Sentar na frente e ter um ledor de prova é intervenção?

6
5374
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Em uma sala de aula, uma educadora está sentada ao lado de uma menina cadeirante. A menina está de costas e olha para a professora. Na mesma mesa estão outras duas crianças, uma menina e um menino. Todos estão felizes. Fim da descrição.
Compensações são necessárias a depender do diagnóstico do aluno (Foto: Divulgação)

Por: Zilanda Souza*

Essas e outras medidas escolares são comuns em situações de diagnóstico para transtornos e dificuldades de aprendizagem. Muito comum a contratação do professor particular, da clínica psicopedagógica e a conquista legal do monitor dentro do espaço escolar.

Então eu resolvi provocar vocês. O que queremos para os nossos filhos e alunos, depois de um diagnóstico de TDAH, dislexia, deficiência intelectual e tantos outros transtornos e síndromes? O que as medidas especiais estão causando em nossas crianças que apresentam dificuldades? Uma hipótese diagnóstica não deve ser um fim e sim um começo. O começo de um processo de reconhecimento, adaptação e desenvolvimento.

Essas crianças não estão condenadas à estagnação. Elas podem se desenvolver, aprender e crescer! Para garantir esse ciclo saudável é necessário atenção ao que estamos oferecendo para nossas crianças: muita compensação e pouco estímulo? Ou compensação adequada e muito estímulo?

Sentar-se à frente longe de portas e janelas, ter um ledor e digitador de avaliações e maior tempo para realizá-las, ganhar um currículo exclusivo e menor para aprender, são compensações. Maneiras de aliviar as tensões e dificuldades. Formas de encontrar a zona real de desenvolvimento. Necessárias? Sim! A depender da hipótese diagnóstica são necessárias sim.

Porém, se é apenas isso que oferecemos, então é preocupante. Considerando que o cérebro das crianças é remodelado de acordo com o ambiente em que estão inseridas, excesso de compensações sem estímulo adequado podem estagnar o desenvolvimento, provocar rigidez e acomodação no manejo do tempo, da complexidade e da progressão do desenvolvimento.

E preciso garantir junto com as compensações, estímulos adequados para as habilidades enfraquecidas, monitoramento do desempenho, estabelecimento de metas plausíveis para cada caso e recompensas imediatas para os avanços alcançados. Compensação é apoio, mas não garante o desenvolvimento e a potencialização das habilidades enfraquecidas.

Então, sugiro que vocês, família e escola pensem sobre o quadro a seguir:

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um quadro dividido em cinco colunas com explicações sobre as habilidades enfraquecidas, compensações, estímulos, monitoramento e metas e recompensas. O quadra tem as cores verde e vermelho. Fim da descrição.

Um bom programa de intervenção cuida de todos esses aspectos           Compensar sem estimular é estagnar!

Quer saber mais sobre COMO CRIAR UM BOM PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PARA O SEU ALUNO OU PACIENTE? Participe comigo, do curso ‘Fundamentos de Neuroplasticidade no Programa de Intervenção da Criança com Transtorno ou Dificuldades de Aprendizagem’. Outras informações sobre o curso podem ser solicitadas pelo e-mail: espacovidagv@hotmail.com.

Instagram: @espacovidagvbsb | Facebook: @espacovidagv |

Youtube: Canal Espaço Vida

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Nela, Zilanda Souza está sentada à frente de uma mesa, e segura alguns de seus livros: Brincando de Palavrear e o livro do programa de treino em funções executivas Super 6º Ano. Fim da descrição.
Foto: Vítor Beltrame

*Zilanda Souza é mãe, professora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, escritora da coluna ‘Desenvolvimento e Aprendizagem’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.

 

 

Portal Acesse

6 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde! Concordo plenamente com vc.
    A grosso modo sempre falo pra os pais e paciente : não usem o diagnóstico como moleta …mas infelizmente muitos só querem o diagnóstico, a prova diferenciada e a ritalina. Lamentável

  2. Zilanda sua coluna é maravilhosa, tenho admiração pelo seu trabalho e por toda equipe do Espaço Vida. Sempre nos surpreendendo com novas temáticas de curso. E sabe o que é melhor de tudo isso, é que nos seus cursos, eu nunca me senti mais uma aluna, você nos convida a ser parceiras, você nos incentiva a buscar cada vez mais , se joga no meio do grupo e
    compartilha seus conhecimentos ao mesmo tempo que escuta o que o outro tem para contribuir, e transforma cada fala em um novo questionamento, desafio e aprendizagem, e o olho no olho, que nos diz, acredito que vocês possan fazer a diferença.

  3. Katia, suas palavras são ânimo e carinho para nós! Muito obrigada por esse Feedback! Nosso coração ❤️ está empenhado em fazer sempre o melhor pela nossa educação! Obrigada por acompanhar a coluna e o nosso trabalho.

  4. Bom dia!
    Sou músico, musicoterapeuta, estou terminando Pedagogia como segunda graduação, pós graduação em Pedagogia para alunos com necessidades educacionais especiais, Docência do Ensino Superior e a música é uma grande possibilidade de desenvolvimento. Discriminar os conteúdos para desenvolvê-los e estimular de forma plena e eficaz através da música e outras formas de terapia é facilitar a socialização dos alunos com necessidades educacionais especiais.

  5. António Medeiros, concordo plenamente! A música aciona habilidades importantes e pode sim contribuir para o estímulo e desenvolvimento das crianças. Parabéns por sua formação, busca e engajamento.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.