Pesquisa propõe a criação de plataforma de jogos para idosos

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Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Nela vemos a mão de um idoso usando o aparelho. Fim da descrição.
Nos jogos para idosos, o tamanho das letras deve ser maior do que o tradicionalmente empregado nos games tradicionais (Foto: Marcos Santos / USP Imagens)

 

O envelhecimento pode acometer a capacidade motora, visual e cognitiva das pessoas. Idosos convivem com esses problemas diariamente e muitos não têm conhecimento sobre alternativas que possam amenizar esse processo de transformação natural. Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), estão desenvolvendo uma plataforma de jogos digitais para idosos, ferramenta que poderá trazer mais qualidade de vida a esse público.

“Jogos digitais têm sido desenvolvidos especialmente para a população jovem, habituada a essas interações e com aprendizagem mais rápida. Adequar e proporcionar esse tipo de conteúdo aos idosos ainda é um desafio que, se vencido, será um importante instrumento de inclusão social”, explica o doutorando no ICMC, Leandro do Amaral.

“Os idosos de hoje já estão inseridos no mundo da tecnologia, mas devemos trazê-los ainda para mais perto dessa nova cultura. Muitos deles já jogavam games quando eram mais novos, mas atualmente não há preocupação da indústria de jogos com essas pessoas”, conta o especialista em Ciências de Computação no ICMC,Gabriel Lima, que atualmente trabalha na Aptor Consultoria e Desenvolvimento de Software, empresa parceira dos pesquisadores no projeto ‘Ambiente lúdico adaptativo como ferramenta para proporcionar treinamento cognitivo ao público senescente’.

 

Processo de criação

Para desenvolver uma ferramenta com jogos acessíveis a quem tem mais de 60 anos, os pesquisadores precisam levar em conta o déficit cognitivo e motor que os idosos costumam apresentar. É recomendado evitar movimentos muito rápidos durante o jogo, excesso de informações na tela e o tamanho das letras deve ser maior do que o tradicionalmente empregado nos games destinados a outros públicos. “A maior dificuldade é entender a necessidade do idoso. Ele não pode se sentir frustrado por não conseguir jogar. Ao mesmo tempo, a experiência não deve ser entediante como acontece em games que não apresentam desafios”, diz Gabriel.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Nela vemos o grupo de pesquisadores que desenvolveram o projeto. O grupo é formado por cinco homens e tem uma mulher. Fim da descrição.
O grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (Foto: Reinaldo Mizutani / ICMC)

Leandro explica também que, no Brasil, não há muitos jogos para idosos e os que existem não se preocupam com acessibilidade. Outro fator importante que deve ser levado em conta no momento de criar um game para essas pessoas é que o projeto precisa se relacionar com o universo cultural de quem tem mais de 60 anos. Por isso, foi realizada uma pesquisa prévia com 50 idosos para obter mais informações sobre as características desse público a fim de propor jogos com uma temática atrativa.

Ao criar a plataforma, também será possível contribuir com a evolução das habilidades e técnicas cognitivas dessa população, retardando uma série de declínios, como, por exemplo, o comprometimento da memória. De acordo com Leandro, pesquisas sobre o desenvolvimento motor dessa população têm ganhado destaque, tendo em vista as transformações já esperadas durante as fases do envelhecimento e por ser um nicho de mercado que deverá ser cada vez mais explorado.

“É uma área de pesquisa muito promissora e que está se desenvolvendo não só no Brasil como no mundo todo. Os idosos são muito atuantes e desejam participar”, conta a professora Renata Pontin, do ICMC, que atua como orientadora de Leandro.

Para viabilizar a criação da plataforma, os pesquisadores estabeleceram uma parceria com a Aptor e apresentaram uma proposta para o ‘Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)’, criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto foi aprovado pela agência de fomento e receberá até 200 mil reais nos primeiros nove meses de pesquisa. Ao final do período, os pesquisadores apresentarão um relatório técnico sobre o andamento do projeto. Caso obtenham resultados satisfatórios, o financiamento pode ser renovado por mais dois anos, com a garantia de que um produto final seja entregue ao final do prazo.

 

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