Dicas de ouro para o sucesso do ensino na sala de aula

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Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na horizontal. Uma sala de aula, vista da mesa do professor. Em cima da mesa estão objetos como porta-lápis e livros. Ao fundo vemos uma parede com vários trabalhos dos alunos, expostos. Fim da descrição.
Especialista dá dicas para educadores sobre o sucesso de ensino na sala de aula (Photo by Celia Ortega on Unsplash)

Por: Zilanda Souza

Todas as vezes que aplicamos de forma eficiente um conhecimento, mostramos que houve sucesso do ensino na sala de aula, e de fato aprendemos esse conhecimento.

Nesse processo de mostrar o que aprendeu, seja na prova ou na vida diária, está implícito o funcionamento de um sistema importante: a memória.

 

Como alcançar o sucesso do ensino?

A capacidade de evocar e aplicar novas aprendizagens demonstra que nossa memória está em pleno funcionamento.

As licenciaturas e os cursos de pedagogia deveriam inserir conteúdos de neurociência e, especialmente, o funcionamento de memória em seu projeto curricular. Afinal, a profissão de professor trabalha com o objetivo em aprendizagem e aprendizagem pressupõe pleno funcionamento de memória. Esse conhecimento pode impactar a gestão do tempo de ensino na sala de aula.

 

Curva do esquecimento

Em seu estudo sobre Aprendizagem e Memória, Rodrigo Pavão do departamento de fisiologia da USP, cita o alemão Hermann Ebbinghaus e sua contribuição sobre funcionamento da memória a partir da ‘Curva do Esquecimento’.

Rodrigo afirma que o estudo de Ebbinghaus continua atual e aponta para o decaimento exponencial das lembranças no decorrer do tempo. Ou seja, após o primeiro contato com a nova experiência de aprendizagem, o indivíduo tende a esquecer gradativamente essa experiência.

A permanência do novo conhecimento na memória depende da repetição e envolvimento do aprendente com a nova experiência. O estudo aponta para a necessidade de oportunizar a repetição e novas experiências que envolvam o mesmo objeto de ensino para os alunos.

 

Mas, como colocar em prática?

Como ficariam então o esquema de novas experiências revisionais dentro da sala de aula intervindo na curva do esquecimento?

Seria necessário a promoção de pelo menos três experiências dentro de uma semana e uma nova experiência dentro de um mês.

Um novo conhecimento deveria passar por, pelo menos, quatro experiências de repetição e revisão antes de ser avaliado. Uso a palavra ‘experiência’ para provocar o ensino a partir da abordagem multissensorial e não de aulas puramente expositivas.

Agora vamos pensar num exemplo de gestão dessa experiência dentro do mês de março, na disciplina de Língua Portuguesa, que possui quatro aulas semanais.

Em um mês, sem feriados e sem ensaio para festa junina, teríamos então 17 aulas de Língua Portuguesa. Vamos supor que o professor retire um dia para avaliação, então temos 16 aulas para o ensino.

Se considerarmos que, esse mês tem duas aulas direcionadas para a revisão do ensino do mês anterior, então agora temos 14 aulas para novos ensinos. Se vamos oportunizar três experiências dentro do mesmo conteúdo, então podemos pensar em quatro novos ensinamentos para esse mês, garantindo as experiências necessárias para intervir na curva do esquecimento.

 

Dicas de ouro

Não estou abordando aqui situações específicas de alteração no funcionamento da memória que podem não responder a esse estímulo e demandar de um fluxo menor de novas informações e mais repetições. Também não estou reduzindo o processo de ensino a simples repetições.

Se ao ler esse artigo você se sentiu provocado e interessado em estudar mais neurociência e funcionamento de memória, então já alcancei meu objetivo. O professor precisa conhecer como funciona seus alunos, precisa ter consciência do tempo real que lhe é disponível para o ensino e saber escolher com objetividade o que é possível ensinar com eficiência nesse período, inibindo a possibilidade de esquecimento apontada por Ebbinghaus..

O que quero provocar nesse artigo é o despertar da atenção necessária para uma análise de currículo, tempo de ensino e funcionamento de memória. Uma disciplina como língua portuguesa, que tem o privilégio de ter uma carga horária maior, apresenta uma dinâmica mais favorável para conter o processo de esquecimento. Agora imaginem as disciplinas que possuem aulas duas ou três vezes por semana. Qual é a possibilidade real de ensino? Como tem sido a gestão dessas áreas de conhecimento? Qual é a qualidade de ensino que precede ao período das avaliações? Todos os professores têm a mesma oportunidade de ensinagem? Como a gestão do tempo escolar tem impactado a aprendizagem dos nossos alunos?

 

 

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