O trabalho da assistente social na equoterapia

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Descrição da imagem #PraTodosVerem: Imagem no formato quadrado. O setting de equoterapia. Vemos, em primeiro plano, uma cadeira de rodas. Em segundo plano, vemos uma criança, montada no cavalo, durante a sessão de equoterapia. Fim da descrição.
A sessão de equoterapia vai muito além do cavalo (Foto: Divulgação)

Por: Eliane Baatsch*

Quando falamos em equoterapia, já vem em mente o cavalo e a pessoa com deficiência, além dos profissionais de fisioterapeuta, psicologia, pedagogia e o instrutor de equitação. Porém, em alguns centros especializados, existe também o trabalho do assistente social na equoterapia.

O trabalho do assistente social com os familiares e as pessoas com deficiência é muito importante para a equoterapia, pois auxilia no processo de acolhimento, escuta, fortalecimento de vínculos e no encaminhamento para rede de serviços socioassistencias.

 

O atendimento do assistente social

O encontro em grupo com o assistente social se torna imprescindível para a organização, a troca de experiências, e também para criar vínculos de amizades, compreender as dificuldades vividas pelos outros e as formas de enfrentamento dessas dificuldades, avaliando as demandas e as expectativas do atendimento.

A importância de trabalhar com o grupo de famílias está em encorajar as famílias, com a finalidade de que elas percebam que existem outras pessoas que vivenciam situações semelhantes, fortalecendo assim a solidariedade no grupo.

Visto um setting terapêutico que prioriza as pessoas com deficiência, se faz necessário um trabalho ao qual a família também tenha um embasamento técnico, apoio aos direitos, participe de programas específicos, conheça e contribua com o grupo estabelecido. Os atendimentos individuais também são necessários e abrangem particularidades, que não podem ser realizadas em grupo.

 

Como a família pode ajudar o assistente social

A participação da família vai além de apenas levar o praticante para as sessões de equoterapia. É preciso se responsabilizar, se sensibilizar, lutar, mesmo com as dificuldades amplas decorrentes da patologia do ente atendido.

Não basta apenas ir à sessão de equoterapia para garantir a presença. É fundamental se efetivar como membro e cidadão do setting terapêutico, sendo participativo nos conselhos de seu município, para a elegibilidade de atuações governamentais em prol da pessoa com deficiência.

 

Muito além do ‘social’

Existem várias famílias com vulnerabilidade socioeconômica e em situações pendentes na resolução de benefícios ou programas do governo, que precisam ser orientadas e auxiliadas. Portanto, a assistente social, quando alocada em um centro de equoterapia, também tem um papel importante para ajudar as famílias com alguns encaminhamentos específicos.

Em muitos casos, pais e cuidadores acabam deixando suas necessidades de lado, em prol dos cuidados de seus filhos ou entes. Isso se refere, inclusive, no que se refere ao acolhimento, à escuta e à orientação. Por isso, o papel do assistente social se faz necessário para auxiliar no processo de reorganização familiar e ajuda na superação dos obstáculos cotidianos.

Cada cuidador traz uma história, seja esta de vitória ou de decepções, porém a maioria busca auxílio perene, que possa lhes trazer resultados. Isso porque, eles mudam de residência, trocam de carro, o pai tem mais de um emprego, a mãe para de trabalhar, ou até mesmo a mãe assume o filho sozinha, não podendo trabalhar dependendo do benefício governamental e dos familiares.

 

Mas, o que tiramos disso?

As famílias que não têm condições de cuidar adequadamente de seus filhos por vulnerabilidade social, econômica ou emocional, os encaminham para as instituições. Quantas histórias, uma mais emocionante que a outra, enfocando valores, sonhos, anseios, expectativas, desilusões, soluções, mudanças, luto, dificuldades e luta. Muita luta!

Afinal, não é só a pessoa com deficiência que necessita de assistência, escuta e dedicação. As famílias, com seus cuidadores, também precisam ser assistidas.

Mudei de cidade, o meu esposo está sustentando a casa sozinho, pois precisei parar de trabalhar para acompanhar meu filho nas intervenções terapêuticas e hoje estou triste porque o meu filho recebeu alta do atendimento. Várias histórias permeiam esse contexto de luta, decepção, vitórias e retomada do caminho.

Agradeço as assistentes sociais Sidnea Mendes, de Carapicuíba (SP) e Maria Lourdes Neves Vieira, de Belo Horizonte (MG), que colaboraram na elaboração deste artigo.

 

“Quando as forças se unem, todos os ângulos são valorizados, assistidos, acolhidos e escutados, a equoterapia se enobrece num trabalho multidisciplinar”

 

VIEIRA, M. L. N. Participação dos Cuidadores na Equoterapia. In: SOARES, D. F. G. Equoterapia Teoria e Prática no Brasil. 01ª ed. Caratinga – Minas Gerais: FUNEC, 2013, v. 01, p. 541-554.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, Eliane está ao lado de seu cavalo. Fim da descrição.
Foto: Augusto Moraes

*Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

 

 

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