Bodybuilding e fisiculturismo adaptados

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. O fisiculturista Rafael da Silva e Sousa com Arnold Schwarzenegger durante o Arnold Classic Brasil. Fim da descrição.
Rafael com Arnold Schwarzenegger na Arena Paradesportiva do Arnold Classic Brasil (Foto: Rodrigo Dod)

Por: Adriana Dutra*

Modalidades que representam a busca do equilíbrio entre o corpo e a mente, e do físico perfeito, bodybuilding e fisiculturismo têm origem na Grécia Antiga no ano 500 AC, entre os atletas olímpicos que praticavam musculação, como é possível perceber nas esculturas da época que refletem a sua percepção de forma humana perfeita: músculos grandes e bem definidos, em proporção e equilíbrio.

 

A construção de um físico perfeito

A categoria cadeirante foi reconhecida pela IFBB em 2006, com o atleta Nick Scott, que tem um papel fundamental no crescimento e divulgação da modalidade pelo mundo.

A prática da musculação aumenta a força, desenvolve os músculos e reduz a gordura do corpo. Quando o cadeirante está mais forte na parte superior do corpo, consegue manobrar a cadeira de rodas com mais facilidade e realizar atividades da vida diária com mais independência. A prática regular melhora a saúde cardiovascular, aumenta o vigor, a resistência e a autoestima, o atleta fica mais focado em suas habilidades do que na deficiência.

Ser um bodybuilding não é simplesmente construir um físico musculoso, simétrico e com baixa gordura corporal, é acima de tudo o aperfeiçoamento do organismo, é ensinar o corpo a se tornar uma máquina mais inteligente, é fazer com que ele aproveite as calorias ingeridas de forma mais eficiente, queimando o excesso de calorias ruins e usando as calorias boas para construir tecido magro.

Isso não acontece do dia para noite, leva muitos anos. São anos de treino e dieta, anos de consistência e disciplina para que ele se torne mais eficiente a cada dia.

Nas competições todos os atletas da categoria tem que ser usuários de cadeira de rodas. A apresentação pode ser de forma coletiva ou individual, o fisiculturista é observado e julgado por quatro critérios, três objetivos (volume, definição e proporção) e um subjetivo (harmonia) que é utilizada também para desempate.

 

Entenda as modalidades

. Volume muscular: o atleta deve apresentar grande massa muscular;

. Definição: ter pouca quantidade de gordura entre a pele e os músculos, para facilitar a visualização dos contornos musculares;

. Proporção corporal: o corpo todo deve apresentar desenvolvimento proporcional, a irregularidade de alguma parte desqualifica o candidato. Quem contar com a maior somatória desses três critérios será o vencedor, ou no caso de empate utiliza-se o quarto critério;

. Harmonia: simetria e harmonia corporal, o conjunto das formas do atleta. O melhor shape cintura fina, tórax grande, ombros largos, têm mais chances.

 

As competições

Os homens competem em categorias de peso leve, médios e pesados, enquanto as mulheres concorrem em uma única classe.

Para desenvolver a definição muscular necessária para atingir um shape perfeito, muitos competidores treinam diariamente, concentrando-se em uma parte diferente do corpo em cada sessão. Mantém uma dieta rigorosa, com muita proteína para o crescimento muscular e baixa gordura para melhorar a definição, suplementos muitas vezes são necessários para complementarem as necessidades nutricionais. Um nutricionista é essencial para verificar a dieta certa para cada atleta.

Tem que ter muita disciplina, esforço e determinação, para a construção e manutenção do shape, os atletas antes de cada competição exigem o extremo do seu corpo, sendo fundamental o acompanhamento de profissionais, para atingir o melhor resultado.

 

Confira a seguir a entrevista com meu querido amigo Rafael da Silva e Sousa, campeão brasileiro de bodybuilding – IFBB/ 2017

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. O fisiculturista Rafael da Silva e Sousa, atual campeão brasileiro de bodybuilding, durante uma de suas performances. Fim da descrição.
O fisiculturista Rafael da Silva e Sousa é o atual campeão brasileiro de bodybuilding (Foto: Divulgação)

O que o esporte representa na sua vida?
O fisiculturismo é uma grande válvula que me move em direção aos meus sonhos. Hoje é praticamente meu plano profissional e estilo de vida se não for o caso de viver disto.

Como conheceu a modalidade e como ela passou a fazer parte da sua rotina?
Eu sempre quis fazer musculação, sonho de criança ser forte estas coisas, comecei com 20 anos e aos 24 passei a competir. Por se tratar de uma modalidade que despende bastante investimento conto com o apoio dos meus patrocinadores: Fabio Caverna, Blackskull Heavy Sports Nutrition e Manipulart Farmácia de Manipulação e Homeopatia. Esses patrocínios são fundamentais para a evolução e continuidade do meu trabalho.

O que mais te motivou a praticar esporte?
Qualidade de vida. Porém, o esporte me trouxe muito mais benefícios além da qualidade de vida como o fato de ter me tornado uma pessoa muito mais comunicativa, tolerante e, inclusive, despertando outros interesses como o estudo.

Nos dias atuais sabemos que ainda existe muito preconceito. Isso te afeta de alguma forma? Como você lida com isso?
Não! Não afeta, lido com indiferença. Até porque, ao mesmo tempo que existe o preconceito recebo também muito carinho e reconhecimento pelo meu trabalho o que faz tudo valer a pena.

As pessoas com deficiência hoje estão mais em evidência. Na sua opinião, o esporte contribui para isso?
Sim! Com certeza. O esporte tem a capacidade de transformar o dia a dia de qualquer pessoa trazendo inúmeros benefícios para a saúde do corpo, da mente e, consequentemente, fazendo com que pessoas com deficiência também se destaquem como um todo.

Deixe uma mensagem aos leitores que gostariam de praticar esporte ou que estão iniciando a carreira.
É clichê, mas é a maior verdade. Você precisa acreditar em si mesmo e lutar todos os dias para atingir seus objetivos, porque a maior limitação está na mente e não na sua estrutura física.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato quadrado. A imagem está em preto e branco. Nela está a colunista Adriana Dutra. Adriana é morena, tem cabelos castanhos longos e lisos. Ela usa uma blusa preta e sorri. Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Adriana Dutra é advogada, presidente da Atitude Paradesportiva, ONG que ajudou a criar em 2010. Atua com esporte adaptado há 10 anos, incentivando a prática de atividade física, dando oportunidade de treinamento e organizando eventos para a divulgação e fomentação das modalidades adaptadas.

 

 

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