Conheça o transtorno que pode ser confundido com dislexia ou TDAH

0
4603
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Nela, um menino está sentado em uma mesa, com um caderno aberto e alguns lápis espalhados pela mesa. O menino está com as duas mãos na cabeça, como se estivesse confuso com sua tarefa. Ele veste uma camisa branca. O fundo da imagem também é branco. Fim da descrição.
Falta de concentração e desinteresse são alguns dos sintomas (Foto: Divulgação)

Falta de concentração, desinteresse, hiperatividade, baixo rendimento escolar e isolamento social são alguns dos comportamentos verificados em certas crianças que podem levar aos diagnósticos de Dislexia ou de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Mas o que muita gente não sabe é que esses sintomas também podem ser consequência de um outro tipo de distúrbio, ainda pouco conhecido.

Trata-se da Desordem do Processamento Auditivo Central, ou DPAC, um problema auditivo reconhecido pela medicina há apenas 15 anos, e por isso ainda pouco diagnosticado pelos médicos.

O transtorno afeta a capacidade de compreensão dos sons e pode prejudicar o desenvolvimento intelectual desde a infância. A criança ouve normalmente, mas não consegue interpretar o que ouve, como se as palavras e demais sons fossem apenas ruídos.

“A criança ou adolescente com DPAC não consegue discriminar os sons quanto à sua localização e amplitude e não reconhece ou não compreende o significado de cada ruído presente no ambiente. Com isso, o mundo se transforma em uma incômoda confusão de barulhos desconexos e embaralhados”, explica a fonoaudióloga Marcela Vidal, da Telex Soluções Auditivas.

 

Entendendo o transtorno

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um menino está de perfil. Ele tem a boca aberta e dela saem algumas letras, na cor branca. A foto tem fundo cinza e o menino, loiro, veste camisa cinza. Fim da descrição.
Transtorno pode ser confundido com Dislexia e TDAH (Foto: Divulgação)

De acordo com neurologistas, todo o esforço exercido por quem tem o distúrbio para entender o que acontece ao seu redor é demasiado para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e ‘desliga’, por isso, as pessoas com do DPAC são distraídas e perdem o foco de atenção muito rápido sobre o que está acontecendo no ambiente.

A fala e a leitura também são prejudicadas, uma vez que o processo de linguagem se desenvolve ao mesmo tempo em que o da audição. Com isso, a criança pode não aprender a falar nem a ler bem, uma vez que é necessário associar as palavras ao som que elas têm.

Não se sabe ao certo como surge a DPAC, mas acredita-se que a falta de estímulos sonoros durante a infância seja uma das causas. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem até os 13 anos. Até essa idade, as notas musicais, as palavras e os barulhos do dia a dia vão lentamente ensinando o cérebro a lidar com a audição. Alguns pesquisadores destacam que crianças com lesões ou inflamações frequentes no ouvido médio podem desenvolver o transtorno, uma vez que tais enfermidades impedem o cérebro de receber adequadamente estímulos sonoros. Doenças neurodegenerativas, rubéola, sífilis e toxoplasmose ou mesmo alcoolismo e dependência química materna também podem causar o distúrbio, porém, nada ainda foi comprovado cientificamente.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da Desordem do Processamento Auditivo Central é consolidado por um fonoaudiólogo por meio de testes especiais que descartam outros problemas. “Na maior parte dos casos, o sistema auditivo periférico (tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo) está totalmente preservado. Por isso, são realizados procedimentos um pouco mais elaborados, é preciso avaliar o desenvolvimento linguístico e o comportamento auditivo do paciente”, diz Marcela.

A idade mínima adequada para iniciar o diagnóstico é a partir dos sete anos de idade, na fase de alfabetização da criança, uma vez que o aluno começa a apresentar dificuldade de memória de curto prazo; falta de entendimento; pouca concentração e incapacidade de leitura e escrita. Os exames apontarão em quais habilidades auditivas a criança tem maior dificuldade e isso servirá de orientação para a escolha do plano de tratamento no que diz respeito ao treinamento auditivo que o fonoaudiólogo conduzirá com a criança, em um trabalho terapêutico de médio a longo prazo.

“É de extrema importância que o diagnóstico seja dado o quanto antes para que as dificuldades no aprendizado sejam superadas com maior facilidade. Com o tratamento fonoaudiológico e o apoio de uma equipe pedagógica adequada desde cedo, a criança tem grandes chances de obter um ótimo desempenho escolar, pois seu cérebro estará treinado para desenvolver mecanismos diferentes e rotas alternativas para driblar o distúrbio”, diz a fonoaudióloga, que é especialista na área de audiologia infantil.


Como auxiliar as crianças com DPAC?

– Ambientes barulhentos prejudicam ainda mais a concentração das crianças com DPAC, por isso, é preciso manter o silêncio na hora do estudo, tanto na escola quanto em casa;

– É aconselhável que na escola a criança sente o mais perto possível do professor e fique afastada de portas e janelas, a fim de ficar mais protegida de ruídos;

– Deve-se procurar falar de forma clara e pausada, de frente para a criança e, sempre que possível, fornecer as instruções e atividades bem próximo a ela;

– A criança deve ser incentivada pelos pais e professores no esforço de aprendizagem, para melhorar nos estudos e aumentar a sua autoestima.

 

Portal Acesse

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here