Teste do Pezinho: A linha de cuidado que pode definir o futuro de uma criança

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na horizontal. Nela está a doutora Flavia Balbo Piazzon. Ela é loira e tem os cabelos ondulados, na altura dos ombros. A doutora Flavia usa óculos e está sorrindo. Fim da descrição.
A doutora Flavia Balbo Piazzon (Foto: Divulgação)

Por: Flavia Balbo Piazzon*

A linha de cuidado da saúde da criança é uma prioridade da Secretaria Estadual de Saúde que visa à redução da mortalidade infantil e abordagem integral à saúde das crianças. O foco principal está na primeira infância, período fundamental para estabelecer as aquisições futuras do bebê.

Os pais ou responsáveis podem influenciar o desenvolvimento de seus bebês e ajudá-los a se tornarem adultos com mais qualidade de vida. Este processo começa na concepção e segue por mil dias na vida da criança, desde 270 dias de gestação somados aos 730 dias nos dois primeiros anos de vida. Nessa fase os órgãos estão em formação, os ossos se alongando, o cérebro ganhando volume, entre outros momentos muito importantes.

Uma das ações que faz parte da linha de cuidado é o Teste do Pezinho – um exame rápido em que gotinhas de sangue do calcanhar do bebê são coletadas com a finalidade de diagnosticar doenças genéticas ou metabólicas que podem levar à deficiência intelectual e/ou causar outros prejuízos à qualidade de vida da criança.

O exame deve ser realizado após 48 horas do nascimento até o quinto dia de vida do bebê. O objetivo da realização no tempo correto é diagnosticar os recém-nascidos antes que os sintomas apareçam. Desta forma, há grande papel na prevenção de doenças à medida que os sintomas são evitados. Muitas delas não têm cura, mas quando o tratamento precoce é iniciado, há um importante impacto na vida da criança.

O prazo mínimo de coleta é necessário para que o bebê tenha tomado quantidade suficiente de proteína, cerca 2g /kg/dia, seja por leite materno, fórmula láctea para idade ou nutrição pela veia. Já quando o teste é realizado após 30 dias de vida e o resultado é positivo para alguma doença, o tratamento pode não reverter algumas sequelas. Por exemplo, uma criança pode ter maior chance de sequela cerebral, pois a maioria das doenças detectadas no exame gera substâncias tóxicas para o cérebro, como a fenilcetonúria.

Outros exemplos importantes são os erros inatos do metabolismo detectados pelo Perfil Tandem (Teste do Pezinho ampliado), que se não forem identificados nos primeiros sete a dez dias de vida e iniciado o tratamento específico precocemente, a criança corre grande risco de evoluir com falência das funções do fígado ou Deficiência Intelectual, entre eles os defeitos do ciclo da ureia.

Apesar do teste ser conhecido pela maioria dos pais é preciso ficar atento. Se o bebê é liberado antes de ser submetido ao exame por conta da alta precoce, os pais devem exigir um encaminhamento para coleta após a alta ou simplesmente podem ir fazer a coleta em laboratório de sua escolha o quanto antes. Para partos domiciliares, no caso da APAE DE SÃO PAULO, é possível agendar o teste.

Quando há um resultado positivo, em locais de referência credenciados pelo Ministério da Saúde, como é o caso da APAE DE SÃO PAULO, a criança é reconvocada para que um novo teste seja realizado. O ideal é que os pais tentem manter a calma – a suspeita não significa um diagnóstico de doença, e sim que um novo exame será necessário para confirmação.

Na primeira coleta, de 0,5 a 2% dos resultados da APAE DE SÃO PAULO são positivos. Vários motivos podem influenciar o resultado, como a alimentação do bebê (com fórmulas dietéticas, por exemplo), transfusão de sangue ou o uso de medicamentos como antibióticos e anticonvulsivantes. Muitos pais não comparecem ao laboratório para a recoleta, o que é altamente prejudicial e pode comprometer o futuro da criança. A confirmação do exame dentro do período desejado permite um diagnóstico e início precoce do tratamento.

Das amostras triadas pelo Teste Super da APAE DE SÃO PAULO, cerca de 0,05% dos pacientes tem um erro inato do metabolismo confirmado. Portanto, apenas cinco em cada 10.000 bebês submetidos ao Perfil Tandem têm realmente uma doença. A incidência de falso-positivos é considerável.

Fique atento: Caso tenha recebido um contato do laboratório após a realização do Teste do Pezinho é muito importante comparecer quando solicitado para repetição do exame. Confirme o prazo para realização e não esqueça dos documentos solicitados.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

 

*Flavia Balbo Piazzon tem graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília. Pediatra e Geneticista pela UNIFESP. Doutorado em Patologia e Genética pela FMUSP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Genética Médica. Atualmente é médica geneticista na Mendelics Análise Genômica. Médica colaboradora da Unidade de Genética do Instituto da Criança – HC/ FMUSP. Consultora médica do Serviço de Triagem Neonatal da APAE DE SÃO PAULO. Tem experiência na área de Pediatria, Neonatologia e Genética Médica, com ênfase em Erros Inatos do Metabolismo.

 

Portal Acesse

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.