O capacitismo e a síndrome de Down

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Os atores Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola, protagonistas do filme Colegas. Eles têm síndrome de Down e na imagem, estão beijando um dos prêmios conquistados pela atuação no filme. Fim da descrição.
Os atores Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola, protagonistas do filme 'Colegas' (Foto: Divulgação)

Por: Leonardo Gontijo*

Você sabe como o capacitismo atinge pessoas com síndrome de Down? A discriminação contra o diferente é algo que toma conta do senso comum e pode, sem o devido cuidado, transformar um discurso despretensioso em um ato discriminatório. Muitas vezes essa diferenciação pode não vir acompanhada de termos negativos que claramente rebaixam a pessoa de quem se fala, mas, como no caso da da pessoa com síndrome de Down, pode aparecer por meio de expressões benevolentes e atitudes protetoras. Este é o capacitismo.

 

O capacitismo e a síndrome de Down

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Os atores Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola, durante cena do filme Colegas. Eles têm síndrome de Down e estão em um carro, seguindo por uma estrada. Breno está no centro da imagem, sentado no encosto do banco de trás do carro. Rita está no canto inferior, à esquerda, sentada no banco do passageiro e Ariel está no volante do carro, no canto inferior direito. A imagem é frontal e eles estão sorrindo. Fim da descrição.
Os atores Ariel, Rita e Breno durante cena do filme ‘Colegas’ (Foto: Reprodução)

A seguir, vamos falar sobre como o capacitismo se revela e as consequências que pode gerar em pessoas com síndrome de Down, buscando caminhos para eliminar este vício de comportamento e ajudar no desenvolvimento da pessoa com Down.

O fato de uma pessoa com Down precisar de maior atenção no que diz respeito a cuidados médicos e a seu desenvolvimento intelectual não determina que ela deva ser tratada de modo diferente em relação a todo o resto. Por isso, é frequente que pais sem a devida instrução, em um esforço de superproteção, isolem seus filhos e os submetam a uma série de tratamentos excepcionais. Pode ocorrer, também, com outras pessoas que estejam à sua volta.

O que é necessário compreender é que este isolamento não é desejável. Pelo contrário, é preciso o máximo de estímulo e inserção, sobretudo nos primeiros anos de vida, para que a criança com Down consiga desenvolver seu potencial e se inserir na sociedade, participando dela e compreendendo como ela funciona.

 

O que é capacitismo?

Capacitismo é uma forma de discriminação que atinge pessoas com alguma deficiência. Ela consiste em considerar a pessoa como de alguma forma incapaz e inferior em razão de sua deficiência, excluindo-a de determinados grupos ou submetendo-a a um tratamento diferenciado.

Os sinais básicos que uma pessoa capacitista demonstra são principalmente de ordem paternalista e excludente. O capacitismo não permite ver que a pessoa com deficiência é um ser humano autônomo e dotado de vontades, sendo considerado alguém fraco e dependente.

 

As consequências do capacitismo

Ao se excluir alguém do convívio social, esta deixa de ter contato com os usos, costumes e a cultura que a rodeia, vivendo em uma realidade paralela. É isto que ocorre quando se discrimina alguém por conta de uma deficiência.

Assim, o capacitismo é uma prática que marginaliza a pessoa com deficiência e a impede de desenvolver seu potencial junto de outros grupos, ver e viver o mundo lá fora. Ao invés de serem vistos como indivíduos que tem algo a acrescentar na dinâmica da sociedade e cumprir um papel, são vistos como seres frágeis e diferentes, e muitas vezes como ‘inspiração’ ou ‘exemplos de superação’.

Este ponto de vista apenas faz perpetuar a concepção de que deficiência é sinônimo de dificuldade ou barreira, o que não é. A barreira é imposta pelo capacitismo, que impede a devida inclusão das pessoas com deficiência e não abre espaço para sua participação na sociedade e no mercado de trabalho.

 

Como minimizar a situação

Ao invés de deixar que atitudes capacitistas excluam uma pessoa com Down, é necessário, desde o convívio no lar, que se dê a devida atenção à alfabetização e a estímulos intelectuais e físicos, como explicamos neste post. Privar a criança com Down disto é colocar um obstáculo em seu desenvolvimento.

Além disto, em fases mais avançadas da vida, deve-se conscientizar a pessoa com síndrome de Down a respeito de sua sexualidade, e incentivar ativamente sua autonomia, seja por meio da constituição de uma família e sua inserção no mercado de trabalho, a depender do que desejar.

Portanto, vemos que o capacitismo é um grave freio ao desenvolvimento e à inclusão da pessoa com deficiência na sociedade, impedindo sua participação efetiva no meio em que vive e a realização de seu potencial. Este potencial, nas pessoas com síndrome de Down, pode ser devidamente desenvolvido se forem oferecidos os estímulos necessários, em oposição ao tratamento diferenciado e discriminatório que o capacitismo geralmente causa.

“Diga não ao capacitismo. Diga sim as possibilidades.”

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. O colunista Leonardo Gontijo. Ele é moreno, tem a pele clara e cabelos castanhos claro. Leonardo usa uma camisa social azul. Ele sorri. Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Leonardo Gontijo é formado em Direito e Engenharia Civil, mas, é mais conhecido como irmão do Dudu do Cavaco. Professor e consultor em Sustentabilidade e Inclusão, é pai de duas filhas, a Duda e a Laura, e é marido da Carolina.

 

 

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