O plano de desenvolvimento escolar das crianças com autismo

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma lousa preta com um desenho, feito com giz branco, de uma nuvem de ideias com a ilustração de uma lâmpada. Fim da descrição.
Em comemoração ao Dia do Professor, confira o plano de desenvolvimento para crianças autistas (Foto: Pixabay)

Por: Zilanda Souza*

As crianças com autismo têm direito a um currículo individualizado, que atenda sua condição peculiar. Essa ferramenta, quando bem elaborada e utilizada pela escola, permite acompanhar o processo de ensino e aprendizagem dessas crianças, num contexto inclusivo, reconhecedor das diferenças e ainda proporcionando desenvolvimento. Neste artigo, vou utilizar a sigla PDI, que representa: Plano de Desenvolvimento Individual, para nomear essa ferramenta.

O PDI não é um documento simplesmente para arquivo pedagógico. Ele caminha junto com os livros didáticos, planejamento de aulas e reflexões do professor. Está presente em reuniões pedagógicas, conselhos de classe. É o parâmetro apropriado para avaliar a criança autista, dentro do que foi proposto exclusivamente para ela e dentro do que ela alcançou no período.

Analisando modelos de ferramentas que algumas escolas usam, registrei observações que considero importantes sobre o PDI:

  • Não é um documento sigiloso. Ele é um currículo e como todo currículo deve estar acessível a pais e equipe profissional que atende a criança;
  • Não é uma anamnese, não deve conter informações sigilosas, que exponham a intimidade ou causem constrangimento;
  • O monitor que acompanha a criança, dentro da sala de aula, deve conhecer e utilizar a ferramenta em seu trabalho diário;
  • Deve ser elaborado dentro de uma estrutura prática e norteadora na tomada de decisões. PDI não é monografia, nem dissertação de mestrados;
  • Deve ser elaborado dentro de um vocabulário objetivo e simples, afim de atender a todos os grupos que lidam diretamente com a criança, inclusive a família;
  • Deve ter prazo de validade para revisão e estabelecimento de novas metas. Nada no PDI é fixo. Todas as considerações estão relacionadas ao momento atual da criança que pode e deve ser modificado após estímulo/treino;
  • Deve ser construído com a participação de toda a equipe que acompanha a criança;
  • Os profissionais da educação devem estar atentos às informações relatadas pelos profissionais da saúde quando forem definir estratégias, manejos e condutas com a criança;
  • PDI não é simples redução de conteúdos a aprender.

 

Ter o direito a um Plano de Desenvolvimento Individual para a criança autista é um grande ganho para a inclusão. Porém, o direito legal não ensina a construir a ferramenta muito menos a torná-la efetiva na prática escolar. É preciso estudar o transtorno, é preciso vincular a ferramenta ao cotidiano escolar e as práticas do professor e do monitor. Este é o grande desafio!

Pensando nesse desafio e desejosa de presentear os professores e monitores que trabalham com crianças autistas, pensei numa ferramenta que atendesse ao objetivo prático e norteador do ensino e aprendizagem destes alunos em sala de aula.

Não a considero perfeita, nem conclusiva. O espectro autista tem uma enorme variação sintomática e esse fator interfere bastante nas condutas e estratégias. O que elaborei para vocês, na verdade, foi uma estrutura básica, que penso atender ao monitoramento do processo de ensino e aprendizagem. Desejo que vocês experimentem, que promovam discussões e análises em relação a outras ferramentas. Deixe seu recadinho quando terminar essa análise. Terei o maior prazer em ler e responder a todos. Se vocês gostarem, na próxima semana, vou falar sobre o ‘Diário de Bordo’, que deve ser utilizado pelo monitor da criança autista.

 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O ARQUIVO DO PDI

 

Um beijão em você que é professor ou monitor escolar de uma criança autista. Considere-se um profissional da educação acima do padrão! Feliz Dia do Professor!

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Nela, Zilanda Souza está sentada à frente de uma mesa, e segura alguns de seus livros: Brincando de Palavrear e o livro do programa de treino em funções executivas Super 6º Ano. Fim da descrição.
Foto: Vítor Beltrame

*Zilanda Souza é mãe, professora, especialista em psicopedagogia e neuropsicopedagogia. Autora do livro ‘Brincando de Palavrear’, coordenadora da pós-graduação em neurociência aplicada a avaliação e intervenção psicopedagógica e doutoranda em saúde coletiva. Diretora da Espaço Vida em Minas Gerais e no Distrito Federal. Atua em pesquisa voltada para a intervenção em funções executivas em crianças do ensino fundamental anos finais.

 

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