Setting terapêutico na equoterapia

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A equipe de equoterapia durante o atendimento de pacientes com deficiência. Na imagem vemos dois cavalos, um branco e um marrom. Ambos estão em atendimento. Fim da descrição.
Atendimento da equipe de equoterapia da Hípica Santa Terezinha (Foto: Cesar Greco)

Por: Eliane Baatsch

A expectativa da família, quando o praticante inicia na equoterapia, é muito ampla, pois despende de uma gama de objetivos para serem alcançados, desde quadros motores, como a marcha, a quadros comportamentais, como a linguagem. Vale ressaltar a importância da ética no ambiente terapêutico e a orientação à família sobre o setting terapêutico na equoterapia e seu alcance em relação às expectativas da intervenção.

A queixa da família é muito importante para a percepção do terapeuta na construção do prognóstico de atendimento como nos objetivos primordiais a serem alcançados, porém não podemos esquecer que para a equoterapia avançar nos objetivos traçados depende de todo um contexto familiar, médico, escolar, social, terapêutico e individual do praticante. Portanto, a ética predomina nas informações aos familiares em relação ao prognóstico e o seu desenvolvimento terapêutico.

No decorrer dos atendimentos, podemos observar o aparecimento de objetivos atingidos e os concomitantes também que, mesmo não traçados de imediato, se inseriram naturalmente no processo de reabilitação ou habilitação da pessoa com deficiência.

Setting terapêutico 

O setting terapêutico é influenciado e preparado de acordo com o contexto de organização da equoterapia, desde a queixa da família, a construção do prognóstico da intervenção terapêutica, como a escolha do cavalo ideal, equipamento de equoterapia, equipamento fisioterapêutico, pedagógico, tecnologias assistivas, terapeuta, picadeiro e intervenção no solo, entre outras organizações.

Nem sempre o cavalo utilizado para a criança será utilizado para o adulto, como para o quadro cognitivo, motor ou comportamental. O cavalo tem uma estrutura muscular e física que comporta no máximo 30% do peso dele, sendo o ideal 20% para a equitação ou equoterapia. Contudo, o excesso de peso no dorso do cavalo, além de causar dores e lesões no animal incitando comportamentos inadequados relacionando até em falta de segurança ao praticante, tem sua andadura com o movimento cinésioterapêutico prejudicado. Algumas pesquisas têm apresentado a diminuição do movimento tridimensional da andadura do cavalo, através do excesso de peso em seu dorso.

Para os quadros motores precisa ser relevada a necessidade da montaria dupla com o praticante na habilitação e reabilitação, ou se faz necessário um trabalho concomitante com outras intervenções terapêuticas para o ganho e sustentação do controle cervical e/ou de tronco antes do direcionamento na equoterapia.

Aos quadros cognitivos e comportamentais a necessidade da montaria dupla muitas vezes aos praticantes pequenos só se faz na fase da adaptação, quando não se tem uma associação motora no diagnóstico.

Sabemos que quando o praticante já realiza montaria individual, o olho no olho com o terapeuta e equipe melhora a interação, comunicação, socialização e as relações, além da conquista mais rápida da autonomia, autoconfiança, autoestima, organização e equilíbrio, entre outros objetivos.

Algumas literaturas da equitação, hipologia e etiologia equina nomeiam o cavalo como presa explicando o comportamento, comunicação, anatomia, empatias, sociedade, ajudas naturais e artificiais, biomecânica e sistema digestório, entre situações até sobre o manejo adequado do animal, porém o animal de equoterapia vem quebrando tabus em relação as construções realizadas através do relacionamento com os praticantes e equipe na equoterapia.

E alguns estudos aplicados demonstram que a equoterapia e a relação do praticante com o cavalo, consegue ativar hormônios importantes ao bem-estar, interações, socializações e estabilidade de humor.

O setting terapêutico é muito importante na equoterapia, porque segurança, ética e profissionalismo precisam perdurar o tempo todo. Cavalo, equipamento, terapeuta, local inadequado, podem proporcionar de vez benefícios ao praticante, riscos. E a habilitação como a reabilitação são processos únicos e importantes no desenvolvimento global seja da criança ou adulto que realize a equoterapia.

A intervenção de solo é importante na construção da relação do cavalo com o praticante, não adianta só realizar a montaria sem ao menos conhecer o seu animal, do que ele gosta ou não, seus comportamentos e reações. A família precisa respeitar esse processo, sem excesso de cobranças ao praticante tanto para desenvolvimento motor, comportamental ou cognitivo.

‘Às vezes a expectativa da família para a montaria no cavalo é muito maior do que a do praticante. A conquista, as relações entre o cavalo e o praticante precisam existir! Tudo acontece no tempo certo e é construído gradativamente!”

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, Eliane está ao lado de seu cavalo. Fim da descrição.
Foto: Augusto Moraes

*Eliane Cristina Baatsch é pedagoga e psicopedagoga, especializada em deficiência múltipla. Atua como equoterapeuta, coordenadora da Hípica Santa Terezinha, instrutora de equitação clássica, equitação para equoterapia e de volteio terapêutico, e também como presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Carapicuíba (CMPD).

 

 

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