O trabalho do fisioterapeuta com o autismo na equoterapia

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Uma menina com autismo está interagindo com o cavalo, no setting de equoterapia. A menina está acompanhada de uma profissional. Fim da descrição.
Fisioterapeuta durante atendimento na equoterapia (Foto: Divulgação)

Por: Eliane Baatsch*

Quando olhamos uma pessoa com TEA – Transtorno do Espectro do Autismo dificilmente obtemos a percepção que o trabalho na área motora se faz necessário tanto quanto com o quadro cognitivo e-ou comportamental.

O autismo com suas peculiaridades características de dificuldades na interação, socialização, linguagem, comunicação, organização, controle da ansiedade, crises sensoriais, entre outras estereotipias vocálicas ou motoras, são mais visíveis no embasamento técnico de intervenção terapêutica voltada ao profissional da educação (cognitivo) e saúde (comportamento). Mas será que a equoterapia direcionada ao autismo com o fisioterapeuta demonstra resultados.

 

Equipe multidisciplinar de equoterapia para autismo 

Na equoterapia os atendimentos ocorrem com uma equipe multidisciplinar com objetivos interdisciplinares. É uma equipe multidisciplinar: áreas da educação, saúde e equitação. O profissional que se chama equoterapeuta é formado em sua área específica de atuação, pode ser o fisioterapeuta, fonoaudiólogo, profissional de educação física, pedagogo, psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, entre outros. Contudo, as sessões de equoterapia são elaboradas a partir de um prognóstico para a pessoa com deficiência e suas diversas patologias e associações. E nesse contexto são elaborados os objetivos interdisciplinares, que são objetivos traçados junto ao prognóstico de reabilitação ou habilitação do praticante (paciente) ao quais os profissionais indicam em comum.

Um objetivo focado na melhora da postura para uma pessoa com autismo, mesmo que o equoterapeuta na área de comportamento atue com os princípios de melhora na interação, socialização, controle da ansiedade, entre outros, ele precisa saber posturar de forma adequada o seu praticante no cavalo, principalmente se esse já apresentar um quadro escoliose e a postura é essencial para o não avanço da patologia, sendo assim podemos dizer que a postura é um objetivo interdisciplinar no prognóstico da pessoa com deficiência e precisa ser direcionada nas sessões pelo profissional da saúde ou educação que irá trabalhar com este praticante.

O que adianta a equoterapia auxiliar na melhora do comportamento ou cognição da pessoa com TEA, se o quadro motor também não for trabalhado.

Não se divide uma pessoa com deficiência por um braço, uma perna, tronco, cervical, tônus muscular, comportamento ou cognição… A equoterapia é uma intervenção terapêutica que trabalha o indivíduo como um todo e não por partes, porque o praticante não se forma por pedaços anatômicos e nem por divisões únicas ou exclusivas.

O feedback entre os demais profissinais  que atendem o praticante é importante, principalmente o acompanhamento entre os demais equoterapeutas da equipe multidisciplinar do centro equoterápico.

Ressaltando que na fase escolar pessoas com autismo têm apresentado dificuldades na coordenação motora fina relacionada a escrita, organização espacial do caderno ou folha,  manuseios de materiais pedagógicos, entre outros.

 

O papel do fisioterapeuta no trabalho com o autismo

Segundo Carla Braz, fisioterapeuta graduada pela Pontífica Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Fisioterapeuta Aplicada à Neurologia, equoterapeuta pela ANDE-BRASIL (Associação Nacional de Equoterapia), instrutora de equitação em equoterapia pela ANDE-BRASIL e coordenadora do CET – Centro de Equoterapia Talentos: ”A equoterapia vai além do conhecimento do diagnóstico. Faz-se necessário reconhecer os recursos que cada cavalo oferece, do ambiente equoterápico, equipamento a ser utilizado e a prosposta da atividade a ser realizada”.

Segundo Carla, todo o contexto deve ser avaliado e repensado criteriosamente para atender a demanda da pessoa com autismo e que nem sempre só a montaria trará benefícios para esse tipo de patologia, contudo o trabalho na equoterapia com o fisioterapeuta e o autismo também apresenta avanços pertinentes no desenvolvimento do prognóstico.

Elizangela, mãe de M. E., de 7 anos, que tem autismo, percebeu que depois da equoterapia no trabalho com a equoterapeuta e fisioterapeuta Carla Braz, sua filha apresentou melhoras nas relações sociais, no contato visual, no equilíbrio e na autonomia.

 

Confira alguns objetivos que são trabalhados na equoterapia com o autismo, por meio da fisioterapeuta:

1. Posturamento correto da coluna vertebral;

2. Esquema corporal – o praticante como um todo;

3. Noção temporal e organização;

4. Coordenação motora grossa e fina;

5. Noção espacial e organização;

6. Equilíbrio;

7. Posturamento correto da pelve;

8. Interação;

9. Socialização;

10. Consciência corporal;

11. Estímulos sensoriais: visão, tato, audição, propriocepção, entre outros.

“ A diferença da equoterapia é o trabalho multidisciplinar, que no casamento dos objetivos interdisciplinares traçados pelos profissionais da equipe, tornam uma intervenção de alcance abrangente”

 

 

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Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

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