suplemento de ração começa a ficar com mais energia e precisa ser trabalho constantemente. E não podemos classificar o cavalo devido a essa energia como inadequado para a equoterapia.

 

Cavalo de equoterapia

O cavalo de equoterapia precisa ter um perfil de comportamento com características de mansidão, mas todo cavalo com uma alimentação suplementada tende a ser mais ágil. E, para que ele atue na equoterapia, de forma adequada, existe um trabalho adequado de preparo do animal.

O estudo da morfologia do cavalo, sua biomecânica, comportamento, simetria e movimento cinésioterapêutico são importantes para a escolha do cavalo da equoterapia. O cavalo que apresenta dor, também tem oscilações comportamentais em posicionamentos, transposições e montarias em seu dorso.

Já escutei várias vezes coisas do tipo: “Detesto cavalo porque já levei um coice”, ou ainda: “O cavalo disparou comigo e eu acabei caindo, por isso tenho medo”. Mas, será que esses comportamentos ao qual o cavalo apresentou nesse momento, são de fato comportamentos inadequados?

Quem trabalha com cavalo, que nunca caiu ou levou um coice por causa de uma mosca, ou o cavalo ficou inúmeros dias na cocheira se alimentando de suplementação e queria gastar energias, por isso, saiu corcoveando no trajeto querendo correr.

Ou será que a pessoa aventurada a montar no cavalo com energia numa fazenda foi instruída de como seriam os comandos do cavalo, o que ele gosta ou não gosta, ou que esse estava dias com energia e não tinha sido montado ou trabalhado, ou até mesmo essa pessoa fez um comando que o cavalo não entendeu.

Muitas vezes, o cavalo tem adjetivos aos quais não pertencem a ele, como uma pessoa agressiva chamada de cavalo, uma pessoa com ideologias do senso comum sendo chamada de cavalo…enfim, mas o que é o cavalo?

 

O animal cavalo

Este animal de porte e força, grande, veloz, lindo, não pode levar adjetivos pelo senso comum ou ser vilão de vários comentários sóbrios devido ao comportamento que este executou por não entender um comando, por ser agredido, por retirar uma mosca que o picasse, por um aperto de um arreio que te beliscou, ou por dar pulos numa montaria por falta de trabalho ou felicidade, ou já estava apresentando desconforto de um arreamento inadequado, ou numa cavalgada estava observando um objeto, fenômeno da natureza ou situações atípicas que o estava deixando atento ou com medo, ou com dores e cansaço por uma grande cavalgada sem um devido trabalho de resistência e frequência cardíaca, ou um sobrepeso em seu dorso, ou um ferrageamento inadequado!

Ainda assim, esse ‘vilão’ é utilizado para fins terapêuticos, já que é considerado um animal amistoso, já que é capaz de estabelecer relações com o ser humano recíproco de confiança e, ao mesmo tempo, que é um animal de porte grande é um passarinho em seus cuidados. Quando não recebe cuidado adequado por seu dono e não assistido por um veterinário, pode morrer por uma cólica de uma dia para o outro.

Ter cavalo não significa só montá-lo, mas alimentá-lo adequadamente, fornecer o devido conforto no local de estabulagem, ferrageamento e ser assistido por um médico veterinário, só de amor e montaria o cavalo não sobrevive!

O cavalo come, precisa ser trabalhado, assistido adequadamente e receber assistência veterinária!

 

O cavalo na equoterapia

O cavalo da equoterapia precisa apresentar características específicas de saúde, porque na equoterapia não é aposentadoria do cavalo e sim um trabalho! Quando um animal se aposenta de fato, precisa estar em local de descanso e a equoterapia é uma modalidade de trabalho do cavalo!

Este animal precisa ser treinado, alimentado, não apresentar lesões, quadros álgicos, claudicações e gostar da equoterapia, pois têm animais que não se adaptam a transposições em seu dorso e apertos de perna, normalmente são animais que sofreram violência na sua história de vida ou até que por mais tempo de treinamento acabam se adaptando o confiando no ser humano novamente.

Um cavalo açoitado e maltratado em sua doma e na montaria vem com traumas e sequelas comportamentais e a culpa não é desse animal que se comporta assim, este foi mal trabalhado!

Quem acha que o cavalo de equoterapia não estabelece vínculos com a equipe, praticante, tratador e instrutor de equitação, está enganado! O cavalo estabelece vínculo de confiança sim! É recíproco aos afagos e o tratamento proporcionado a ele! Eu mesma não consigo conversar com ninguém quando estou perto do cavalo Raio, afinal são 20 anos de convivência, ele não deixa! Me chama o tempo todo e fica antenado no que estou fazendo. Para entrar no trailer então, um sufoco! Se eu aparecer no momento que entrou, ele sai!

Continuando a falar do Raio, quando entra com um atleta paraequestre e se eu entrar na pista no momento da reprise, ele não presta atenção em nada, a equipe praticamente me proíbe de ficar perto dele no momento da apresentação.

Amo o Raio, a equipe também, os praticantes, famílias, pessoas e todos no contexto da Hípica Santa Terezinha o amam. Alguns artistas já gravaram com o Raio, muitos querem levá-lo embora, já participou dos principais eventos no Brasil e tem uma linda carreira na equoterapia! Levá-lo embora nunca! Um amigo é para sempre!

“Amigo não se compra, se conquista! O cavalo de equoterapia é nosso amigo e amigo do praticante de equoterapia, e as relações vão além do trato e cuidado, mas de amizade, vínculo e gratidão! Gentileza gera gentileza!”

 

 

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