Conheça os sinais e tratamentos da apraxia de fala

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Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, um menino está sentado em um gramado verde, junto com um cachorro. Fim da descrição.
Apraxia pode ocasionar problemas na fala da criança (Foto: SXC.hu/Beth Twist)

Um dos marcos do desenvolvimento do bebê, mais esperados pelos pais, é a aquisição da fala. No entanto, a apraxia da fala pode atrasar esse processo, na primeira infância.

 

Você sabe o que é apraxia de fala?

A apraxia de fala é um transtorno da articulação que ocorre quando há comprometimento da capacidade de programar voluntariamente a posição da musculatura dos órgãos fonoarticulatórios e a sequência dos movimentos musculares necessários para produzir fonemas e palavras, pode retardar esse momento.

Fazem parte dos órgãos fonoarticulatórios os lábios, a língua, o palato mole, o palato duro e dentes. Apesar da normalidade dos sistemas motores, das habilidades de compreensão e cooperação, a criança com apraxia da fala não consegue realizar a programação específica dos órgãos necessários para falar, pois há um envio incorreto de informações para o cérebro planejar e executar certos movimentos envolvidos na fala.

A apraxia da fala atinge cerca de uma ou duas crianças em cada mil. O transtorno atinge mais meninos que meninas (nove meninos para cada uma menina afetada). O que chama a atenção é que no sexo feminino a apraxia da fala costuma ser mais severa que no masculino.

 

Bebê quietinho

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. A neuropediatra Vanessa. Fim da descrição.
A neuropediatra Karina Weinmann (Foto: Divulgação)

Segundo a neuropediatra Karina Weinmann, da NeuroKinder, crianças com apraxia da fala podem ser descritas como silenciosas, já que não se envolvem facilmente nos jogos vocais e nas brincadeiras de imitar os sons.

“Percebemos um atraso na emissão dos primeiros vocábulos, que estão presentes normalmente por volta dos 12 meses, podendo aparecer só após os 19 meses. Quando pensamos em combinação das primeiras palavras, pode demorar ainda mais e só acontecer por volta dos 33 meses, quando o normal seria aos 24 meses”, afirma a neuropediatra.

A criança com apraxia da fala tem a audição normal, usa expressões faciais, gestos, sons não verbais, vocábulos isolados e frases sociais com objetivo de comunicar-se.

De acordo com a fonoaudióloga Ana Carolina Pacheco, não há anormalidade estrutural ou paralisia do mecanismo oral que justifique a ausência da fala.

 

Sinais da apraxia de fala

Além da característica de ser um bebê quietinho, com um balbucio limitado ou pouco variado, podemos destacar alguns outros sinais da apraxia da fala:

  • Repertório reduzido de fonemas (sons);
  • Troca de palavras de forma inconsistente, como chamar a chupeta de ‘pu’ e depois de ‘ba’. Quanto maior a palavra, maior será dificuldade;
  • Monotonia e lentidão da fala;
  • Perda de palavras já usadas, ou seja, a criança conseguir falar uma palavra e não repetí-la;
  • Dificuldades para mandar beijos, sorrir, movimentar a língua para cima, fazer bico e assoprar.

 

Causas e tratamento

A causa específica da apraxia da fala permanece desconhecida, embora alguns estudos na área de genética já mostram que os pacientes acometidos pela apraxia da fala têm alterações em um gene chamado FOXP2, envolvido no desenvolvimento da fala e da linguagem.

No entanto, o diagnóstico final só pode ser fechado a partir dos três anos de idade. Por isso, é importante que os pais fiquem atentos aos marcos do desenvolvimento da fala para acompanhar o progresso da criança.

“Se houver algum tipo de atraso, o ideal é procurar um neuropediatra para avaliar e encaminhar para o fonoaudiólogo”, explica Ana Carolina.

A terapia fonoaudiológica é a melhor opção para ajudar o paciente a dominar o controle voluntário para programar a posição correta dos órgãos fonoarticulatórios, para produzir corretamente os fonemas e as palavras.

“A evolução do tratamento da apraxia da fala é lenta e requer muita dedicação do paciente, do profissional terapeuta e principalmente da família, já que são dados exercícios que devem ser praticados intensivamente, durante todos os dias. Cada criança irá responder de uma maneira ao tratamento. Outro ponto é que se quando há outros transtornos associados à apraxia, o resultado também é variável”, explica Ana Carolina.

“De qualquer forma, o mais importante é que a intervenção terapêutica comece o quanto antes, pois quanto mais cedo maiores as chances de melhora do quadro. Além disso, a escola tem função essencial no processo terapêutico e deve estar envolvida com o neuropediatra, o fonoaudiólogo e a família”, conclui Karina.

 

 

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