Pintura no cavalo: Uma intervenção de muitos benefícios

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um cavalo branco está todo pintado. Fim da descrição.
Pintura no cavalo rendeu notificação à Sociedade Hípica de Brasília (Foto: Reprodução)

Por: Eliane Baatsch*

Nos últimos dias, surgiu uma polêmica relacionada à pintura no cavalo da Sociedade Hípica de Brasília, que foi notificada por ‘maus-tratos’. Vale ressaltar que se trata de uma intervenção de muitos benefícios e que são utilizadas tintas não tóxicas para desenvolver atividades lúdicas e intervenções terapêuticas na equoterapia e na equitação.

 

Será que a pintura no cavalo pode ser prejudicial?

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um cavalo branco está todo pintado. Fim da descrição.
Segundo especialistas, pintura no cavalo tem finalidade terapêutica (Foto: Divulgação)

Como profissional especializada em equoterpia, posso assegurar que não existe nenhum artigo ou publicação que constate que a tinta atóxica, lavável com água, tenha provocado alergias em cavalos utilizados em atividades lúdicas ou intervenções terapêuticas.

O novo assusta! Igual quando a equoterapia iniciou no Brasil. Na época, muitas pessoas não acreditavam na intervenção terapêutica, afinal como uma montaria a cavalo poderia proporcionar tantos benefícios?

Hoje, muitos estudos, artigos e aperfeiçoamentos comprovam a eficácia da terapia com cavalos, em especial, no atendimento às pessoas com deficiência. Conseguimos dimensionar o desenvolvimento de muitos objetivos na equoterapia para os quadros cognitivos, comportamentais e motores.

 

Qual a importância da pintura no cavalo?

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Um cavalo marrom está sendo pintado por uma criança, com a supervisão de um especialista em equoterapia. Fim da descrição.
Pintura no cavalo tem finalidade terapêutica para pessoas com deficiência (Foto: Divulgação)

Uma fundação chamada Horse Boy Foundation, localizada no Texas, nos Estados Unidos, utiliza a técnica de pintura no cavalo para habilitação e reabilitação de pacientes que apresentam Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) com o intuito de aproximação, acolhimento, aprendizagens, estimulação sensorial e coordenação motora, entre outros, nas estimulações neuronais para a viabilidade hormonal como dopamina, serotonina e ocitocina que auxiliam no processo de estabilidade de humor.

Algumas hípicas utilizam a atividade de pintura com o cavalo para promover o vínculo com o animal, sendo assim crianças enfeitam os seus cavalos de acordo com o que seja significativo para elas, com cores que lhe agradam, para deixar o animal enfeitado e alegre.

Afinal, quem nunca colocou a cor rosa ou azul como adereço no seu animal de estimação?

Quando falamos em atividades lúdicas na equitação ou na equoterapia não aplicamos que os praticantes reproduzam posteriormente essa aprendizagem em muros, paredes ou em outros animais, porque esse não é o intuito da atividade. Vale ressaltar, novamente, que não se trata de maltratar o animal, mas sim, enfeitar, criar vínculos, sentir texturas e trabalhar com objetivos terapêuticos.

E o que é lúdico? É formação moral, desenvolver aprendizagens, criatividade, fornecer conhecimentos, se apropriar de técnicas prazerosas.

Talvez algumas crianças que apresentem transtornos, déficts motores, déficit de coordenação motora, não consigam se apropriar de afinamentos no momento da pintura no cavalo. Como também nos momentos escolares e não podemos desmerecer todo o trabalho desenvolvido por esta, mesmo que sejam só rabiscos.

Para a família do praticante que nunca mexeu numa tinta e enfeita o cavalo, mesmo que pareça um rabisco, trata-se de uma atividade importante para seu desenvolvimento.

Mas, devido às últimas constatações da mídia, trata-se de um caminho longo a percorrer, até mesmo, na aceitação da sociedade.

 

A pintura no cavalo é muito utilizada para estudos

Muitos cursos de formação profissional para profissionais de equoterapia, veterinários e atletas, entre outros, utilizam-se de pintura no cavalo para estudar o sistema muscoesquelético do animal, entre esses a biomecânica e o movimento cinésioterapêutico.

Nesse caso é possível verificar, através de pinturas no dorso do animal, membros entre outras partes, a desenvoltura do movimento ao qual se aplicará o estudo através de dados específicos. Até mesmo para observar qual a melhor andadura para a contemplação terapêutica das pessoas com deficiência com quadros motores necessitando de uma adequação de tônus muscular e equilíbrio, entre outros.

 

Ética com os cavalos

Na equoterapia existe uma preocupação constante com os animais, tanto no que diz respeito a sua alimentação e qualidade de vida do animal.

Muitas mudanças nas sessões de equoterapia fundamentadas em estudo foram realizadas buscando sempre a adequação do peso do praticante ao do cavalo que o leva em seu dorso. Porque o cavalo na equoterapia não é um funcionário do centro de habilitação e reabilitação, ele é o nosso amigo. Amigo que não tem preço, não é vendido e que auxilia muitos praticantes em sua vida na melhora da qualidade de vida e no seu desenvolvimento biopsicossocial.

Utilizar tintas atóxicas com mediação de um profissional como intervenção terapêutica, é uma prática muito comum em vários centros de equoterapia. Evita-se usar em mucosas ou em locais onde o animal possa lamber o produto e sempre banhá-lo após a intervenção.

 

“O cavalo é nosso amigo fiel e companheiro. Ser bem tratado é o mínimo para agradecê-lo por tudo o que nos proporcionou…”

 

Entenda o caso:

Na última semana, a Sociedade Hípica de Brasília foi notificada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), após divulgar a imagem de um cavalo que foi pintado por crianças durante uma atividade pedagógica da colônia de férias da hípica. No entanto, ONGs de direitos dos animais condenaram a ação e denunciaram o ocorrido como maus-tratos.

Mesmo após verificar que o cavalo estava em boas condições, os responsáveis da Sociedade Hípica, foram notificados e terão que apresentar o programa pedagógico proposto pela atividade, para análise do Ibama.

 

 

 

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