Como escolher um centro de equoterapia adequado

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Picadeiro da Hípica Santa Terezinha. Vemos, em primeiro plano, uma cadeira de rodas, e ao fundo, as pessoas durante a sessão no cavalo. Fim da descrição.
A Hípica Santa Terezinha está entre os principais Centros de Equoterapia do Brasil (Foto: Cesar Greco)

Por: Eliane Cristina Baatsch*

A Hípica Santa Terezinha que é um dos maiores Centros de Equoterapia, com uma média de 400 praticantes e dois mil atendimentos por mês, ressalta algumas informações importantes para a escolha de um centro de equoterapia adequado pelas famílias.

A equoterapia é uma intervenção terapêutica que vem crescendo atualmente como recurso no auxílio da habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência, síndromes e/ou transtornos, devido aos alcances de objetivos importantes no processo de desenvolvimento biopsicossocial.

Mas, para que a equoterapia tenha resultados beneficiadores como processo de intervenção terapêutica, a escolha de um centro adequado é muito importante.

 

Como escolher o centro de equoterapia adequado?

Algumas informações são importantes para a escolha do centro de equoterapia ideal para o atendimento de seu filho, parente e amigo. Confira a seguir algumas dicas:

. Informar sobre o profissional que atenderá o praticante, se ele é devidamente habilitado na área da saúde ou educação com nível superior e se tem formação na área da equoterapia, de preferência pela Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), bem como saber o tempo de atuação na área;

. Verificar se o instrutor de equitação apresenta formação profissional, este pode ser habilitado pelo exército ou pela ANDE-BRASIL;

. Observar se o local é adequado para a realização da equoterapia. Se é amplo, se o picadeiro tem boa dimensão e se é coberto (importante para os casos de praticantes que convulsionam), se é seguro, se tem piso de areia, grama ou solo apropriado, banheiro adaptado, acessibilidade para os todos os ambientes, principalmente para os cadeirantes, local de espera para a terapia (família não pode ficar dentro do picadeiro ou local externo que interfira na sessão sem autorização do terapeuta), segurança para os cavalos, higiene do ambiente, baias apropriadas para os animais e equipamentos de segurança para o praticante, equipamentos de equoterapia, equitação e de segurança higienizados, quantidade de praticantes e animais (se o número de praticantes é adequado para a quantidade de animais) e equipe de atendimento;

. Saber se os animais são bem tratados (qualidade do tratamento dos cavalos é fundamental para a efetivação da equoterapia), se são devidamente treinados para a equoterapia, principalmente na utilização de equipamentos pedagógicos, fisioterapêuticos e transposições em seu dorso, verificar a higiene do animal, a hipologia equina (cuidados adequados e manutenção), a saúde do animal, se ele está machucado, se estão utilização equipamentos corretos, se as baias são limpas, se a alimentação está adequada, o comportamento do cavalo, e se a vacinação e os exames estão em dia;

. Cavalos podem se assustar, pois no mundo animal são presas e estão o tempo todo atentos aos barulhos e movimentos bruscos, por isso que os profissionais devem ter qualificação máxima para a retirada de emergência e garantir a segurança do praticante. Os equipamentos de segurança são necessários nas sessões de equoterapia;

. Se o Centro de Equoterapia já tiver filiação ou agregação com a ANDE-BRASIL, é um centro que já apresenta profissionais formados na área da equoterapia com habilitação, porém alguns centros não trabalham com a concepção da ANDE-BRASIL, nesse caso as informações anteriores são importantes para a escolha;

. A indicação do médico para a equoterapia é importante: se este praticante estará elegível para a prática de equoterapia de fato, isto é em condições de saúde para o atendimento, porém é necessário sempre respeitar a equipe de triagem nas suas indicações, prognósticos e de fato a elegibilidade do atendimento, se o risco for maior que o benefício não é equoterapia e a família precisa ser parceira da equipe no prognóstico do praticante. O profissional de equoterapia precisa ser ético e respeitar o prognóstico nos atendimentos, pois quando não se há segurança numa retirada de emergência ou agravamento do diagnóstico por uma contra indicação na equoterapia, não é equoterapia;

. Equoterapia não é só montaria! As famílias precisam compreender que quando se pensa na equoterapia somente como montaria acaba caindo num fator histórico e cultural de que o cavalo só serve para ser montado e isso não é verdade; se o praticante tem medo do cavalo precisa estabelecer uma relação de confiança, amizade, respeito, empatia, interação e ativação de hormônios que geram a estabilidade de humor só pelo contato e cuidado do animal. É importante respeitar a conduta profissional do terapeuta, pois, às vezes, só o fato de montar no cavalo é uma expectativa maior da família do que do praticante que necessita estabelecer uma relação com o cavalo para alcançar os objetivos na equoterapia. O cavalo não é um ser mecânico que não precisa de carinho, cuidados ou relações de vínculos;

. Normalmente, os centros de equoterapia que apresentam parcerias com prefeituras e órgãos do governo, são devidamente documentados. É importante verificar se estes centros apresentam documentos para funcionamento e se já foram inspecionados para receberem as certidões necessárias.
“A equoterapia não é apenas montar no cavalo, têm suas especificidades para qualidade como intervenção terapêutica”.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, Eliane está ao lado de seu cavalo. Fim da descrição.
Foto: Augusto Moraes

*Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

 

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