Inclusão escolar: conviver com as diferenças faz bem

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma linda menina que tem síndrome de Down. A menina é morena, e tem a pele clara. Ela tem cabelos castanhos, compridos, que estão penteados em duas tranças laterais. Ela está sorrindo e usa uma blusa branca com detalhes na cor rosa. Ao fundo vemos o céu azul. Fim da descrição.
Inclusão educacional de pessoas com síndrome de Down requer atenção e afeto (Foto: Divulgação)

Por: Leonardo Gontijo*

Apesar de todo o aparato legal, como a publicação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e 26 anos após o nascimento do meu irmão, posso afirmar que conviver com as diferenças faz bem a todos e isso se insere na inclusão escolar. Mas, apesar disso ser algo tão claro, ainda nos deparamos com escolas que negam a matrícula para pessoas com síndrome de Down.

Uma das principais bandeiras do Instituto Mano Down é a luta por uma escola realmente inclusiva.

 

Relato da inclusão escolar do meu irmão

Após 17 negativas e muita frustração, meus pais conseguiram uma escola que recebesse o Dudu. A primeira escola dele foi a Criatividade, que fica próximo da nossa casa, no bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte (MG).

Segundo meus pais, foi a única escola que aceitou recebê-lo com carinho e sem discriminação. Nessa época, eles viveram momentos de muita tristeza, mesmo estando preparados para as dificuldades de se conseguir uma vaga nas instituições ditas normais.

Foram muitos os senões, as negativas, as desculpas, as explicações. Foi, particularmente difícil e triste receber o não de uma escola tradicional de Minas. Para o meu pai, que se sacrificou para oferecer uma educação de ponta para os três filhos, foi um balde de água fria, uma demonstração de que as instituições e, em última instância, a sociedade de um modo geral, estão despreparadas para conviver com as diferenças.

O colégio que meu pai escolheu para seus três primeiros filhos, rejeitou peremptoriamente a possibilidade de o Dudu estudar lá, o que acabou resultando em uma ação judicial que não prosseguiu porque meu pai desistiu. Era resistência demais. Era muito sacrifício e frustração para continuar.

A desinformação é patente e as desculpas variadas. No caso da rejeição ao Dudu, as principais explicações foram falta de preparo dos professores; falta de infraestrutura; falta de garantia de resultados; receio de que os demais alunos pudessem maltratá-lo e a impossibilidade de ter alguém para controlar a situação; necessidade de inúmeros testes e exames, inclusive de laudo médico para conhecer as condições da saúde da criança, bem como de laudo psicológico para avaliar a capacidade de convivência do aluno com as demais crianças; ele teria que chegar mais tarde e sair mais cedo para que outros pais não o vissem na escola; e pressão dos pais dos ditos alunos típicos.

Infelizmente, nem todas as escolas tentam suprir o despreparo e acabam violando, inclusive, um direito constitucional. É necessário ter um olhar positivo para as condições de aprendizagem, o que ajuda a eliminar as barreiras e a compreender os limites em vez de acentuar as diferenças.

 

Dicas de convivência com pessoas que têm Down

Texto adaptado da autora Sohar Dahini

 

1) Vai aprender a aceitar melhor as diferenças e se tornar uma pessoa menos preconceituosa;

2) Vai aprender a se colocar no lugar do outro ao conviver com um colega que tem dificuldades que ele não possui;

3) Vai aprender que a comunicação vai mundo além do falar: é feita de gestos, olhares e silêncios;

4) Vai aprender que pessoas com Down não são vítimas;

5) Vai aprender que a vida vale a pena apesar das dificuldades;

6) Vai aprender a importância do cuidado e de ajudar ao próximo;

7) Vai aprender a ser flexível e ver que não existe apenas uma maneira de realizar as coisas;

8) Vai aprender a lidar melhor com suas próprias limitações;

9) Vai aprender a dar valor a pequenas conquistas;

10) Vai aprender que todo ser humano pode ensinar e aprender.

 

Educação e síndrome de Down

Não podemos educar ninguém enquanto não conhecermos o indivíduo que existe por trás de sua condição. Se educa um ser humano e não a síndrome de Down. As pessoas com Down têm habilidades e dificuldades como todos nós. A cada recusa de escolas e professores que alegam que não estão preparados me fazem pensar que a escola não esta preparada para funcionar, pois esquecem que educar é antes de tudo humanizar.

Se não está preparada para educar um aluno com Down, não está preparada para educar nenhum aluno, pois todos são seres humanos, logo, passíveis de serem educados.

Portanto, a conclusão a que podemos chegar é “uma escola onde ninguém é deixado de fora nos ensina a viver em uma sociedade onde ninguém é deixado de fora”.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. O colunista Leonardo Gontijo. Ele é moreno, tem a pele clara e cabelos castanhos claro. Leonardo usa uma camisa social azul. Ele sorri. Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Leonardo Gontijo é formado em Direito e Engenharia Civil, mas, é mais conhecido como irmão do Dudu do Cavaco. Professor e consultor em Sustentabilidade e Inclusão, é pai de duas filhas, a Duda e a Laura, e é marido da Carolina.

 

 

 

 

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