Armamento contra o bullying nas escolas

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um menino está no corredor da escola, sentado no chão, com as pernas cruzadas e a cabeça abaixada. Ele está com as mãos no rosto. Ao fundo, vemos o armário escolar, na cor azul claro. Fim da descrição.
Especialista convoca 'armamento' contra o bullying nas escolas (Foto: Reprodução)

Por: Zilanda Souza

Pesquisadores vêm apontando o uso de um ‘armamento’ necessário nas escolas, que vai atingir diretamente a violência e o bullying, além de prevenir alterações prejudiciais dos estados emocionais dos estudantes.

Não se trata de rifles e fuzis nas mãos de professores. Afinal, não podemos promover aquilo que queremos enfraquecer.

O armamento ao qual me refiro tem calibre pesado e pode alcançar alvos múltiplos. Deve ser manipulado em equipe, é de uso diário. Quanto maior o número de profissionais capacitados para o uso, maior o alcance e poder de transformação. Não fere o corpo. Atua no cérebro.

Bullying na escola

Eu estou fazendo todo esse suspense para falar de ‘Promoção de Saúde Mental’. Esta é a arma. E por que em escolas e não em consultórios psiquiátricos? Porque trata-se de um conceito de saúde anterior ao conceito biológico e de diagnóstico. Ninguém deve esperar de forma passiva pela doença.

A saúde pode e deve ser promovida. Os estados de doença mental podem ser prevenidos e o cotidiano de crianças e adolescentes é o melhor lugar para praticar esse conceito de saúde.

 

Cuidados com a saúde mental

Dados epidemiológicos no Brasil alertam que 10 a 20% das crianças e adolescentes apresentam algum tipo de transtorno mental. Na região Sudeste, um em cada oito estudantes, com idade entre sete e 14 anos, apresenta necessidade de atendimento na área de saúde mental.

A evolução neste conceito de saúde apresenta o enfoque nos estados mentais de risco e na identificação precoce que possibilita intervenção proativa.

A literatura em Saúde Mental identifica a escola como espaço estratégico e privilegiado. Um professor bem formado e sensível pode promover saúde mental como aponta a obra ‘Saúde Mental na Escola’, organizada por Estanislau e Bressan.

Acontece que a escola brasileira ainda trabalha na remediação. É preciso surgir um problema de bullying, para que um projeto seja lançado e um psicólogo que não faz parte da rotina escolar seja convidado para dar uma palestra na escola. A promoção de saúde mental não acontece em projetos esporádicos, com convidados especiais que vão à escola uma vez por ano.

A escola precisa respirar práticas de saúde mental: calendários de ações durante todo o ano, exercício de observação, escuta e treino de habilidades socioemocionais.

Profissionais da saúde devem integrar as ações e periodicamente pediatras, hebiatras e psicoterapeutas devem capacitar e cuidar dos profissionais da educação para que promovam saúde mental em todo o ambiente escolar, a começar pela própria equipe docente. Precisamos de ‘médicos amigos da escola’. Daqueles que se tornam tão amigos, que os alunos acabam chamando de tio, falam sobre sexo, drogas e fazem perguntas capciosas com confiança.

Situações de estresse constante e prejudiciais na rotina escolar devem ser identificadas e substituídas por condutas de leveza, equilíbrio e diálogo. Os pontos de apoio e socorro devem funcionar próximo dos alunos e os mesmos devem ser educados para utilizá-los sempre que necessário.

As famílias devem ser integradas às ações; afinal, não é possível matricular o filho na escola e abster-se da co-responsabilidade que envolve a sua saúde. Eu alerto as escolas que práticas robotizadas, sem afeto, com sistema abusivo de avaliações e currículo ‘inchado’, representam risco pra alunos e professores, impedidos de vivenciar a promoção de saúde mental nestes espaços. Enquanto isso, temos um crescente índice de problemas disciplinares, violência, transtornos mentais envolvendo alunos e professores e o fluxo da aprendizagem comprometido.

Educação não combina com gesso. Pelo contrário, ela é viva, humanizadora e antes de apresentar desempenho, deve exalar saúde.

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