Meu filho não sabe esperar: como posso ajudá-lo?

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Uma lousa verde, em formato de nuvem, com um capelo na parte superior e um giz branco, na parte inferior. Fim da descrição.
Especialista explica como lidar com a ansiedade das crianças (Foto: Divulgação)

Por: Zilanda Souza*

Ouço em clínicas, escolas e nas rodas de conversa: “meu filho não sabe esperar”; “meu filho não conclui projetos”; “meu filho não realiza sonhos”. Por vezes, essa dificuldade é marginalizada e nossos adolescentes são rotulados de adjetivos nada agradáveis e que não ajudam em nada.

O imediatismo ligado à impulsividade, é uma dificuldade que pode colocar nossa juventude em situações difíceis. Aprender a adiar uma gratificação imediata em prol de uma realização maior e melhor, mais adiante, é um exercício mental que envolve o recrutamento de diversas habilidades executivas. Acontece que, nem sempre, essas habilidades estão em pleno funcionamento no sistema nervoso e podem comprometer a vida diária.

Precisamos ensinar nossos filhos a esperar. Mas não se trata de uma espera vazia, passiva, sem expectativa. Ninguém deixa um prêmio imediato sem vislumbrar um prêmio maior.

É preciso provocar exercícios mentais desde a infância que acionem mecanismos da memória de trabalho não verbal das nossas crianças. Eu vou dar um exemplo que eu vivi e vivo com meus filhos.

Quem não usou a técnica do cofrinho? Juntar dinheiro no cofre é uma das técnicas mais concretas de ensinagem sobre saber esperar. Eu uso sempre. No início eles conseguiam juntar por uma semana, por um mês, hoje já conseguem juntar por um ano, sem interromper a meta. Mas não foi sempre fácil esperar chegar a data certa para usufruir dos benefícios que aquela espera poderia proporcionar. Muitas vezes, a mãozinha nervosa, queria obedecer a mente cheia de impulsos para alimentar o desejo pela recompensa imediata! Interromper o acúmulo das moedas e comprar o brinquedinho que surgiu na banca seria atender ao desejo da gratificação imediata, porém perderia a grande gratificação final, que lhe proporcionaria um valor maior para adquirir o brinquedo da banca e ainda conseguir outras aquisições.

Quando não saber esperar torna-se um problema crônico, temos um problema ampliado: na infância eles não conseguem adiar o desejo imediato para cumprir a meta do cofrinho, na adolescência eles não conseguem reduzir tempos de prazeres para se preparem melhor para os vestibulares e na juventude eles não conseguem reduzir o excesso de vida noturna, baladas e uso de álcool para concluir a vida acadêmica e então usufruírem da realização de atuar na profissão tão sonhada. Alterações no funcionamento desta habilidade podem provocar sérios danos.

Como aprimorar a habilidade de espera dos nossos filhos? O autor Russell Barkley afirma que o autocontrole se estabelece de fora para dentro. Ou seja, o ambiente e as relações da criança vão ajustando e treinando seu autocontrole. Por outro lado, o neurocientista Vilayanur S. Ramachandran, afirma sobre a interferência negativa dos ambientes e das relações, provocando maior rigidez e dificuldades no processo de aquisição de novas habilidades. Isso nos faz pensar sobre qual ambiente e quais níveis de relações estamos oferecendo para que nossas crianças construam seu autocontrole?

 

Vou listar algumas sugestões que podem nos ajudar nesse desafio:

  1. Não atenda imediatamente às solicitações das crianças;
  2. Ensine a criança a questionar o seu próprio desejo. Faça boas perguntas: Por que você quer comprar esse carrinho agora? O que você vai ganhar se comprar esse carrinho? O que você vai perder abrindo o cofre antes da data estabelecida? Você consegue imaginar como será no Natal, seu irmão abrindo o cofre dele, cheio de moedas e você abrindo o seu cofre com moedas abaixo da metade? Como você vai se sentir? Como estará no Natal, o carrinho que você quer comprar agora? Será considerado um novo presente? Tudo bem para você? (Esse exercício, aciona a memória de trabalho não verbal, especificamente a antevisão);
  3. Não estimule o imediatismo. Crianças viciadas em comportamentos imediatistas, não exercitam a habilidade de pensar e de inibir impulsos;
  4. Comece o exercício da espera reflexiva usando tempos curtos e devagar vá ampliando o tempo de espera;
  5. Ensine seu filho a visualizar o tempo de espera. Use, por exemplo, o calendário ou o relógio para colorir;
  6. Exercite a distração para driblar desejos de gratificação impulsiva;
  7. Permita que seu filho se frustre, chore e até fique triste. Mas, não impeça que ele aprenda a esperar. Não mude sua decisão, para satisfazê-lo imediata e impulsivamente.

 

Convivendo em ambientes assim, nossas crianças são treinadas na arte da espera reflexiva. Elas aprendem a exercitar a habilidade de antecipação, conseguem adiar um prazer imediato para alcançarem um grande prêmio. São exercícios simples assim, que formam homens e mulheres realizadores de sonhos, felizes, determinados, autocontrolados e preparados para viver com responsabilidade.

Quero convidar você que é papai ou mamãe de crianças que vão para o 6º ano do Ensino Fundamental, para conhecer meu Programa de treino em funções executivas SUPER 6º ANO. Neste programa, profissionais especializados, treinam habilidades executivas e preparam nossas crianças para vencer desafios na escola e na vida.

Os interessados devem enviar e-mail solicitando outras informações para: [email protected].

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Nela, Zilanda Souza está sentada à frente de uma mesa, e segura alguns de seus livros: Brincando de Palavrear e o livro do programa de treino em funções executivas Super 6º Ano. Fim da descrição.
Foto: Vítor Beltrame

*Zilanda Souza é mãe, professora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica e doutoranda em saúde coletiva. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.

 

 

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