Inclusão sem consciência é exclusão

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um menino está sentado em sua cadeira de rodas. Ele observa as crianças brincando em um parque de diversões. Fim da descrição.
A inclusão real vai além das adaptações físicas (Foto: Divulgação)

Por: Matheus Racy Mariusso*

Confesso que não me canso de ouvir os relatos dos meus pacientes, refletir e aprender com eles. Há pouco tempo, a mãe de uma paciente com paralisia cerebral e cadeirante me contou sobre sua experiência em um hospital: “fiquei surpresa quando cheguei. Tudo completamente adaptado: rampas e elevadores, estacionamento e banheiros. Mas todos os funcionários, inclusive os médicos, mal olhavam para minha filha, e quando olhavam era com cara de dó”. Paramos então para questionar como a inclusão acontece verdadeiramente. Essa análise é extremamente importante, pois fica nítido em nossa rotina que inclusão sem consciência é exclusão.

Não podemos acreditar que ser uma sociedade inclusiva é uma opção. Ser uma sociedade inclusiva é um dever. Dever dos governos, das entidades públicas e privadas e também de todas as pessoas que compõe essa sociedade e se consideram cidadãos. Porém, estamos passando por um processo de conscientização muito recente e com frequência nos deparamos com frases como ‘essa empresa agora é inclusiva’ ou ‘esse profissional da saúde é inclusivo’. E o que isso significa na prática?

Para realizar a inclusão devemos desenvolver diversos pilares. Mudar estruturas dos prédios públicos e privados, adaptar meios de transporte, disponibilizar tradutores de Libras e materiais em braile (além obviamente de possibilitar o ensino desses), abrir vagas no mercado de trabalho, entre muitos outros. Porém, um pilar é imprescindível: o atitudinal. Como as pessoas enxergam e se posicionam diante da pessoa com deficiência. É esse pilar que impulsiona todos os outros, pois a partir do momento que trabalhamos com a educação e conscientização, a inclusão passa a não ser uma obrigação ou opção, e sim um dever da sociedade.

Para muitos, acreditar que esta inclusão irá acontecer é utópico e que todo esse processo só existirá com leis que regulamentem e obriguem. Sem dúvida em um primeiro momento estas leis são necessárias, porém devem ser acompanhadas de um processo de educação social. Pois a partir do momento em que se trabalha com conscientização, tudo acontece de forma natural. E a inclusão passará a ser um processo comum de desenvolvimento da sociedade, especialmente se este conceito for embutido desde cedo nas pessoas.

É preciso investir nas novas gerações. Trabalhar valores e mostrar que conviver com a diferença é extremamente produtivo e enriquecedor para todos. Mostrar que cada ser humano possui suas qualidades e habilidades, independente de suas condições e que tem direitos e deveres de acordo com suas limitações. Ainda que muitas vezes estes simples direitos sejam desrespeitados e precisem de leis para funcionar, construir rampas de acesso é uma tarefa fácil. Saber enxergar a pessoa além da cadeira de rodas é um pouco mais difícil. A verdadeira inclusão irá surgir aos poucos, com a mudança de pensamento, com educação, conscientização e acima de tudo respeito, afinal ‘diversidade é convidar para a festa, inclusão é chamar para dançar’.

 

 

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