Se o risco for maior que o benefício não é equoterapia

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Uma mulher segura uma criança, que está passando a mão em um cavalo branco. Fim da descrição.
Especialista alerta sobre os benefícios da equoterapia (Foto: Andressa Oliveira)

Por: Eliane Baatsch*

Devido à procura recorrente pela equoterapia por pessoas com deficiência e seus familiares, haja visto a importância de saber se de fato a equoterapia tem elegibilidade para a melhora do quadro diagnóstico. A equoterapia quando aplicada com coerência aos objetivos do quadro diagnóstico apresentado consegue resultados e avanços pertinentes na habilitação e reabilitação da pessoa com deficiência,

Quando ressaltamos a aplicabilidade da equoterapia como intervenção terapêutica e modalidade alternativa nos fundamentos dos diagnósticos e dos prognósticos, a elegibilidade de todo o processo passa por decorrentes triagens e avaliações médicas.

 

O conceito equoterapia

O praticante (termo que define a pessoa com deficiência que pratica a equoterapia) passa por avaliação médica que constatará o processo de saúde do mesmo em relação a prática da intervenção terapêutica, como problemas cardiológicos, patologias, deformidades, enfim relacionados ao estado de saúde da pessoa com deficiência, contudo para a sua elegibilidade nas sessões de equoterapia. O praticante passará por uma triagem com a equipe especialista da equoterapia que verificará as condições de saúde mais específicas aonde a equoterapia possa fornecer elementos positivos, além disso traçar o prognóstico das sessões. A equipe de equoterapia também pode contraindicar um atendimento.

Algumas contraindicações na equoterapia que podem prejudicar a inserção no processo das práticas equoterápicas: luxação de quadril e deformidade de coluna, entre outras, problemas cardiológicos, alergia ao pêlo do cavalo ou ao ambiente, pressão alta, agressividade sem controle, epilepsia sem controle, traqueostomia, gastrostomia sem bóton, espondilolistese, artrite, artrose, espondilose, quadros álgicos, excesso de peso (por segurança numa retirada de emergência), entre outros. Faz-se necessário ficar atento nas possibilidades de contraindicação para que a equoterapia seja benéfica e não algo que posteriormente possa ocasionar lesões prejudiciais a pessoa com deficiência.

 

Equoterapia não corrige deformidades

A equoterapia não corrige deformidades! Correção de deformidades são cirúrgicas.

Equoterapia não é só voltinha a cavalo, precisa de um planejamento, organização, cavalo que forneça a amplitude do passo correto ou até mesmo a interação necessária para um quadro motor, cognitivo ou comportamental.

Lembrando que cada praticante apresenta um quadro único e precisa ser estudado nos aspectos de sua habilitação e reabilitação pelo médico e pela equipe equoterápica.

As outras terapias vinculadas a equoterapia são importantes para os avanços da pessoa com deficiência, não se pode desfazer da fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, entre outras intervenções clínicas importantes, pois a equoterapia embora tenha avanços relevantes no desenvolvimento das esferas terapêuticas, não substitui as demais.

O bom senso profissional e a ética para a explicação às pessoas com deficiência e famílias são importantes para a realidade do que pode ser alcançado na melhora do quadro diagnóstico, como equoterapia não é milagre e não substitui as demais modalidades.

A equoterapia é um trabalho voltado com uma equipe multidisciplinar, o cavalo em suas especificações com a interdisciplinaridade e não associada em suas sessões com outras modalidades terapêuticas, ela é única, exclusiva, aonde o cavalo e o praticante são o sujeito da intervenção terapêutica, portanto não se faz necessária outras modalidades de intervenção no cavalo nas sessões de equoterapia como Therasuit, Bobath, por exemplo. Cada modalidade em sua especificidade e em sua importância e aplicabilidade.

Já ouvi esse ditado: “O cavalo já é uma terapia por si só”, discordo e concordo. Concordo porque o sujeito da equoterapia é o praticante com o seu cavalo e discordo porque existem metodologias e exercícios sobre o cavalo, no solo, que podem auxiliar no processo de habilitação e reabilitação de forma mais rápida, como transposições, materiais pedagógicos, fisioterapêuticos, entre outros. Porém nunca esquecer que equoterapia é equoterapia e outras modalidades são outras modalidades, que concomitantemente com a equoterapia podem auxiliar no desenvolvimento biopsicossocial, mas não são equoterapia.

Respeitar um bom profissional na indicação é importante na equoterapia, porque existem equoterapeutas experientes, que com ética podem tratar através da equoterapia como uma modalidade alternativa terapêutica um bom desenvolvimento no prognóstico.

 

Se o risco for maior que o benefício não é equoterapia

A equoterapia tem todo um estudo ampliado para o processo de desenvolvimento biopsicossocial, porém para que esses avanços sejam pertinentes, faz-se necessário a indicação de cunho médico e terapêutico concomitante, pois cada um na sua especialidade para o real processo de avanço do prognóstico.

Colocar um capacete ou um colete no praticante e não manter a segurança deste, é a mesma coisa que não colocar nada, portanto a equipe multidisciplinar de um centro de equoterapia precisa estar atento o tempo todo durante as sessões. Afastar-se de um praticante na equoterapia nas sessões é muita responsabilidade e quando este consegue maior autonomia já conquistando a condução de um cavalo, este animal precisa ser bem trabalhado e a família orientada sobre os riscos.

“Se o risco for maior que o benefício não é equoterapia”

 

 

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Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

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