Equoterapia não é só montaria

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem branco e preto. Uma criança está montada em um cavalo. Ela está sendo apoiada por dois profissionais de equoterapia. Cada um deles está de um lado do cavalo. Eles estão no setting terapêutico. Fim da descrição.
Entenda a diferença entre a equoterapia e a montaria (Foto: Andressa Oliveira)

Por: Eliane Baatsch*

Na equoterapia, muitas vezes, ao término da intervenção realizada no solo com o praticante e o cavalo, escutamos “você não fez equoterapia hoje?” … Mas, será que a equoterapia é só montaria?

Os profissionais de equoterapia não são monitores! São profissionais formados em áreas específicas e em equoterapia. Muitas pessoas confundem a equoterapia com passeio a cavalo ou só montaria, mas de fato a equoterapia, segundo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), é um método terapêutico que utiliza o cavalo numa abordagem interdisciplinar, transdisciplinar e multidisciplinar nas áreas da educação, saúde e equitação, buscando melhorias biopsicossociais.

A equoterapia é apresentada por divisões: Hipoterapia (quando o equoterapeuta realiza a montaria dupla com o praticante devido ao déficit de controle cervical e/ou controle de tronco para sustentação e posicionamento nas sessões sobre o dorso do cavalo); Educação-reeducação; Pré-esportivo e esportivo. Porém, a equoterapia com atividades no solo podem serem propiciadas nas intervenções terapêuticas em âmbito global.

Equoterapia é muito mais que montaria porque é uma intervenção terapêutica com objetivos direcionados para a melhora do quadro diagnóstico da pessoa com deficiência, síndromes, distúrbios, dificuldades e/ou transtornos.

O cavalo de equoterapia não é uma máquina condicionada a proporcionar movimentos cinésioterapêuticos e sim um animal que estabelece relações de empatia, amizade, além de apresentar comportamentos auxiliando no processo de comunicação com o ser humano.

Nos afagos no cavalo sentimos o seu calor, cheiro, textura, força, contração muscular, comportamentos e estabelecemos relações… São muitas estimulações sensoriais que nos fazem bem!

Nos cuidados como escovação, higiene, banho e alimentação, conseguimos construir um vínculo com o cavalo, contudo a reabilitação como: Coordenação motora; Equilíbrio; Força muscular; Estimulações sensoriais e hormonais, ainda deixando o amigo cavalo bonito.

Precisamos ver a equoterapia numa abrangência maior de objetivos a serem alcançados.

 

Só montaria não é equoterapia

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem branco e preto. Uma criança está montada em um cavalo. Ela está sendo apoiada por dois profissionais de equoterapia. Cada um deles está de um lado do cavalo. Eles estão sorrindo. Fim da descrição.
Criança durante sessão de equoterapia (Foto: Andressa Oliveira)

Se a equoterapia se justificasse apenas na montaria, porque de fato existem vários estudos e cursos na formação profissional em equoterapia e uma equipe multidisciplinar nas áreas da educação, saúde e equitação buscando avanços para o praticante através de objetivos no processo de habilitação e reabilitação…

O cavalo é um animal com um contato muito constante em nossos olhos e através desse contato e o vínculo estabelecido consegue proporcionar estimulações hormonais como a ocitocina, dopamina e serotonina, consequentemente amor, bem estar e estabilidade de humor.

Ao conduzir um cavalo num picadeiro no solo o praticante fica em contato direto com o seu amigo, sendo assim levando na sessão o animal de porte grande, força e beleza que naquele momento está confiando e estabelecendo uma relação de reciprocidade, como também estão caminhando juntos, o praticante realizando um exercício físico como a marcha, equilíbrio, noção espacial, noção temporal, lateralidade, organização, coordenação motora e ainda na companhia do seu amigo cavalo.

Alguns praticantes com diagnósticos motores quando iniciam na equoterapia apresentam medo do cavalo na montaria, não conseguindo um ajuste tônico emocional adequado para a abrangência dos objetivos, portanto o acolhimento, a aproximação e a intervenção de solo é necessária para uma adaptação do praticante.

O cavalo de equoterapia recebe treinamento necessário para a realização das sessões, como aceitação de materiais diferenciados, transposições, barulhos, movimentos alternados em seu dorso e também nas intervenções de solo.

O equoterapeuta não fará uma abordagem de solo por fazer, mas porque percebeu que naquela sessão ou momento de sessão foi necessária a intervenção.

A perspectativa da família para a montaria no cavalo é constante, porém precisa compreender um pouco mais sobre a equoterapia e a importância da abordagem no solo entre o cavalo e o praticante.

 

Conheça o cavalo de equoterapia

Não é só na montaria que o praticante de equoterapia conhece o seu cavalo, porque para conhecer realmente o cavalo que é montado se faz necessário conhecer todo o seu contexto e sua história. Sua cocheira, sua alimentação, seu temperamento, seu trato, sua saúde, o que ele gosta ou não gosta e por fim como posso estabelecer uma melhor relação com este animal de reciprocidade e confiança múltipla…

O praticante não frequenta a equoterapia porque somente gosta de montar o seu cavalo, mas de fato porque gosta do seu cavalo. Mais adiante a família também constrói um grande apreço pelo animal.

O cavalo precisa ser respeitado na quantidade de sessões de equoterapia que exerce em seu dia e no peso em seu dorso que é de aproximadamente 20% do seu peso. Sobrecarregar o animal pode trazer lesões futuras, quadro álgico, claudicações. Respeitar o animal é fundamental!

 

Confira alguns objetivos que conseguimos alcançar na equoterapia de solo:

1. Coordenação motora grossa e fina;

2. Estimulação sensorial;

3. Organização;

4. Equilíbrio;

5. Estabilidade de humor;

6. Sensação de bem estar;

7. Força muscular;

8. Noção espacial;

9. Respiração;

10. Diminuição da ansiedade;

11. Interação;

12. Socialização;

13. Lateralidade;

14. Comunicação;

15. Marcha, entre outros.

 

“No contato com o cavalo estabelecemos a construção de uma amizade, aonde um ser de porte grande com olhares intensos, oferece de si uma relação com objetivos aos quais não imaginávamos que pudéssemos alcançar”

 

 

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Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

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