Porque a surdez é uma deficiência invisível

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na horizontal. Nela, existe a ilustração de uma orelha com um x vermelho, em menção à deficiência auditiva. A imagem tem um fundo verde. Fim da descrição.
Surdez - a deficiência invisível (Foto: Reprodução)

Por: João Vitor Bogas*

Falar sobre surdez com quem não conhece nada sobre o assunto é sempre uma conversa interessante. Pouca gente sabe que a maioria dos surdos têm dificuldades com o português por serem alfabetizados em Libras, e muita gente ainda usa a nomenclatura incorreta (surdo-mudo) para se referir a quem tem deficiência auditiva. A discussão sempre começa com esses esclarecimentos e demora um pouco até se aprofundar.

No fundo, as pessoas não estão acostumadas a falar sobre acessibilidade. Quando o tema aparece, os primeiros a serem lembrados são as pessoas com deficiência física ou quem possui deficiência visual. A surdez passa despercebida. Como saber se aquele rapaz com o qual você cruzou na rua mais cedo é surdo ou ouvinte? Muitas vezes não paramos para pensar nisso, e é por isso que as conversas sobre a comunidade surda sempre seguem o mesmo roteiro. A surdez é uma deficiência invisível.

Reconhecer isso é chamar atenção para a maior barreira que os surdos enfrentam: a comunicação.

A comunicação está no centro do problema

Dentre as inúmeras barreiras existentes para a acessibilidade, a comunicacional é, de longe, a maior para o surdo. Pense por um momento consigo mesmo: quais atividades do seu dia a dia envolvem comunicação? Praticamente todas, não é? Imagine como é o cotidiano de uma pessoa surda que tem a Língua Brasileira de Sinais como primeira língua, em um país em que poucos ouvintes sequer a conhecem. Muita coisas são comprometidas. E muitas delas são básicas:

  • Na educação, por exemplo, os efeitos ocorrem tanto na socialização dos alunos surdos quanto na dificuldade em terminar os estudos. A taxa de alfabetização das pessoas com deficiência auditiva é bem menor que a das sem nenhuma deficiência – 75,5% contra 92,1% (Censo 2010).
  • Isso também afeta a vida profissional do surdo, que precisa enfrentar o despreparo de recrutadores e gestores em um ambiente de trabalho que não está acessível a maioria das vezes.
  • E o ambiente virtual não é exceção: somente 2% dos sites estão acessíveis para as pessoas com deficiência. É como se a internet estivesse offline para o surdo!

Esses são só alguns exemplos de como a falta de comunicação pode afetar profundamente a vida de quem é surdo. No final das contas, ela tem grande impacto em uma coisa fundamental para a vida: a conexão humana.

O segredo é a conexão

“Quando não conseguimos alcançar o que alguém diz, não nos comunicamos efetivamente com essa pessoa. E quando não nos comunicamos efetivamente com outro ser humano, perdemos a conexão humana, que é a conexão mais bela e mais poderosa da vida.” – Paula Pfeifer, em post no blog Crônicas da Surdez.

A vida em sociedade é feita de conexões humanas. São elas que nos proporcionam o desenvolvimento pessoal e profissional que buscamos. Também são elas que definem muitas das regras sociais, essenciais para uma convivência harmoniosa com o outro.

E como fazer para recuperar essa conexão? Essa é uma pergunta sem resposta simples, mas uma boa forma de começar é ouvindo as histórias dos surdos. Um exemplo super legal é este depoimento em vídeo da Luana, do Instituto da Oportunidade Social (IOS), contando sobre sua trajetória e desafios da surdez.

 

 

Outro caso interessante é o da Denise, que compartilhou o que enfrentou quando foi para o mercado de trabalho e deixou um recado especial para os surdos que estão procurando emprego.

 

Essas histórias são fundamentais para dar visibilidade às lutas e conquistas de quem possui deficiência auditiva. Se você é surdo, deixe sua história (ou um pedacinho dela) nos comentários! E se você por ouvinte, faça a reflexão final: o que eu posso fazer para dar mais visibilidade à surdez?

 

Descrição da imagem #PraCegoVer. Imagem no formato quadrado. Nele, está uma imagem em close de João Vitor Bogas, autor do texto. Ele usa óculos e está sorrindo. Fim da descrição.*João Vitor Bogas é um estudante de administração apaixonado por gestão de pessoas e acessibilidade, e é responsável pela área de conteúdo da Hand Talk, o maior aplicativo de tradução automática para Língua de Sinais do mundo.

 

 

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