Tênis em cadeira de rodas exige técnica e concentração

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Nela, o atleta João Lucas Takaki disputa uma competição de tênis em cadeira de rodas durante as Paralimpíadas Escolares. Fim da descrição.
João Lucas Takaki durante torneio de Tênis em cadeira de rodas (Foto: ©Daniel Zappe / MPIX / CPB)

Por Adriana Dutra*

Em 1976, nos Estados Unidos, Jeff Minnenbraker e Brad Parks, desenvolveram o tênis em cadeira de rodas, com o objetivo de auxiliar em suas próprias reabilitações.

Um ano depois, Parks criou uma cadeira adaptada e passou a promover a modalidade. Não demorou nem mais um ano para que o primeiro torneio fosse realizado, na Califórnia.

O tênis em cadeira de rodas se difundiu rapidamente, e, em 1980, os Estados Unidos já possuíam mais de 300 tenistas cadeirantes. O ano foi marcado ainda pela realização do primeiro campeonato nacional da modalidade.

Em 1988, o tênis em cadeira de rodas participou dos Jogos de Seul, na Coreia do Sul, como exibição e, em 1991, a Federação Internacional de Tênis (ITF, em inglês), assumiu a responsabilidade da modalidade adaptada.

Em 1992, nos Jogos de Barcelona, na Espanha, a disputa paralímpica foi oficializada, valendo medalhas pela primeira vez.

No Brasil, o primeiro atleta a ter contato com o tênis em cadeira de rodas foi José Carlos Morais. Ele conheceu o esporte em 1985, na Inglaterra, quando competia com a seleção de basquete em cadeira de rodas. Em 1996, exatos 11 anos depois, Morais foi aos Jogos Paralímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, ao lado de Francisco Reis Junior. Juntos, eles formaram a primeira equipe brasileira a representar o país na modalidade.

Por ser uma modalidade individual, o atleta se desenvolve no seu tempo, os seus resultados são proporcionais as suas habilidades, aos seus esforços e dedicação, os treinos podem ser feitos com andantes, com cadeirantes, individual ou em grupo, não é necessário nenhum preparo especifico para a prática da modalidade adaptada, visto que o tamanho da quadra, a altura da rede, a bolinha e a raquete são nos padrões oficiais da modalidade convencional. É uma modalidade extremamente inclusiva, em que o atleta pode se divertir em qualquer quadra, seja no clube, no parque ou no condomínio, tendo como adversário um andante ou um cadeirante, não importa, é possível jogar e se divertir de qualquer forma, proporcionando uma integração muito maior com o parceiro, amigos e familiares.

A modalidade requer dos atletas um alto nível de técnica, velocidade, agilidade no toque de cadeira, resistência física, reflexos, precisão e força.

Segue as mesmas regras do tênis convencional, com a diferença que a bola pode dar até dois quiques antes de ser rebatida (o primeiro quique deve ser sempre dentro da quadra). As partidas podem ser disputadas em dupla ou individualmente, sempre em melhor de três sets.

São quatro categorias: Feminina; Masculina; Quad (pessoa com deficiência em três ou mais membros); e Juvenil.

O único requisito para que uma pessoa possa competir em cadeira de rodas é ter sido diagnosticada uma deficiência relacionada com a locomoção, ou seja, deve ter total ou substancial perda funcional de uma ou mais partes extremas do corpo. Se como resultado dessa limitação funcional a pessoa for incapaz de participar de competições de tênis convencionais (para pessoas sem deficiência física), deslocando-se na quadra com velocidade adequada, estará credenciado a jogar na cadeira de rodas.

Atualmente o tênis paralímpico é uma das modalidades que mais crescem no mundo e o circuito mundial distribui uma premiação acima de 600 mil dólares por ano.

A Confederação Brasileira de Tênis (CBT), é a responsável pela modalidade adaptada no Brasil, todos os torneios realizados no Brasil são Internacionais com pontuação no ranking da ITF.

Após as Paralimpíadas do Rio de Janeiro, a CBT está tendo um olhar diferente e tem investido mais na nova geração. ”Desde o ano passado estamos realizando as Semanas de Treinamento Júnior onde esses jovens e seus técnicos passam uma semana concentrados treinando juntos. Esses jovens são avaliados física e tecnicamente pensando em suas melhoras de performance. Como resultado tivemos uma excelente participação com dois representantes na Cruyff Foundation Júnior Masters realizada em janeiro, e que reuniu os melhores Júniors do mundo. Também obtivemos excelentes resultados no Parapan-Americano Juvenil, realizado em março, com quatro atletas medalhando entre os melhores. No mundial, em maio, o Brasil alcançou o seu melhor resultado na história com o terceiro lugar de melhor nação do mundo entre os Júniors. O trabalho e o incentivo não param com chaves Júniors, sendo realizadas nos torneios no Brasil, Semana de Treinamento, no segundo semestre, e durante as Paralimpíadas Escolares, em novembro”, afirma o coordenador do tênis em cadeira de rodas da CBT, Wanderson Cavalcante.

Podemos verificar facilmente essa afirmação dando uma olhada no ranking da ITF: Em Junho/2017, o Brasil está no top 50 do ranking mundial, com dois atletas do feminino, dois do masculino, dois do Quad e, do Juvenil, duas meninas e oito meninos. Com esses números expressivos no Juvenil, podemos concluir que efetivamente o Brasil está investindo na base e na nova geração, que está se destacando e fazendo bonito.

O tênis é uma modalidade cara, por ser um esporte individual todos os custos são basicamente custeados pelos atletas e seus familiares, os equipamentos, as inscrições em campeonatos, viagens, treino intenso, são poucas as instituições que oferecem a modalidade no Brasil e essas ainda sofrem muito com a falta de apoio das empresas e patrocinadores, para que a modalidade possa crescer ainda mais e mostrar a sua impressionante capacidade de reabilitar e incluir o atleta e seus familiares. Se depender dos nossos meninos e meninas o Brasil ainda terá muito orgulho e amor pelo tênis.

Com sede em São Paulo, a Atitude Paradesportiva é uma das instituições que promovem o tênis em cadeira de rodas.

Se quiser saber mais sobre a modalidade, faça contato: adrianaferraridutra@hotmail.com

 


Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato quadrado. A imagem está em preto e branco. Nela está a colunista Adriana Dutra. Adriana é morena, tem cabelos castanhos longos e lisos. Ela usa uma blusa preta e sorri. Fim da descrição.*Adriana Dutra 
é advogada, presidente da Atitude Paradesportiva, ONG que ajudou a criar em 2010. Atua com esporte adaptado há 10 anos, incentivando a prática de atividade física, dando oportunidade de treinamento e organizando eventos para a divulgação e fomentação das modalidades adaptadas.

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