Pessoas com paralisia cerebral não são eternas crianças

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um menino com paralisia cerebral está em seu andador. Ele está em uma espécie de parque. Ao fundo é possível ver um gramado verde. O menino tem pele clara e cabelos pretos, lisos e curtos. Fim da descrição.
Especialista aborda os estigmas das pessoas com paralisia cerebral (Foto: Divulgação)

Por: Matheus Racy Mariusso*

No dia a dia clínico nos deparamos com situações que são reflexo de todos os estigmas que ainda circundam a paralisia cerebral. Não são raros os casos em que vejo profissionais da saúde e até mesmo a família e/ou os cuidadores tratando todas as pessoas com paralisia cerebral de maneira infantilizada. E nesse processo de conscientização e de inclusão é preciso reforçar a ideia que pessoas com paralisia cerebral não são eternas crianças.

Este comportamento surge pela ideia que estas pessoas carregam por toda vida características como fragilidade, inferioridade e inocência. Tais atributos estão também intimamente ligados às crianças, portanto mesmo de maneira inconsciente a sociedade enxerga na pessoa com paralisia cerebral, uma criança grande.

Este pensamento gera, por exemplo, atitudes repetitivas como se referir às pessoas no diminutivo (bonitinho, fofinho), falar diretamente de maneira infantilizada, utilizar roupas mais infantis, além de reprimir todos seus direitos de escolhas. Tudo isso ocorre de maneira natural, sem perceberem que se o adulto não tivesse paralisia cerebral estas ações não seriam frequentes.

Porém, é extremamente necessário nos policiarmos para que este comportamento não se repita. Quando se infantiliza um adulto, automaticamente, está o subestimando, o que atrapalha diretamente o desenvolvimento de sua autonomia, pilar fundamental para a inclusão social que tanto buscamos. É preciso dar o direito das pessoas fazerem escolhas, e entender que cada escolha tem consequências. É lógico que cada pessoa com paralisia cerebral apresenta uma personalidade e também diferentes limitações (que muitas vezes podem ser avançadas), e isso também deve ser considerado. Porém o principal é entender que aquela pessoa que esta ali, recebendo o cuidado, não é uma ‘criança grande’.

É importante acreditar que eles crescem independente das características que cada um desenvolve diante de sua condição e deficiência. Adultos têm sonhos, medos, anseios, expectativas, responsabilidades, direitos e deveres. Adultos com paralisia cerebral também os têm.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Nela, está o doutor Matheus. Ele é um homem de pele branca e com cabelos e barba castanhos. Ele usa um jaleco branco e está sorrindo. Fim da descrição.
Foto: Naira Martins

*Matheus Racy Mariusso é cirurgião-dentista e palestrante. Mestre em Odontopediatria, atua com crianças e pessoas com deficiência, buscando fortalecer o elo entre saúde, qualidade de vida e inclusão.

 

 

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